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Trump comprou até US$ 5 milhões em ações de fabricante de tasers semanas antes de licitação do ICE
Publicado 29/06/2026 • 08:49 | Atualizado há 1 hora
Trump comprou até US$ 5 milhões em ações de fabricante de tasers semanas antes de licitação do ICE
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Publicado 29/06/2026 • 08:49 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: AFP
O presidente Donald Trump comprou até US$ 5 milhões em ações da Axon Enterprise — fabricante de Tasers, câmeras corporais e softwares de policiamento — duas semanas antes de o Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE) buscar um contrato de cinco anos e US$ 220 milhões que, segundo especialistas disseram à CNBC, parecia sob medida para as armas da empresa.
Em 10 de fevereiro, Trump comprou entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em ações da Axon, de acordo com relatórios financeiros federais que ele enviou em maio. Em 24 de fevereiro, o ICE publicou um aviso buscando cerca de 17.800 novos Tasers, além de cartuchos ilimitados e treinamento.
A Casa Branca afirmou que os ativos de Trump estão mantidos em um fundo administrado por seus filhos e que os investimentos de Trump são geridos por empresas terceirizadas independentes, e não por Trump ou sua família.
“Não há conflitos de interesse”, disse a porta-voz Anna Kelly à CNBC, classificando a fiscalização como uma “narrativa cansativa” promovida pelos democratas.
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As declarações de Trump ao Escritório de Ética Governamental dos EUA, tornadas públicas em 14 de maio, mostram mais de 3.700 transações, com o valor total de cada uma listado como uma faixa estimada, em vez de um valor exato.
Pela lei federal, os presidentes são isentos do estatuto criminal de conflito de interesses que se aplica à maioria dos funcionários do poder executivo.
O aviso do ICE não nomeia a Axon, que fabrica cerca de 90% dos Tasers dos EUA de acordo com a empresa de investimentos Brown Advisory, mas exige “armas de energia conduzida” com especificações e capacidades que analistas de compras governamentais e três especialistas em policiamento disseram à CNBC parecerem corresponder apenas aos produtos da Axon. A empresa já fornece Tasers para o governo federal.
Se finalizada, a compra iria mais do que quadruplicar o arsenal atual de Tasers do ICE, substituindo cerca de 4.300 dispositivos em uso, de acordo com o aviso de fevereiro.
O documento refere-se a uma atualização para o “T10”, o modelo “TASER 10” da Axon, para substituir os antigos “Tasers X26P/X2” do ICE, que também são fabricados pela Axon. Também especifica características associadas ao “TASER 10”, incluindo um alcance de 45 pés (cerca de 13,7 metros) e 10 dardos mirados individualmente — especificações e capacidades que, segundo especialistas em licitações, efetivamente excluem outros concorrentes.
Não há evidências de que Trump esteve envolvido ou teve conhecimento do processo de aquisição, de que os funcionários de contratação sabiam de sua compra de ações ou de que a Axon sabia que Trump era acionista. Trump comprou as ações em 10 de fevereiro, mas a compra só se tornou pública quando sua declaração financeira foi divulgada em maio. Não há indícios de que a Axon teve acesso a informações não públicas sobre os investimentos pessoais do presidente.
O aviso do ICE fez parte do processo padrão de compras federais. Os registros de contratações federais mostram que nenhum contrato foi concedido ainda e, como o aviso era um “Pedido de Informações” (Request For Information – RFI) em vez de uma licitação formal, não há registro público que mostre quais fornecedores, se houver, responderam.
A Axon não respondeu aos pedidos de comentários sobre se discutiu a potencial compra de Tasers com funcionários do ICE, do DHS (Departamento de Segurança Interna) ou da Casa Branca antes de o ICE publicar o aviso de 24 de fevereiro.
O momento do aviso levanta questionamentos para especialistas em ética e três especialistas em policiamento, em parte devido à sua proximidade com a compra de ações por Trump.
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O presidente também estava cumprindo sua promessa de decretar deportações em massa. A compra de Trump em 10 de fevereiro ocorreu semanas após agentes federais em Minneapolis balearem e matarem dois cidadãos americanos que protestavam contra a repressão à imigração na cidade. Defensores dos direitos civis condenaram as mortes dos manifestantes como um abuso de poder das forças de segurança.
“O que aconteceu [em Minneapolis] mostrou como os agentes do ICE têm um trabalho difícil”, disse Deborah Fleischaker, ex-chefe de gabinete interina do ICE durante o governo Biden. “A agência tem a responsabilidade de garantir que eles tenham ferramentas modernas e treinamento adequados, mas é vital que novas compras sejam feitas pelos motivos certos.”
Fleischaker, agora consultora sênior de política e estratégia de imigração na UnidosUS, disse que o momento “acende alertas”, embora tenha advertido que é impossível avaliar a partir dos registros públicos se algo impróprio ocorreu. A UnidosUS é uma organização de direitos civis hispânica, sem fins lucrativos e apartidária.
