CNBC

CNBCGM fecha acordo de até US$ 4,5 bilhões para aquisição de peças, visando evitar problemas na cadeia de suprimentos

Agro

Exportações de café devem ganhar força com avanço da colheita e retomada das vendas aos EUA, aponta Cecafé

Publicado 11/08/2026 • 18:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Embarques de café arábica ficaram abaixo do esperado em julho, enquanto variedades conilon e robusta apresentaram desempenho positivo.
  • Vendas aos Estados Unidos retornaram ao patamar de julho de 2025, com cerca de 400 mil sacas embarcadas no mês.
  • Logística e condições climáticas ainda preocupam o setor e podem determinar o ritmo de recuperação das exportações no segundo semestre.

As exportações brasileiras de café devem ganhar força nos próximos meses, impulsionadas pelo avanço da colheita e pela retomada das vendas aos Estados Unidos, avalia Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Em entrevista nesta terça-feira (11) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Matos afirmou que o desempenho dos embarques ainda reflete a menor disponibilidade de café registrada no primeiro semestre, além de problemas climáticos durante a colheita e dificuldades logísticas que vêm afetando o setor.

“No primeiro semestre, nós tivemos uma dificuldade que era a baixa disponibilidade de café diante de uma safra 2025/26 menor para o café arábica. Vem a safra 2026/27, a expectativa de uma safra recorde, mas veio junto um problema climático na colheita. Veio junto um problema logístico que tem se acentuado”, afirmou.

Leia também: Café: chuva ameaça qualidade do arábica e preço do grão brasileiro dispara, aponta Rabobank

Para Matos, a expectativa é de melhora à medida que a nova safra avance e aumente a quantidade de café disponível para exportação. “O que nós esperamos é que nos próximos meses a gente tenha tração”, disse.

Arábica decepciona, enquanto conilon avança

O comportamento das diferentes variedades de café foi desigual em julho. Segundo Matos, os embarques de conilon, robusta e outros canéforas apresentaram desempenho positivo e contribuíram para a recuperação das exportações.

O café arábica, por outro lado, ficou abaixo das expectativas. O Brasil embarcou 1,8 milhão de sacas em julho, ligeiramente abaixo das 2 milhões de sacas registradas em junho.

Leia também: EXCLUSIVO CNBC: safra forte no Brasil não impede café caro no exterior; cafeteiras domésticas ganham espaço

“O arábica, nesse mês de julho, foi de 1,8 milhão de sacas. Foi ligeiramente abaixo de junho, onde foram 2 milhões de sacas. Então, a gente esperava mais, não menos”, afirmou. “Mas quem sabe nos próximos meses a gente tenha essa recuperação”, acrescentou.

Os preços também influenciaram o desempenho financeiro do setor. O ano-safra 2025/26, encerrado em 30 de junho, terminou com preço médio recorde de US$ 379 (R$ 1.959,43) por saca. Em julho, o valor recuou para aproximadamente US$ 280 (R$ 1.447,60).

Apesar da queda, Matos afirmou que o mercado voltou a mostrar reação nas últimas semanas e pode registrar preços mais fortes no fechamento de agosto. “O mercado tem reagido nas últimas duas semanas. Então, é bem provável que, fechando agora agosto, a gente tenha novamente preços fortes”, afirmou.

Leia também: Cafés especiais brasileiros podem gerar US$ 5,5 milhões em negócios no Chile

Na avaliação do diretor-geral do Cecafé, a demanda internacional continua sustentando as cotações, enquanto dificuldades na colheita brasileira restringem a oferta. As condições climáticas permanecem entre os principais riscos, especialmente diante da possibilidade de efeitos do El Niño sobre regiões produtoras.

“O consumo vem firme e forte e o Brasil passa pelas dificuldades da colheita. Somado a isso, temos um El Niño que a gente espera que consiga mandar bem longe das nossas regiões produtoras”, disse.

