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De olho no operacional da Raízen, Citi vê distribuição de combustíveis como ponto forte

Publicado 30/06/2026 • 13:11 | Atualizado há 39 minutos

KEY POINTS

  • Citi colocou as ações da Raízen em revisão após anúncio de plano de recuperação extrajudicial
  • Distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina teve forte avanço de margem no trimestre
  • Segmento de açúcar e etanol registrou queda de moagem e produtividade agrícola no período

O banco Citi destacou o desempenho da distribuição de combustíveis como um dos poucos pontos positivos dos resultados da Raízen no quarto trimestre do ano fiscal de 2026, em meio a um cenário de forte deterioração financeira da companhia. A instituição colocou as ações RAIZ4 em revisão (Under Review) logo após a Raízen anunciar um plano de recuperação extrajudicial em junho.

A receita líquida da Raízen somou R$ 51,3 bilhões no ano fiscal, queda de 11% em relação ao período anterior. O Ebitda ajustado do trimestre cresceu 46%, para R$ 2,9 bilhões, resultado considerado pelo banco insuficiente para reverter a tendência fraca do ano. O destaque negativo ficou por conta do prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no trimestre, impulsionado por provisões de impairment não caixa que somaram R$ 22,5 bilhões no ano inteiro, relacionadas à não recuperabilidade de alguns ativos e a incertezas sobre a continuidade operacional da companhia.

Leia também: Raízen quase triplica prejuízo para R$ 7,3 bi e vê dívida líquida saltar 70%

Distribuição de combustíveis avança no Brasil e na Argentina

No Brasil, os volumes de distribuição de combustíveis cresceram 8% no trimestre, impulsionados pelo diesel e pelo ciclo Otto, em um mercado mais aquecido e com maior combate a práticas irregulares no setor.

O Ebitda ajustado da divisão avançou 60%, para R$ 1,7 bilhão, com expansão de margem para R$ 246 por metro cúbico, reflexo de um ambiente competitivo mais racional e de um aperto nos estoques domésticos, em meio à redução de importações de combustível e aos efeitos do conflito no Oriente Médio.

Na Argentina, os volumes de vendas cresceram 2% no trimestre, enquanto o Ebitda ajustado avançou 37%, para US$ 160 milhões, beneficiado por margens maiores e por uma menor dependência de fornecimento de terceiros, após a conclusão do projeto de modernização da refinaria local.

Açúcar e etanol seguem pressionados

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Já o segmento de açúcar, etanol e bioenergia (ESB) enfrentou um ano mais difícil. A moagem de cana caiu 10% no período, para 70,5 milhões de toneladas, ou 4% se excluídas as usinas hibernadas, com produtividade agrícola 5% menor em razão de clima adverso.

No trimestre, o volume de vendas de açúcar cresceu 20%, mas os preços médios recuaram 15%. Já o etanol teve queda de 23% no volume vendido, reflexo da menor moagem e de um mix mais açucareiro na safra, com 53% de açúcar contra 50% no ano anterior, ainda que os preços médios tenham avançado 5%. A geração de bioenergia caiu 18% no período.

O custo unitário do segmento, excluindo o modelo Consecana, subiu 8% no ano fiscal, para R$ 1.467 por tonelada, pressionado pela queda de produtividade e por efeitos inflacionários. O Ebitda ajustado do segmento somou R$ 595 milhões no trimestre, alta de 23%, mas fechou o ano em R$ 4,5 bilhões, queda de 24% ante o período anterior.

Endividamento segue como principal preocupação

Apesar da melhora pontual na distribuição de combustíveis e dos esforços da companhia para reduzir investimentos e despesas administrativas, o Citi avalia que o resultado do trimestre permanece fraco, já que a alavancagem elevada e o pagamento de juros continuam consumindo boa parte da melhora operacional.

A dívida líquida da Raízen encerrou o ano em R$ 58,2 bilhões, levando a alavancagem a 5,2 vezes o Ebitda dos últimos doze meses, ante 3,2 vezes no quarto trimestre do ano fiscal anterior e 5,3 vezes no terceiro trimestre deste ano. O fluxo de caixa operacional somou R$ 3,7 bilhões no trimestre, queda de 61%, enquanto os investimentos somaram R$ 2,7 bilhões negativos e o pagamento de juros chegou a R$ 3,7 bilhões negativos, alta de 182%.

Para o Citi, o desempenho operacional passou a ser secundário diante do plano de recuperação extrajudicial recém anunciado pela companhia, que passa a concentrar as atenções do mercado.

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