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Plano de Negócios Rodrigo Loureiro

Rali eleitoral? Mercado prefere olhar para os EUA

Publicado 01/10/2026 • 08:07 | Atualizado há 1 hora

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Rodrigo Loureiro

Rodrigo Loureiro é jornalista especializado em economia e com experiência nos principais veículos do Brasil. Além de comandar esta coluna, é analista de mercado nos principais programas do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.

B3

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A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a condenação da B3 por infração à ordem econômica.

Com as eleições brasileiras batendo à porta, criou-se no mercado a ilusão de que a bolsa de valores estaria entrando em um novo rali. No pregão de ontem (30), o índice Ibovespa subiu 1,37%. Destaque para os bancos. Itaú e Bradesco subiram mais de 4%.

Ainda que parte do mercado tenha se animado com um cenário mais acirrado na corrida eleitoral, o principal motor de força da bolsa nos últimos dias tem sido outro governo. Neste caso, o americano.

Explica-se: ontem, o governo americano divulgou dados de inflação. O PCE, que mede os preços pagos pelos consumidores por bens e serviços, veio ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, principalmente quando excluídos os gastos com alimentação e energia.

O índice apontou alta de 0,3% nos preços, abaixo da expectativa de 0,4% do mercado. No indicador core, que exclui energia e alimentação, houve avanço de 0,2%, contra expectativa de 0,3%. No acumulado de 12 meses, os percentuais divulgados em agosto apontam altas de 3,4% no índice cheio e de 3,0% no core.

O que esses números mostram é que a inflação americana veio abaixo da expectativa. Um refresco em um cenário complicado para o Fed, que recentemente começou uma saga de aumento de juros. Antes da divulgação do PCE, o mercado apostava que o BC iria continuar esse movimento.

Isso mudou. De acordo com o FedWatch, 68% dos investidores apostavam em uma nova alta na taxa de juros americana, para um patamar entre 4,00% e 4,25%, na próxima reunião do Fed. Após a divulgação dos dados do PCE, agora 63% do mercado precifica o juro futuro no patamar atual.

Por que isso importa?

Uma mudança na expectativa dos juros americanos impacta diretamente a bolsa brasileira porque abre novamente o apetite do mercado para bolsas emergentes. Juro menor nos Estados Unidos significa um freio no rendimento dos Treasuries, que recentemente ultrapassou 5,2% para o título de 10 anos.

Sem esse apelo, o mercado começa a diversificar as operações, de olho em outros mercados. Há saída de dólar dos Estados Unidos. No pregão de ontem, o dólar recuou 0,81%, para R$ 5,17. A queda do dólar, consequentemente, gera menos pressão em empresas que precisam importar insumos.

Ainda que, neste cenário, exista um apelo para o varejo, que entra nesta seara de empresas que dependem de custos de importação mais baixos, quem sentiu mais os impactos do PCE foram os bancos, sempre mais sensíveis aos dados macroeconômicos.

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