Estados Unidos voltam ao nível anterior às tarifas

A recuperação das vendas aos Estados Unidos é outro fator que pode favorecer os embarques brasileiros nos próximos meses. Em julho, foram exportadas aproximadamente 400 mil sacas para o mercado norte-americano, volume semelhante ao registrado no mesmo mês de 2025.

Leia também: El Niño já pressiona cacau e café no mercado global e impulsiona grãos na Bolsa de Chicago; Brasil segue bem posicionado

Segundo Matos, o resultado representa um retorno aos níveis observados antes da aplicação das tarifas que atingiram o café brasileiro.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

“No mês de julho, nós conseguimos estar no mesmo patamar de 400 mil sacas exportadas que a gente conseguiu em julho de 2025. Ou seja, pela primeira vez nós temos o mesmo patamar pré-tarifas”, afirmou.

Para o executivo, o avanço da colheita pode impulsionar novos negócios com compradores norte-americanos. “Isso é uma sinalização que, com a tração da colheita, a gente vai ter mais compras, mais contratos sendo feitos com os norte-americanos“, disse.

O Cecafé também espera recuperar, no segundo semestre, parte da queda registrada nas exportações ao longo do ano. Matos, porém, considera que gargalos logísticos e condições climáticas continuarão determinantes para o desempenho até dezembro. “Se na conclusão do ano de 2026 nós estivermos num volume proporcional a 2025, eu acredito que seja uma boa notícia”, avaliou.

Leia também: Vendas de café do Brasil para os EUA caem 36% no primeiro semestre

Segundo ele, uma recuperação dos embarques também permitiria ao país chegar à próxima entressafra com disponibilidade maior do que a registrada no começo deste ano. “A princípio, logística nos preocupa e as questões climáticas também nesse andamento da colheita”, afirmou.

Terremoto na Colômbia entra no radar do setor

O mercado internacional também acompanha as consequências do terremoto que atingiu a Colômbia, um dos principais produtores e exportadores mundiais de café.

Matos afirmou que informações divulgadas pela Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia apontam dificuldades portuárias, mas indicam possibilidade de normalização das operações.

“A gente viu também uma nota da Federação dos Cafeicultores Colombianos, a FNC, que é muito próxima do Cecafé, mencionando dificuldades portuárias, mas com uma previsão de que as coisas se normalizem”, afirmou.

Segundo o diretor-geral do Cecafé, ainda é necessário conhecer a dimensão dos danos antes de estimar possíveis consequências para o comércio mundial de café. “A princípio, a Colômbia tem portos novos, modernizaram as estruturas portuárias. Acredito que o impacto não vai ser tão grande”, disse.

Leia também: Terremoto na Colômbia gera impacto na produção cafeeira e pode abrir espaço para exportadores brasileiros

Matos ponderou que qualquer interrupção adicional ocorre em um momento no qual o mercado já enfrenta elevada volatilidade e o Brasil também convive com problemas de escoamento. “O mercado já está muito volátil. A gente já tem todas essas dificuldades no Brasil, os problemas logísticos no Brasil se acentuaram”, afirmou.

Consumo brasileiro mantém perspectiva positiva

No mercado interno, o Cecafé acompanha os números divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e vê perspectiva favorável para o consumo em 2026.

Segundo Matos, a alta dos preços chegou a transformar o café em um dos itens de pressão sobre a inflação, mas esse movimento posteriormente perdeu força. “Tivemos dificuldades quando o café impactou a inflação, ele era um dos itens que incomodava os números da inflação, depois arrefeceu”, afirmou.

Leia também: Exclusão do café do tarifaço preserva exportações e fortalece setor, diz Abic

O executivo destacou que as vendas ficaram próximas de 22 milhões de sacas no fechamento do período mencionado e vê espaço para expansão com novas formas de consumo da bebida.

Para Matos, tendências relacionadas à saúde e a expansão de bebidas prontas, cafés gelados e cafeterias podem contribuir para sustentar a demanda brasileira. “Com esse item da saúde, das bebidas prontas, geladas, nas cafeterias, juntando tudo isso daí, é bem provável que a gente vá ter números muito positivos para reportar na conclusão de 2026”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Agro