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Safra recorde de café deve impulsionar exportações brasileiras em 2026, diz Cecafé
Publicado 25/05/2026 • 11:21 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 25/05/2026 • 11:21 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
A expectativa de uma safra robusta em 2026 deve ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado internacional de café após um período marcado por restrições de oferta e queda nas exportações. Em entrevista nesta segunda-feira (25) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, afirmou que o setor vive um cenário muito diferente do observado nos últimos anos, marcados por eventos climáticos severos.
Segundo ele, a projeção atual da Conab aponta para uma safra de 66,7 milhões de sacas, enquanto parte do mercado trabalha com estimativas entre 70 milhões e 73 milhões de sacas. “Nós vamos ter uma ótima safra de café arábica, provavelmente recorde”, afirmou.
Matos destacou que o setor ainda sente os efeitos da geada de 2021 e das ondas de calor registradas em 2022 e 2023, que afetaram a fisiologia das lavouras de café arábica e comprometeram a recuperação da produção ao longo dos últimos anos.
Leia também: Consumo de café volta a crescer no Brasil com queda dos preços nos supermercados
Segundo ele, os impactos climáticos alteraram inclusive a lógica tradicional da bienalidade do café, em que anos de alta produtividade costumam ser seguidos por ciclos de menor produção. “Levamos muito tempo para chegar agora na safra 26 com uma safra recorde comparável à safra 2020”, afirmou.
O executivo explicou que o setor passou vários anos convivendo com perdas produtivas provocadas por temperaturas extremas, o que interrompeu o comportamento histórico das lavouras. “A gente passou muitos anos sofrendo os impactos climáticos que mexem em toda a lógica da fisiologia da planta”, disse.
Apesar da perspectiva positiva para a nova safra, o setor registrou queda nas exportações no início deste ano. De acordo com Matos, os embarques entre janeiro e abril recuaram em meio à menor disponibilidade de café arábica no mercado brasileiro.
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Ele afirmou que produtores de café conilon, mais capitalizados, optaram por reter parte dos estoques à espera de condições mais favoráveis de preços. “O produtor capitalizado optou por não participar do mercado”, afirmou.
Segundo o diretor do Cecafé, essa estratégia pode abrir espaço para concorrentes internacionais ampliarem presença nos blends consumidos globalmente. “O Brasil precisa participar do mercado, estar em todos os blends. A gente não pode deixar as outras origens ocuparem o espaço”, disse.
Na avaliação do executivo, o aumento da oferta brasileira tende a aliviar os picos recentes de preços observados no mercado internacional do café. Ainda assim, ele afirmou que os valores atuais seguem remunerando o produtor brasileiro.
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“Nós temos preços que remuneram o cafeicultor brasileiro hoje”, declarou. Segundo ele, o aumento da produção exige maior planejamento financeiro por parte dos produtores diante de um cenário potencialmente menos pressionado nos preços.
Matos também afirmou que, apesar da expectativa de crescimento da produção mundial de café em 2025/26, o consumo global continua aquecido. Segundo ele, o mundo consome atualmente cerca de 180 milhões de sacas por ano, enquanto os estoques seguem em níveis considerados baixos após quatro anos consecutivos de déficit global.
“Seriam necessárias mais safras boas brasileiras para dar um suporte melhor”, afirmou.
O diretor do Cecafé também comentou os impactos das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio sobre a cadeia global do café. Segundo ele, fatores como petróleo, frete marítimo, logística e fertilizantes afetam diretamente o setor.
Apesar disso, Matos afirmou que parte importante dos países da região ampliou as compras de café brasileiro neste ano. Segundo ele, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Egito, Israel e Líbano registraram crescimento nas importações do produto brasileiro.
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