“Não é inteligente comprar ações de uma empresa que seria impactada pelas decisões que você tomaria na agência”, disse Fleischaker. “Eu teria ficado muito, muito longe de uma impropriedade real, ou mesmo da aparência de impropriedade.”
Especialistas em ética disseram que a preocupação não é a prova de irregularidades, mas a aparência de um conflito.
“A preocupação é que [Trump] investiu em uma empresa cujos negócios poderiam crescer se o seu próprio governo expandisse a fiscalização da imigração”, disse Jordan Libowitz, vice-presidente de comunicações do Citizens for Responsibility and Ethics in Washington (CREW), à CNBC. O CREW é um grupo de fiscalização de ética governamental progressista e apartidário.
As ações da Axon subiram mais de 22% no mês seguinte à compra de Trump, antes de reduzirem esses ganhos. Até o fechamento de 26 de junho, as ações subiam cerca de 7% em relação à data de compra. Se Trump comprou próximo ao valor máximo da faixa declarada, o ganho potencial no papel poderia ser de aproximadamente US$ 350.000 no fechamento do mercado em 26 de junho. Na semana seguinte ao aviso do ICE buscando o contrato, as ações da empresa subiram mais de 34%.
O ICE e sua agência controladora, o Departamento de Segurança Interna (DHS), não responderam aos pedidos de comentários. A CNBC perguntou às agências se a compra já havia sido concedida, por que o ICE busca uma expansão tão grande, quantos fornecedores manifestaram interesse, se alguma outra empresa além da Axon conseguiria atender aos requisitos e se o acordo exige a aprovação do secretário do DHS.
Uma pessoa familiarizada com o processo de contratação, que falou sob condição de anonimato por medo de retaliação ao discutir o aviso pendente do ICE, disse que a concessão do contrato do Taser parece estar travada devido ao seu preço elevado e a uma reestruturação na liderança do DHS.
A fonte disse que o ICE publicou o aviso do contrato cerca de uma semana antes de a então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ser demitida e antes de ela ter assinado o documento. Sob a gestão de Noem, as regras do DHS exigiam que gastos acima de US$ 100.000 fossem aprovados pessoalmente pelo gabinete da secretaria. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, cancelou a regra em abril.
Não está claro qual é o cronograma para a concessão do contrato, mas a pessoa familiarizada com o processo disse que a expectativa é de que o DHS continue buscando o acordo.
Para a Axon, o retorno financeiro pode não parar nos Tasers.
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Siga o Times | CNBCO maior motor de crescimento da empresa de cerca de US$ 35 bilhões é a infraestrutura de policiamento que costuma acompanhar as compras de armas: armazenamento em nuvem, sistemas de gestão de evidências, câmeras corporais, ferramentas de operações em tempo real e produtos de inteligência artificial. Especialistas em policiamento afirmam que pedidos únicos de dispositivos podem se transformar em um relacionamento tecnológico de longo prazo.
“Se Trump expandir o ICE, a Axon poderá vender a infraestrutura por trás dessa repressão”, disse Matthew Guariglia, analista sênior de políticas da Electronic Frontier Foundation (EFF) focado em vigilância policial, que já escreveu extensivamente sobre a Axon. “Ela pode vender as câmeras, o armazenamento em nuvem, os softwares e as ferramentas de IA que acompanham uma máquina de fiscalização federal maior.” O grupo sem fins lucrativos defende a privacidade e a liberdade de expressão online.
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A Axon já possui um contrato de softwares e câmeras corporais de US$ 370 milhões com o DHS concedido em 2023, embora apenas cerca de US$ 67,5 milhões tenham sido efetivamente empenhados até agora, de acordo com a HigherGov, uma plataforma de inteligência de mercado governamental que rastreia contratos e subsídios federais.
O potencial acordo de Tasers com o ICE chegaria em um momento em que a Axon já vive uma demanda recorde. A empresa registrou seus dois trimestres de maior receita na história: US$ 796,7 milhões no quarto trimestre de 2025 (alta de 39% em relação ao ano anterior) e US$ 807,3 mi no primeiro trimestre de 2026 (alta de 34%), impulsionados pelas vendas de Tasers e produtos de IA em rápido crescimento.
Os executivos da Axon disseram aos investidores em fevereiro que os contratos com o DHS são uma “grande oportunidade”.
A Axon vem reforçando sua equipe para buscar essa abertura. Em uma teleconferência de resultados em 6 de maio, o presidente da Axon, Joshua Isner, disse que a empresa tinha “reconstruído uma grande parte” de sua equipe federal e contratado Claudia Davidson, vinda da Palantir, onde passou mais de sete anos ajudando a expandir os negócios da empreiteira de defesa e análise de dados com agências federais.
