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Dívida pública desafia Lula e Flávio e dificulta queda dos juros no Brasil

Publicado 08/10/2026 • 16:28 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Dívida pública próxima de 83% do PIB será um dos principais desafios econômicos do próximo governo, segundo Luccas Saqueto, da GO Associados.
  • Economista avalia que Flávio Bolsonaro sinaliza cortes mais profundos, enquanto Lula demonstra maior tolerância com o crescimento dos gastos públicos.
  • Juros elevados, crédito restrito e dificuldades financeiras das empresas reforçam a necessidade de medidas para controlar o endividamento do país.

O avanço da dívida pública brasileira, que já se aproxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), será um dos maiores obstáculos para o próximo presidente, independentemente do resultado do segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), avaliou Luccas Saqueto, economista da GO Associados, em entrevista nesta quinta-feira (8) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, o desequilíbrio fiscal contribui para manter os juros elevados e agrava as dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas.

“Hoje, independentemente de qual candidato ganhe, ele vai assumir o que a gente pode dizer que é um problema. O principal, eu diria, um dos principais, é a questão do crescimento da dívida pública”, alertou o economista.

Saqueto destacou que o endividamento brasileiro continua aumentando, apesar da adoção do arcabouço fiscal, mecanismo criado para estabelecer limites à expansão das despesas públicas. Para ele, a trajetória da dívida demonstra que as regras atuais não foram suficientes para estabilizar as contas do governo.

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“A dívida pública hoje em relação ao PIB é de quase 83% e ela tem crescido ao longo dos anos, mesmo com o arcabouço fiscal”, observou.

Dívida elevada pressiona juros e empresas

O economista explicou que o crescimento da dívida aumenta a percepção de risco dos investidores e, consequentemente, o custo de financiamento do governo. Esse movimento também afeta as taxas cobradas de empresas e consumidores, dificultando investimentos e a expansão da atividade econômica.

“Quanto maior a dívida pública, quanto maior o risco de o governo gastar além daquilo que vai conseguir honrar, mais alta é a remuneração para o empréstimo”, explicou Saqueto.

Com a Selic em 13,75% ao ano, o custo do crédito permanece elevado, mesmo diante da perspectiva de novos cortes da taxa básica. Segundo o entrevistado, as empresas enfrentam condições ainda mais difíceis porque os juros efetivamente cobrados pelas instituições financeiras superam a taxa definida pelo Banco Central.

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“O juro sobe, o juro real sobe e a gente vê as dificuldades na economia. O juro que as empresas pagam para contratar empréstimos, para fazer investimento, é muito maior”, ressaltou.

Flávio Bolsonaro sinaliza cortes mais profundos

Ao analisar as propostas econômicas dos candidatos, Saqueto identificou diferenças importantes entre as estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro. Ele ponderou, entretanto, que o debate eleitoral ainda não apresentou respostas suficientemente detalhadas para o problema fiscal.

“A discussão eleitoral, infelizmente, pelo menos no primeiro turno, não teve o espaço que deveria. Deve ser em torno de como a gente resolve esse problema, como a gente reduz ou pelo menos contém a alta da dívida pública”, avaliou.

No caso de Flávio Bolsonaro, o economista mencionou a sinalização de um corte expressivo de despesas. Embora a campanha tenha negado estimativas divulgadas sobre o plano, o valor de R$ 250 bilhões chegou a ser mencionado nas discussões sobre um eventual ajuste.

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A dificuldade, conforme Saqueto, está na estrutura do Orçamento federal. Aproximadamente 93% das despesas são obrigatórias, o que limita o espaço disponível para reduções sem mudanças nas regras de gastos. “Vai ter que mexer ali em algumas situações, como, por exemplo, as emendas parlamentares”, ponderou o economista, destacando a necessidade de negociação com o Congresso Nacional.

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Mesmo com uma eventual base parlamentar favorável, Saqueto considera que a implementação de um ajuste dessa dimensão enfrentaria resistência política.“Apesar de ter ali uma vantagem bastante grande no Congresso Nacional, o diálogo de um possível governo Flávio Bolsonaro com o Congresso vai ser bastante difícil”, projetou.

Lula aposta no aumento das receitas

Em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Saqueto apontou uma estratégia mais concentrada na arrecadação, com menor disposição para promover cortes significativos nas despesas. “O Lula, por outro lado, a ênfase é numa aposta de aumento das receitas e no controle dos gastos de um jeito mais sutil. A gente não vê uma perspectiva de corte de gastos, por exemplo”, analisou.

Para o economista, essa abordagem sugere maior tolerância ao crescimento da dívida pública, enquanto Flávio sinaliza uma tentativa de ajuste fiscal mais intenso. “O Flávio apresenta, de um lado, uma proposta de um ajuste mais incisivo e o Lula, um ajuste mais tímido”, comparou Saqueto.

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O entrevistado evitou classificar uma das estratégias como superior à outra, mas destacou que as diferenças entre os projetos econômicos precisam ser consideradas pelos eleitores, especialmente diante do impacto das contas públicas sobre os juros.

Controle fiscal pode ajudar a reduzir juros

Saqueto também relacionou a situação fiscal ao desafio de reduzir a taxa básica de juros. Embora a Selic seja definida pelo Banco Central, e não diretamente pelo presidente da República, as condições das contas públicas influenciam a percepção de risco e o ambiente econômico.

O economista destacou que os juros reais brasileiros permanecem entre os mais elevados do mundo, situação que prejudica a capacidade de investimento das empresas e aumenta o custo de financiamento da dívida.

Na avaliação de Saqueto, conter o crescimento do endividamento público é uma condição importante para melhorar as perspectivas de juros e crédito. O desafio será transformar as propostas apresentadas durante a campanha em medidas capazes de produzir resultados concretos.

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“A gente vê esse problema. A discussão deve ser em torno de como a gente resolve, como reduz ou pelo menos contém a alta da dívida pública. Com isso, a gente vai ver o impacto nos juros e, consequentemente, as empresas ficam numa situação um pouco melhor”, concluiu.

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