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Cecafé vê risco comercial em investigação dos EUA e defende acordo bilateral para evitar tarifas
Publicado 02/06/2026 • 09:21 | Atualizado há 10 minutos
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Publicado 02/06/2026 • 09:21 | Atualizado há 10 minutos
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Setores brasileiros podem ser afetado por tarifas de até 25% sobre produtos, incluindo café solúvel e derivados. O café verde foi poupado.
O setor cafeeiro brasileiro acompanha com preocupação os desdobramentos da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos, que pode resultar na aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, incluindo café solúvel e derivados. Apesar de o café verde, responsável por cerca de 90% das exportações brasileiras para o mercado americano, estar na lista de exceções, representantes do setor defendem a ampliação do diálogo entre os dois países para evitar impactos sobre o comércio.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que o café solúvel permanece em situação delicada. Segundo ele, o produto já enfrentava uma tarifa de 10%, que poderia subir para 15%, mas agora pode ser elevada para 25% no âmbito da chamada investigação 301. “O café solúvel segue taxado. Ele nunca entrou na lista de exceção e agora, com essa investigação, pode enfrentar uma tarifa de 25%”, disse.
Matos ressaltou que o setor enfrenta desafios paralelos, entre eles uma denúncia relacionada a trabalho forçado, apresentada por uma organização não governamental internacional às autoridades americanas. Segundo ele, o Cecafé atua em conjunto com a National Coffee Association para apresentar informações durante a fase de consultas públicas da investigação.
“Abre-se uma oportunidade de diálogo, e o Brasil precisa estar presente. Temos que participar das audiências e apresentar os documentos necessários para defender o setor”, afirmou.
Leia também: Safra recorde de café deve impulsionar exportações brasileiras em 2026, diz Cecafé
Além das questões trabalhistas, o relatório americano também cita preocupações relacionadas ao desmatamento. O documento reconhece esforços de setores como o café, mas argumenta que o Brasil ainda falha no combate sistêmico ao desmatamento ilegal.
Para Matos, o país precisa reforçar sua comunicação e demonstrar os avanços realizados nos últimos anos. “Os Estados Unidos usam suas ferramentas para aplicar restrições comerciais. O que o Brasil precisa fazer é mostrar seus compromissos e os resultados obtidos no combate às ilegalidades”, afirmou.
Segundo Matos, temas ambientais e sociais têm sido cada vez mais utilizados como instrumentos de restrição comercial. “Questões sociais e ambientais permeiam as barreiras não tarifárias. Esse é o mundo geopolítico complexo em que estamos inseridos e precisamos saber navegar diante de uma complexidade como essa”, afirmou.
Leia também: Seção 301: entenda a investigação dos EUA que propõe nova taxação contra o Brasil
Matos questionou as motivações por trás das críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil: “A gente sabe que o último interesse numa discussão como essa é a proteção florestal. A discussão é justamente as tarifas”, declarou.
Ele também afirmou que denúncias trabalhistas utilizadas em disputas comerciais não refletem necessariamente uma preocupação genuína com os trabalhadores brasileiros. “A questão é totalmente comercial”, disse.
O diretor-geral defendeu que o Brasil contextualize melhor os dados divulgados sobre irregularidades no campo. Segundo ele, uma comunicação inadequada pode acabar fortalecendo argumentos utilizados para impor barreiras ao comércio brasileiro.
Leia também: Consumo de café volta a crescer no Brasil com queda dos preços nos supermercados
Matos também revelou que as exportações brasileiras de café para os Estados Unidos registraram retração de 41% entre janeiro e abril deste ano. Na avaliação dele, parte desse movimento está relacionada à expectativa dos compradores americanos pela entrada da nova safra brasileira no mercado.
“Os Estados Unidos estão aguardando a nova safra do Brasil, que começou a ser colhida recentemente. Teremos mais volume disponível e precisamos garantir condições para comercializar essa produção”, afirmou.
Ele destacou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde, o que torna ainda mais importante a manutenção do acesso ao mercado americano.
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Seguir no Google“Precisamos ter as condições necessárias para comercializar uma safra recorde”, disse.
Leia também: Seminário do Café: Brasil deve colher maior safra da história, diz vice-presidente da Associação Comercial de Santos
Apesar das incertezas, o Cecafé avalia que ainda existe espaço para uma solução negociada antes da implementação das novas tarifas: “Nós precisamos de um ambiente de negociação, não de tensão. O caminho é um acordo bilateral entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Matos.
Segundo ele, um acordo bilateral e a formalização mitigam riscos, e o governo brasileiro deverá avaliar possíveis concessões em áreas específicas para ampliar o entendimento entre os dois países. Matos avalia que o país terá que sentar à mesa e entender quais contrapartidas pode oferecer para avançar nas negociações e mitigar riscos.
O executivo também defendeu uma participação ativa do Brasil nas audiências públicas da investigação comercial em Washington. “Temos que estar presentes. O governo, as entidades e também os parceiros norte-americanos que defendem o Brasil precisam participar. É ali que surgem as melhores oportunidades para construir mecanismos de negociação”, afirmou.
Leia mais: EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil após concluir investigação
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