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Binance: por que o bitcoin resistiu melhor ao maior ataque hacker da história?

Publicado 30/10/2026 • 19:06 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Ataque hacker à Binance movimenta US$ 6,3 bilhões, mas provoca reação moderada no mercado e queda de cerca de 4% no bitcoin.
  • Resposta rápida da corretora ajuda a conter o temor dos investidores, com congelamento de US$ 3 bilhões em ativos e garantias de ressarcimento aos usuários.
  • Especialistas apontam maior resiliência do bitcoin, destacando a segurança da rede, a presença de investidores de longo prazo e a diferença entre ataques a corretoras e falhas no protocolo da criptomoeda.

Foto: Unsplash

O maior ataque hacker da história do mercado de criptomoedas, que atingiu a Binance, teve pouco impacto sobre a confiança dos investidores no bitcoin, segundo analistas e especialistas do setor.

Na quinta-feira, a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo em volume diário de negociações, informou que cerca de US$ 6,3 bilhões (R$ 34,272 bilhões) foram afetados por uma exploração de falha de segurança. A empresa de análise de blockchain TRM Labs atribuiu o ataque à Coreia do Norte.

O incidente provocou uma onda moderada de vendas de bitcoin. Na sexta-feira, por volta das 13h34, no horário de Nova York, a criptomoeda era negociada a US$ 77.065 (R$ 419.633,60), com queda de aproximadamente 4% no dia.

O recuo foi relativamente pequeno quando comparado ao impacto de ataques anteriores a corretoras. Segundo dados da Anchorage Digital, plataforma voltada ao mercado institucional de criptoativos, o bitcoin registrou, em média, uma desvalorização de 8,3% nas primeiras 24 horas após incidentes desse tipo.

A relativa estabilidade da criptomoeda se explica pelo fato de que o ataque à Binance não comprometeu a segurança da própria rede Bitcoin, segundo Sam Callahan, diretor de estratégia e pesquisa de bitcoin da OranjeBTC, empresa especializada em gestão de tesouraria em criptomoedas.

“Os investidores entendem que existe uma diferença importante: a rede Bitcoin em si não foi hackeada”, afirmou Callahan à CNBC. “O que ocorreu foi uma falha de segurança em uma corretora centralizada, não um problema na rede Bitcoin.”

Ataques a corretoras já provocaram fortes quedas no bitcoin

Embora o ataque à Binance tenha sido o maior já registrado no setor de criptomoedas, esse tipo de incidente está longe de ser inédito. Ao longo dos anos, diferentes plataformas foram alvo de criminosos, provocando turbulência no mercado e fortes oscilações no preço do bitcoin.

No início da década de 2010, a corretora Mt. Gox sofreu uma série de ataques hackers que abalaram o mercado. Em fevereiro de 2014, por exemplo, o bitcoin chegou a cair 23,7% nas primeiras 24 horas após um dos incidentes, de acordo com dados da Anchorage Digital.

Mais recentemente, a Bybit perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,16 bilhões) em um ataque que explorou uma vulnerabilidade em sua plataforma de negociação. No mês passado, a Bitget também foi alvo de um ataque que resultou no desvio de mais de US$ 350 milhões (R$ 1,904 bilhão) em ativos digitais.

Para Spencer Hallarn, chefe de mercados da GSR, empresa especializada em negociação de criptoativos, o que diferencia o episódio envolvendo a Binance é a reação relativamente contida dos investidores. Ao contrário do que ocorreu em outros grandes ataques, o incidente não provocou uma perda generalizada de confiança no mercado.

A rapidez com que a Binance começou a recuperar os ativos afetados também pode ter ajudado a conter as preocupações, segundo Hallarn.

“A resposta rápida da Binance, sua capacidade financeira e as garantias de que nenhum usuário teria prejuízo ajudaram a recuperar a confiança do mercado e evitar um possível movimento de pânico”, afirmou o executivo à CNBC.

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A Tether, a Circle e outras empresas do setor informaram que congelaram cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,32 bilhões) em fundos roubados durante o ataque. A medida deve ajudar a limitar as perdas decorrentes do incidente, observou Hallarn.

Outro fator que pode ajudar a Binance a absorver o impacto é o Fundo de Proteção de Ativos dos Usuários (SAFU, na sigla em inglês), que conta com US$ 1,2 bilhão (R$ 6,528 bilhões) e foi criado justamente para cobrir prejuízos decorrentes de violações de segurança e outros incidentes.

A corretora também poderia recorrer a empréstimos para reduzir eventuais riscos à sua solvência, caso o histórico recente do setor sirva de referência. Essa é a avaliação do banco de investimentos Compass Point.

“Acreditamos que a Binance tem liquidez mais do que suficiente para cobrir o déficit e deve continuar solvente enquanto reembolsa os valores dos usuários”, afirmou Ed Engel, analista da Compass Point, em relatório enviado a clientes na sexta-feira.

Ele lembrou que a Bybit também conseguiu um empréstimo-ponte após sofrer um ataque de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,16 bilhões) no ano passado. Por isso, a avaliação é de que a Binance também dispõe de alternativas para levantar recursos, se necessário.

Hallarn, da GSR, destacou que o movimento recente de saída de investidores das ações de tecnologia também pode estar contribuindo para a pressão sobre o bitcoin.

“Desde o ataque, o bitcoin vem acompanhando de perto o desempenho de outros ativos de risco, incluindo as ações, que recuaram durante a noite em meio às preocupações com os resultados financeiros das empresas ligadas à inteligência artificial”, afirmou à CNBC.

O iShares A.I. Innovation and Tech Active ETF (BAI), fundo negociado em bolsa que reúne investimentos ligados à inteligência artificial e à tecnologia, registrava queda superior a 8% no dia.

Apesar desse cenário, David Lawant, chefe de pesquisa da Anchorage Digital, avalia que os investidores que já possuem bitcoin estão mais dispostos a manter suas posições diante de dificuldades no curto prazo do que aqueles que investem em outros ativos de risco.

Segundo dados da plataforma de análise de bitcoin Bitbo, apenas 6% da criptomoeda está em fundos negociados em bolsa (ETFs). Isso indica que uma parcela significativa dos bitcoins continua nas mãos de investidores de longo prazo, que acreditam no potencial do ativo e em suas origens ligadas à filosofia cypherpunk, explicou Lawant.

“O bitcoin e as criptomoedas não são ativos da moda, como as ações de tecnologia, dos quais os investidores entram e saem o tempo todo”, afirmou.

“Quem mantém bitcoin atualmente forma uma base de investidores bastante sólida, capaz de encarar situações como essa com uma visão mais voltada para o longo prazo. Isso tem sido um fator importante para explicar a resistência da criptomoeda mesmo em um cenário desfavorável para o mercado.”

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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

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