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Agro

Empresas do agro precisam adaptar estratégia diante do risco de um super El Niño

Publicado 28/07/2026 • 17:55 | Atualizado há 41 minutos

KEY POINTS

  • Mudanças no clima exigem revisão de calendários de plantio, colheita e gestão de riscos.
  • Especialista afirma que bancos já diferenciam condições de crédito conforme o preparo dos produtores.
  • Embora haja riscos para a safra, algumas culturas podem ser favorecidas pelas alterações climáticas.

A possibilidade de um novo super El Niño deve obrigar empresas do agronegócio a rever estratégias e planos de produção, afirmou Ana Luci Grizzi, especialista em riscos climáticos e adaptação corporativa, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (28). Segundo ela, as mudanças previstas no regime de chuvas e nas temperaturas exigem adaptações imediatas para reduzir perdas no campo.

“Sem dúvida nenhuma altera, porque a gente tem uma expectativa de temperaturas médias mais altas do que as usuais, secas na Região Norte, maiores volumes de chuva na Região Sul e impactos também para o Centro-Oeste. Eu preciso adaptar meus períodos de colheita e entender como vou lidar com as safras diante dessas mudanças de temperatura”, afirmou.

Após perdas superiores a R$ 200 bilhões provocadas pelas mudanças climáticas no agronegócio brasileiro, a especialista avalia que o planejamento passou a depender cada vez mais de informações técnicas e projeções climáticas para reduzir riscos e preservar a produtividade.

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Impactos variam conforme a região

Segundo Ana Luci, os efeitos esperados de um novo evento climático já estão mapeados por estudos científicos e permitem que produtores se preparem com antecedência.

“Hoje temos relatórios técnicos que mostram, por região, quais são os impactos mais prováveis e quando eles devem acontecer. Na Região Norte, por exemplo, esperamos uma seca significativa, que pode comprometer a logística fluvial. No Sul, o aumento das chuvas deve afetar culturas que estarão em período de colheita entre julho e fevereiro”, explicou.

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Ela ressaltou que o desafio deixou de ser apenas prever o fenômeno e passou a ser incorporar essas informações ao gerenciamento de riscos das empresas.

“Já é possível saber onde e quando o El Niño tende a causar impactos. Isso significa que o gerenciamento de risco precisa ser adaptado com base em dados técnicos e científicos que já estão disponíveis”, disse.

Centro-Oeste pode ter riscos e oportunidades

Para a principal região produtora de grãos do país, Ana Luci prevê ondas de calor mais frequentes, redução da umidade e possíveis reflexos sobre o início da próxima safra.

“No Centro-Oeste podemos esperar ondas de calor mais intensas, baixa umidade e impactos na estação chuvosa, o que traz riscos para a recuperação dos reservatórios e para o início da safra”, afirmou.

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Ao mesmo tempo, ela avalia que algumas culturas podem se beneficiar desse cenário. “Além da soja, podemos ter boas perspectivas para o café em algumas regiões e também para a segunda safra de milho, que pode ser favorecida pelo prolongamento do calor”, destacou.

Crédito já incorpora risco climático

A especialista afirmou que instituições financeiras passaram a avaliar o nível de preparação dos produtores antes de definir condições de financiamento.

“O sistema financeiro já apresenta uma precificação diferente. Bancos e mercado de capitais passaram a solicitar informações sobre planos de mitigação e adaptação antes de conceder crédito”, explicou.

Segundo ela, produtores que demonstrarem planejamento tendem a obter melhores condições.

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“A expectativa é que aqueles que já tenham elaborado seus planos de mitigação consigam acessar taxas de juros menores, justamente porque oferecem menos risco quando esses eventos climáticos se concretizam”, afirmou.

Planejamento reduz impactos

Para Ana Luci, empresas do agronegócio precisam transformar as projeções climáticas em decisões estratégicas dentro de suas operações.

“O primeiro passo é entender exatamente onde a operação está localizada e quais impactos são esperados para aquela região. Depois, essas informações precisam entrar na matriz de risco da empresa para definir planos A, B, C e D caso o cenário previsto realmente aconteça”, explicou.

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Ela citou como referência estudos produzidos por órgãos como o Cemaden e o Inmet, que permitem elaborar planos de contingência com base em dados oficiais.

Ao avaliar os impactos para as próximas safras, a especialista afirmou que o cenário exige cautela, mas não é composto apenas por perdas.

“A expectativa é de impactos sobre o tamanho da safra, e alguns indicadores mostram que isso já está acontecendo. Mas também existem oportunidades. Algumas culturas podem ser beneficiadas pelas mudanças de temperatura. Ao mesmo tempo em que há riscos, também há oportunidades para quem souber gerenciá-los”, concluiu.

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