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Criptomoedas reduzem risco da carteira, mas só com alocação certa, dizem especialistas

Publicado 25/07/2026 • 22:28 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Quase metade dos investidores usa cripto para diversificar carteira, mostra pesquisa
  • Consultores recomendam entre 1% e 3% de alocação em criptomoedas na carteira
  • Correlação entre bitcoin e ações sobe justamente durante crises de mercado
Bitcoin diversificação

Bitcoin segue forte mesmo com volatilidade? Especialista explica cenário do mercado cripto

Criptomoedas já foram vendidas como substitutas do dinheiro estatal, como invenção tão disruptiva quanto o smartphone e como ferramenta de democratização do sistema financeiro. Mas o motivo mais citado pelos investidores para manter o ativo é bem mais comum, diversificação de carteira. Segundo especialistas em mercado financeiro, existe um jeito certo e um jeito errado de usar criptomoedas como bitcoin para essa finalidade.

Quase metade dos investidores busca diversificação

De acordo com relatório do Urban Institute, think tank americano que ouviu 3.194 adultos dos Estados Unidos em janeiro, 45% dos investidores em cripto apontam a diversificação como principal motivo para manter o ativo. Outros 27% dizem acreditar que cripto é o futuro, 11% esperam ganhar mais dinheiro do que em outros investimentos e 5% afirmam não confiar no dólar americano.

Os números sugerem uma virada de comportamento. Nos primeiros anos do bitcoin, ao longo de cerca de duas décadas de existência, investidores tratavam o ativo como símbolo contracultural. Hoje, a lógica se aproxima mais da estratégia de investimento tradicional.

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Correlação baixa favorece diversificação no longo prazo

A base da diversificação está em manter ativos que não se movem em conjunto. Títulos de renda fixa são o exemplo clássico, com correlação de 0,02 em relação ao índice S&P 500 nos últimos dez anos, segundo Veronica Willis, estrategista sênior de alocação de ativos no Wells Fargo Investment Institute. Criptomoedas apresentam correlação de 0,2 com o mesmo índice no mesmo período, mais alta que títulos, mas ainda considerada baixa pelos analistas.

Jim Ferraioli, diretor de pesquisa e estratégia em cripto no Schwab Center for Financial Research, resume o papel do ativo na carteira como complemento de longo prazo aos investimentos tradicionais.

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Benefício de diversificação não é garantido

O planejador financeiro certificado Douglas Boneparth, presidente da Bone Fide Wealth e membro do conselho de consultores financeiros da CNBC, alerta que a eficácia da diversificação depende da execução. Segundo ele, o bitcoin ganha espaço em carteiras justamente por ter histórico de retorno distinto de ações e títulos ao longo de períodos longos.

Mas essa proteção falha exatamente quando mais se precisa dela. Boneparth explica que a correlação entre bitcoin e ações tende a subir durante momentos de estresse agudo no mercado, quando investidores vendem qualquer ativo líquido disponível. Willis reforça o ponto ao descrever cripto como um ativo híbrido, que combina características de diversificador e de ativo de crescimento, e que costuma ser descartado junto com outros ativos de risco quando o mercado assusta os investidores.

Dados da Morningstar confirmam a variação ao longo do tempo. Em levantamento de maio de 2025, a estrategista Amy Arnott mostrou que bitcoin e outras criptomoedas relevantes tiveram correlação abaixo de 0,4 com ações, títulos, imóveis, ouro e commodities ao longo de dez anos, mas a correlação com ações americanas subiu para 0,55 no período de três anos encerrado em abril de 2025, ante números próximos de zero em períodos anteriores.

Alocação recomendada fica entre 1% e 3%

Para Boneparth, uma alocação entre 1% e 2% em criptomoedas costuma funcionar bem dentro da carteira. Acima de 5%, segundo ele, a volatilidade do bitcoin passa a dominar o risco total da carteira e o ativo deixa de funcionar como diversificador para se tornar a aposta principal.

Willis recomenda faixa um pouco mais ampla, entre 2% e 3%, reservada principalmente a investidores com objetivo de crescimento patrimonial, e não a perfis mais conservadores voltados à geração de renda. Alocações pequenas, segundo ela, reduzem o impacto da volatilidade sobre o resultado geral da carteira.

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