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Agro pesa quase 30% no PIB, mas recebe menos de 5% do venture capital, diz CEO da Philos Invest
Publicado 23/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 4 meses
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Publicado 23/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 4 meses
KEY POINTS
O agronegócio brasileiro tem peso próximo de 30% no PIB, mas recebe menos de 5% do capital de risco disponível, afirmou Rafael Marques, CEO e sócio da Philos Invest.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Marques disse que o setor ainda é subinvestido em inovação, apesar de sua relevância econômica e do potencial de ganho de produtividade com tecnologia.
“O agro hoje representa quase 30% do PIB, e o capital destinado para capital de risco é menos de 5%”, afirmou.
Segundo ele, os juros altos ajudam a explicar parte da baixa alocação em inovação. Com taxas em torno de 14% a 15%, investidores tendem a preferir renda fixa. Ainda assim, Marques afirmou que momentos como esse reforçam teses de longo prazo.
“São nesses momentos que as teses de longo prazo se reforçam”, disse. “A gente acha que o agro entra agora num ciclo um pouco mais longo de tese, e esse ciclo tende a acelerar com a tecnologia.”
Marques afirmou que a agricultura brasileira cresceu durante muito tempo apoiada no conhecimento tradicional do produtor, mas entrou em uma nova fase com o avanço das agtechs.
Segundo ele, essas empresas aplicam tecnologia ao campo para elevar produtividade, reduzir custos e melhorar a eficiência das operações.
“A tecnologia está deixando mais eficiente a busca por produtividade”, afirmou.
O executivo disse que o Brasil produz muito, mas ainda precisa melhorar a eficiência para reduzir custos. É nesse espaço que entram soluções de inteligência artificial, robótica, drones e gestão de dados.
A Philos Invest vê o Centro-Oeste, especialmente Mato Grosso do Sul, como uma região com potencial para se tornar referência global em tecnologia voltada ao agronegócio.
Marques afirmou que indicadores de inovação, crescimento e exportação mostram a força da região dentro da agricultura brasileira.
“O Mato Grosso do Sul era esse coração do agro da agricultura brasileira”, disse. “Se hoje a gente exporta muito, por que não exportar tecnologia também?”
Segundo ele, o país já tem agtechs relevantes, inclusive empresas que alcançaram status de unicórnio, mas ainda está abaixo do potencial quando comparado a outros mercados.
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Siga o Times | CNBCMarques afirmou que inteligência artificial e robótica já estão mudando a gestão das fazendas, especialmente em áreas como pecuária de precisão, rastreabilidade e análise de dados.
Ele citou como exemplo o acompanhamento do gado desde o nascimento até a fase de corte, com dados capazes de agregar valor em negociações internacionais.
“Quanto mais rastreável o dado é, mais você pode dar valor agregado para essa relação futura”, afirmou.
O executivo também destacou o uso de drones para reduzir custos no campo. Em vez de aplicar defensivos em uma área inteira, produtores conseguem identificar pontos específicos com ervas daninhas e atuar apenas onde há problema.
“Isso já é uma redução de custo, uma melhoria de produtividade e você é mais assertivo na ponta final”, disse.
Segundo Marques, ainda há resistência de parte dos produtores mais tradicionais, mas a entrada de uma nova geração no comando das propriedades rurais tende a acelerar a adoção de tecnologia.
“Estamos passando por um movimento de transição”, afirmou. “Quando você vê a nova geração entrando, é uma geração mais tecnológica.”
Para ele, essa mudança geracional coincide com um momento de maior maturidade das soluções digitais para o campo.
Marques afirmou que a Philos Invest trabalha em duas frentes: um fundo de venture capital voltado ao agro e o AgroValley MS, plataforma de inovação criada para conectar capital de risco, produtores rurais, universidades e a população local.
Segundo ele, a proposta é apoiar empresas de tecnologia voltadas ao agronegócio e acelerar a adoção dessas soluções no campo.
“Se a gente olhar daqui para os próximos dez anos, vai falar que a tecnologia no agro será a grande mudança dentro do Brasil”, afirmou.
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