Mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas foram roubados da Binance, e empresas de inteligência em blockchain atribuíram o ataque ao grupo TraderTraitor, da Coreia do Norte.
Especialistas afirmam que os hackers utilizam diversas técnicas de ocultação para disfarçar a movimentação das criptomoedas.
Redes profissionais de lavagem de dinheiro podem ajudar a converter criptomoedas roubadas em dinheiro, reduzindo as oportunidades de recuperação dos recursos, afirmaram especialistas.
Jakub Porzycki | Nurphoto | Getty Images
Empresas de criptomoedas e autoridades policiais estão correndo para recuperar mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas roubadas da Binance antes que os hackers consigam ocultar os fundos.
As empresas afirmam estar em um “jogo de gato e rato” contra supostos hackers norte-coreanos, que utilizam uma combinação de técnicas para ocultar transações com criptomoedas e redes profissionais internacionais de lavagem de dinheiro para converter seus ativos digitais em moeda fiduciária, segundo especialistas que conversaram com a CNBC.
Essas movimentações destacam a dificuldade de recuperar os fundos roubados após um ataque cibernético contra uma plataforma de criptomoedas.
“Em última análise, eles [os hackers] estão tentando converter as criptomoedas em moeda fiduciária. E esse é o desafio, uma espécie de corrida contra o tempo”, afirmou Ari Redbord, chefe global de políticas da TRM Labs, uma das empresas que investigam o ataque à Binance, à CNBC na sexta-feira.
A Binance se comprometeu a cobrir as perdas por meio de seu Fundo Seguro de Ativos para Usuários (SAFU, na sigla em inglês).
Tanto a TRM Labs quanto a Chainalysis atribuíram o ataque à Binance a um grupo de hackers apoiado pelo Estado norte-coreano chamado TraderTraitor, que tem histórico de ataques cibernéticos envolvendo criptomoedas.
Stablecoins congeladas
Após o ataque, diversos emissores de stablecoins, incluindo a Circle, responsável pela emissão da USDC, e a Tether, que emite a USDT, tomaram medidas para congelar os fundos. Stablecoins são ativos digitais que representam uma moeda, como o dólar, em uma proporção de um para um e são lastreadas em ativos como títulos do governo ou moeda fiduciária.
A Binance estima que cerca de US$ 3 bilhões em criptomoedas tenham sido congelados até o momento.
Os emissores das stablecoins poderiam queimar e emitir novamente os tokens, recuperando potencialmente essas perdas. Nesse cenário, uma empresa como Circle ou Tether destruiria efetivamente as stablecoins congeladas, tornando-as inacessíveis aos hackers. Em seguida, poderia emitir novos tokens, que ficariam sob a custódia de uma entidade governamental legalmente autorizada e, posteriormente, seriam devolvidos à Binance.
Os hackers, porém, agiram antes. Eles rapidamente venderam USDT a formadores de mercado e tomaram emprestada a criptomoeda ether usando a stablecoin como garantia, segundo a TRM Labs. O ether é mais difícil de congelar, e a entidade que concedeu o empréstimo ficaria com a stablecoin roubada.
“Os invasores sabiam que esse caminho seria fechado para eles e, por isso, se anteciparam”, afirmou Joe Hancock, sócio e chefe de risco cibernético e investigações complexas do escritório de advocacia Mishcon de Reya.
Ocultação dos fundos roubados
Os hackers têm utilizado táticas sofisticadas para escapar das autoridades policiais e impedir que os órgãos responsáveis apreendam os cerca de US$ 3 bilhões que ainda permanecem em circulação.
As criptomoedas operam em blockchains, que são registros públicos de transações. Isso permite que empresas especializadas em perícia digital acompanhem a movimentação dos ativos entre diferentes carteiras virtuais. Para dificultar esse rastreamento, os hackers recorrem a diversas técnicas para despistar os investigadores.
Serviços de mistura de criptomoedas, conhecidos como mixers, ocultam o caminho percorrido pelos ativos ao combinar fundos de diferentes usuários, dificultando o rastreamento do dinheiro.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Jonathan Levin, CEO da Chainalysis, afirmou à CNBC que ainda não há sinais de que essa técnica esteja sendo utilizada.
Em vez disso, sua empresa identificou “padrões de lavagem de dinheiro que nunca havíamos visto antes”, nos quais os hackers utilizam mecanismos automatizados para transferir fundos repetidamente entre diferentes carteiras, com o objetivo de despistar os investigadores.
“Em vez de simplesmente transferir os fundos adiante, eles os fazem circular repetidamente entre endereços, muitas vezes enviando o dinheiro de volta para endereços que já haviam participado de etapas anteriores da sequência”, escreveu a Chainalysis em uma publicação em seu blog.
Se os hackers converterem stablecoins em criptomoedas como bitcoin e ethereum, não será possível congelar os ativos.
Levin disse à CNBC que os hackers transferiram grandes quantias para diferentes endereços da rede Tron. A Tron é uma blockchain.
“Temos equipes trabalhando ininterruptamente para continuar acompanhando essas movimentações”, afirmou Levin. “Também contamos agora com mecanismos automatizados para rastreá-las. Não se trata apenas de trabalho manual.”
Todas essas táticas dificultam o rastreamento das criptomoedas roubadas pelas empresas. Redbord, da TRM Labs, afirmou, porém, que sua companhia está ficando “cada vez melhor” em identificar essas técnicas.
“É um jogo contínuo de gato e rato, no qual agentes mal-intencionados tentam ocultar suas transações, enquanto nós tentamos rastreá-las e identificá-las”, disse Redbord.
Redes internacionais de lavagem de dinheiro
Hackers estão recorrendo cada vez mais a organizações chinesas de lavagem de dinheiro para converter criptomoedas em moeda fiduciária, segundo Levin, da Chainalysis, e Redbord, da TRM Labs.
“Portanto, nem sempre estamos perseguindo apenas os norte-coreanos na blockchain. Muitas vezes, estamos atrás dessas redes profissionais de lavagem de dinheiro”, afirmou Redbord.
O termo on-chain se refere a transações realizadas em blockchains, enquanto off-chain diz respeito a operações que não são registradas nessas redes. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando a transação envolve moeda fiduciária.
Levin explicou que organizações de lavagem de dinheiro oferecem comprar as criptomoedas roubadas diretamente dos hackers, em operações de balcão, mediante o pagamento de uma comissão elevada. Em seguida, essas organizações lavariam o dinheiro e o devolveriam aos hackers, possivelmente na forma de algum tipo de stablecoin, que poderia então ser convertida em moeda fiduciária.
Quando os recursos chegam a essa etapa, a recuperação dos fundos roubados se torna mais difícil.
“À medida que os fundos avançam cada vez mais nesse processo, as oportunidades de apreensão diminuem”, afirmou Levin.
📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings