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Fernanda Rocha: Dívida da Strategy pode pressionar preço do Bitcoin

Publicado 30/06/2026 • 00:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Fernanda Rocha afirmou que a Strategy se alavancou para comprar Bitcoin e hoje carrega cerca de US$ 75 bilhões na criptomoeda.
  • Segundo a assessora de investimentos da Monte Bravo, a empresa tem quase US$ 30 bilhões em dívida e compromissos mensais superiores a US$ 100 milhões.
  • Para ela, o Bitcoin pode oferecer oportunidades, mas exige cautela diante do risco de venda de ativos pela Strategy.

A Strategy, deixou de ser apenas uma compradora recorrente de Bitcoin e passou a representar um risco relevante para o mercado da criptomoeda. É o que avalia Fernanda Rocha, assessora de investimentos da Monte Bravo e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Fernanda disse que a empresa se tornou um dos principais vetores de valorização do Bitcoin nos últimos anos ao financiar compras da criptomoeda com dívida. Com a queda do mercado e o aumento dos compromissos financeiros, investidores questionam se a companhia poderá reduzir o ritmo de compras ou até vender parte das reservas.

“Eu sempre costumo dizer que o dinheiro é sempre o mesmo, ele muda de mão. Então, a gente tem que estar sempre atento ao fluxo do dinheiro”, afirmou.

Segundo Fernanda, a Strategy começou a mudar sua estratégia durante a pandemia, quando ainda se chamava MicroStrategy e atuava principalmente como uma empresa de software. Naquele momento, diante da forte expansão monetária nos Estados Unidos, a companhia decidiu direcionar parte relevante do caixa para Bitcoin.

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A decisão atraiu investidores institucionais que, à época, não podiam comprar criptomoedas diretamente por restrições regulatórias. Esses investidores passaram a usar a ação da MicroStrategy como forma indireta de exposição ao Bitcoin.

“Eles começaram a comprar a MicroStrategy para se expor um pouquinho nas criptos, na verdade no Bitcoin”, disse.

Com a demanda crescente, a empresa passou a aprofundar a estratégia. Segundo Fernanda, Michael Saylor, fundador da companhia, viu nesse movimento um nicho de mercado e passou a captar dívida para comprar mais Bitcoin.

“Ele começou a pegar dívida para comprar Bitcoin”, afirmou.

Hoje, segundo a Notável, a Strategy tem cerca de US$ 75 bilhões em Bitcoin. Para Fernanda, esse volume torna a companhia grande demais para ser ignorada pelo mercado.

“Não tem como isso não ser relevante no mercado”, disse.

Alavancagem preocupa investidores

Fernanda afirmou que o modelo da Strategy funcionou enquanto o Bitcoin subia e havia demanda por exposição indireta à criptomoeda. Esse cenário mudou com a criação de ETFs de criptoativos e com a flexibilização das regras para fundos que passaram a poder investir diretamente no ativo.

Com isso, a tese de comprar ações da Strategy como substituto do Bitcoin perdeu força.

“Por que eu vou colocar Bitcoin através de uma empresa? Por que eu não coloco diretamente?”, afirmou.

Segundo ela, a empresa também aumentou o grau de alavancagem ao longo do tempo, recorrendo a diferentes instrumentos para financiar novas compras, incluindo dívida, conversíveis em ações e papéis perpétuos.

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Fernanda disse que a companhia tem hoje quase US$ 30 bilhões em dívida e compromissos mensais superiores a US$ 100 milhões.

“Tudo que sobe na euforia agora começa a vir aquela coisa: mas será mesmo que é possível? Será que ele vai conseguir pagar?”, afirmou.

Segundo ela, a Strategy já passou a vender Bitcoin para recompor caixa. Isso muda a leitura do mercado, porque uma companhia que ajudava a sustentar a demanda pode se tornar uma fonte de pressão vendedora.

“Se ele se apertar, ele vai vender Bitcoin. Então isso é uma coisa que a gente tem que estar em alerta”, disse.

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Mercado busca equilíbrio

Apesar dos riscos, Fernanda afirmou que o Bitcoin não está hoje em uma posição extrema de mercado. Segundo ela, a alavancagem está mais amena, sem gatilhos evidentes para um movimento forte de alta ou de queda.

“Hoje, digamos que o mercado está procurando um equilíbrio justo no Bitcoin”, afirmou.

Para a Notável, esse cenário pode abrir espaço para compras pontuais, mas sem a percepção de que se trata de uma oportunidade sem risco.

“Isso acaba trazendo oportunidade. Aquela famosa compra de oportunidade: um valor um pouquinho mais baixo, você compra”, disse.

Ela alertou, porém, que o investidor precisa considerar o peso da Strategy no mercado. Se a empresa vender parte relevante de suas reservas para honrar compromissos, a oferta adicional pode pressionar o preço da criptomoeda.

“Não é aquela coisa assim: é comprar, é roubar pirulito de criança. Não é tão simples assim”, afirmou.

Fernanda comparou o risco a um mercado inundado por oferta. Se a Strategy passar a vender Bitcoin em volume relevante, disse, a relação entre oferta e demanda pode se deteriorar e derrubar os preços.

Para a Notável, o ponto central é acompanhar a gestão de caixa da companhia, o ritmo de venda de ativos e a capacidade de pagar a dívida sem gerar instabilidade no mercado.

“Previsibilidade é confiança”, afirmou.

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