“Estamos vendo um interesse renovado em câmeras corporais e Tasers nas forças de segurança federais”, disse Isner aos investidores, acrescentando que os negócios federais da Axon estavam “andando muito na direção certa” e que, “com algumas coisas correndo a nosso favor, este pode ser um ano histórico no setor federal”.
No entanto, defensores das liberdades civis alertam que o ICE está se aprofundando no ecossistema de vigilância da Axon.
O software da Axon funciona combinando transmissões ao vivo de câmeras corporais, drones, câmeras fixas e outras fontes. Se o ICE expandir as batidas policiais e trabalhar de forma mais próxima com as polícias estaduais e locais, os defensores alertam que esse tipo de sistema poderia dar aos agentes federais um mapa em tempo real das operações locais.
“Se eles conseguirem se conectar a câmeras Ring, transmissões ao vivo, câmeras corporais e outras transmissões locais, de repente não estamos falando apenas sobre a segurança ou responsabilidade do policial”, disse Guariglia. “Estamos falando de uma plataforma que poderia dar às forças de segurança federais uma imagem em tempo real de onde as pessoas estão, o que está acontecendo no terreno e como responder com precisão cirúrgica local.”
A Axon anunciou uma parceria com a Ring em 2025 que permite aos usuários da Ring compartilharem voluntariamente filmagens com as forças de segurança através da plataforma de evidências da Axon. Separadamente, a plataforma Fusus da Axon agrega câmeras comunitárias compartilhadas, câmeras corporais, drones e outras transmissões em um mapa em tempo real.
Fleischaker disse que a proposta de expansão do uso de Tasers por meio do contrato com o DHS parece consistente com a agenda de imigração mais ampla do governo Trump.
“Isso indica o que já sabemos de outras frentes: que o governo Trump aumentou e continuará aumentando a fiscalização da imigração para níveis que nunca vimos antes”, disse Fleischaker. “Isso exige muitas e muitas ações de fiscalização, e eles estariam adquirindo Tasers para fazer parte desse esforço.”
A estratégia de crescimento da Axon também levou a empresa a aumentar seus gastos em Washington.
A Axon gastou quase US$ 2,5 milhões em lobby no ano passado, seu maior total anual histórico, de acordo com a OpenSecrets, uma organização sem fins lucrativos que rastreia gastos políticos. Seus alvos incluíam legislações e regulamentações em torno de câmeras corporais, tecnologia contra drones, gestão de evidências digitais e outros produtos de aplicação da lei que a empresa está empurrando para as agências federais.
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E esse esforço parece estar ganhando terreno. O Congresso propôs uma dotação orçamentária de US$ 20 milhões nas verbas do DHS exigindo que a agência equipe os agentes de imigração com câmeras corporais, em parte devido ao forte lobby da Axon, dizem especialistas em policiamento.
Os democratas também aderiram ao esforço. Os senadores Ruben Gallego e Mark Kelly, ambos democratas do Arizona, apresentaram uma legislação exigindo que todos os oficiais do DHS usem câmeras corporais. O projeto não tem apoio republicano, tornando improvável seu avanço no Senado controlado pelos republicanos.
Doadores ligados à Axon, sediada em Scottsdale, Arizona, doaram mais de US$ 20.000 para Gallego durante o ciclo eleitoral de 2024, quando ele concorreu ao Senado, segundo a OpenSecrets.
Gallego e Kelly, que defenderam publicamente as exigências de câmeras corporais e regras de uso da força para o ICE, não responderam aos pedidos de comentários sobre a posição da Axon como provável beneficiária das obrigatoriedades de câmeras corporais.
No Capitólio, os democratas têm pedido câmeras corporais como uma medida de transparência e prestação de contas, e também como uma moeda de troca política com os republicanos. Para a Axon, elas são o produto de entrada, dizem analistas de policiamento, para vincular os agentes federais ao seu sistema de armazenamento em nuvem, software de evidências e ferramentas de IA.
“As câmeras corporais podem criar um relacionamento tecnológico duradouro com as agências de segurança porque as filmagens precisam ser armazenadas, gerenciadas, analisadas e integradas em sistemas de evidências mais amplos”, disse Guariglia.
Os gastos políticos da Axon também atraíram a atenção dos acionistas.
A Fundação Nathan Cummings processou a Axon em janeiro para impedir que a empresa excluísse uma proposta de acionistas que buscava maior transparência sobre seus gastos políticos.
“Desde que Trump assumiu o cargo, a Axon gastou quantias enormes de dinheiro na política para angariar favores e apoiar contratos e leis que beneficiam a empresa”, disse à CNBC Richard Kirby, ex-advogado da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) que representou a fundação no processo contra a Axon, que foi fechado em um acordo no dia 9 de março. “É exatamente por isso que os investidores precisam de transparência.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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