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China alivia regra sobre ervas daninhas na soja do Brasil e destrava exportações
Publicado 21/03/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 21/03/2026 • 21:00 | Atualizado há 2 horas
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Autoridades chinesas concordaram em abandonar a política de tolerância zero para a presença de ervas daninhas em cargas retidas nos portos após o cancelamento de embarques pela Cargill.
Autoridades chinesas concordaram em abandonar a política de tolerância zero para a presença de ervas daninhas em cargas de soja retidas nos portos após o cancelamento de embarques pela Cargill. Com isso, passa a ser possível certificar e liberar os navios, embora a medida ainda dependa de avanços nas negociações bilaterais.
A devolução de cerca de 20 navios com soja brasileira, por conterem sementes de plantas consideradas proibidas pela legislação chinesa, levou Pequim a flexibilizar suas exigências sanitárias. A decisão, registrada em documento da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e divulgado nesta sexta-feira (20) no Sistema Eletrônico de Informações, marca o fim do critério de tolerância zero que vinha travando parte das exportações.
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Segundo especialistas, a mudança traz alívio ao setor exportador em um momento sensível. A China responde por aproximadamente 80% das compras de soja do Brasil, e o endurecimento das inspeções gerou impactos em cadeia, incluindo o cancelamento de embarques por parte da Cargill, uma das maiores tradings globais.
Com a nova diretriz, o governo brasileiro passou a autorizar a certificação de cargas mesmo com a identificação de ervas daninhas em análises laboratoriais, o que tende a destravar os navios retidos e restabelecer o fluxo comercial nos próximos dias.
Nos últimos dias, cerca de 20 embarcações foram devolvidas pela China por transportarem soja com sementes de plantas proibidas. O órgão chinês responsável pela fiscalização, o GACC, já havia alertado o Brasil no fim do ano passado sobre a presença excessiva desses materiais nos carregamentos, mas intensificou a cobrança recentemente.
De acordo com Vicente Zotti, Diretor na Nota Promissória Rural, NRP Agro, principal impacto foi a perda de liquidez no destino, e a dificuldade para obter licenças no Brasil se somou à incerteza no mercado externo sobre prazos de liberação e custos adicionais. “Formou-se praticamente uma “tempestade perfeita”, com alta nos fretes e falta de clareza sobre custos de combustível. Houve aumento de custos tanto para quem compra quanto para quem vende, dependendo da negociação. Tudo isso ocorreu justamente no pico da colheita e da oferta de soja no Brasil”, destacou.
Zotti reforça que é o pior cenário possível para o produtor, com baixa comercialização diante de uma safra recorde. “Há dúvidas sobre preços e volumes no destino, além de entraves logísticos na origem. O contexto geral é de um momento extremamente caótico para o setor.”, conclui.
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Foi nesse ambiente mais restritivo que a Cargill decidiu, em 12 de março, cancelar envios de soja brasileira ao país asiático. A empresa avaliou que seria inviável cumprir a exigência de ausência total de ervas daninhas, já que, conforme o próprio governo brasileiro explicou às autoridades chinesas, não há como garantir completamente essa condição devido às características da produção agrícola.
A mudança de postura da China ocorreu após reunião entre representantes do Ministério da Agricultura e autoridades do país asiático. Na ocasião, o Brasil argumentou que é inviável assegurar a ausência total de sementes de ervas daninhas na soja. Os chineses aceitaram o argumento e concordaram em abandonar a tolerância zero, permitindo a certificação e liberação de cargas mesmo com apontamentos laboratoriais.
Ainda assim, não há definição de um limite numérico oficial para a presença aceitável dessas sementes. Segundo o documento do governo, esse percentual será discutido futuramente em negociações entre os dois países. Até lá, a avaliação seguirá critérios de risco e medidas de mitigação, conforme o destino das cargas. Técnicos do Ministério da Agricultura devem viajar à China na próxima semana para dar continuidade às tratativas.
Para o setor, esse tipo de acordo é visto como solução estrutural para evitar novas crises. Sem regras claras e parâmetros definidos, o comércio entre Brasil e China fica sujeito a interpretações variáveis, influenciadas pelo contexto político e econômico da relação entre os dois países.
Segundo Zotti, a expectativa é de que novas negociações com as autoridades chinesas tragam mais flexibilização e levem a um retorno próximo à normalidade. “Ainda assim, mesmo com a liberação das cargas, a pressão de oferta deve aumentar diante da necessidade de caixa dos produtores, o que tende a manter os preços da soja pressionados pelo menos até o fim de abril.”, terminou.
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