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Agro

Diretor da CNA alerta para risco de redução da área plantada e defende Plano Safra plurianual

Publicado 29/04/2026 • 11:41 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • O agronegócio enfrenta custos elevados, juros altos, crédito mais restrito e endividamento acima da média histórica, em um dos momentos mais críticos para o setor.
  • A CNA propõe um Plano Safra plurianual, de R$ 623 bilhões, com previsibilidade de recursos e prioridade para eixos como logística e irrigação.
  • A alta de mais de 60% da ureia e a dependência externa de fertilizantes podem levar à redução da área plantada ou do pacote tecnológico.

O agronegócio brasileiro enfrenta um dos momentos mais críticos dos últimos anos, com endividamento acima da média histórica, crédito mais restrito, juros elevados e disparada no custo dos fertilizantes, segundo avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A entidade propõe um Plano Safra plurianual, com previsibilidade de recursos e foco em logística e irrigação, para dar segurança ao produtor rural.

A alta da ureia, que já supera 60%, e a dependência externa de fertilizantes acendem alerta para queda da área cultivada e menor produção de grãos na safra 2026/2027.

O agronegócio brasileiro vive um dos períodos mais delicados dos últimos anos, pressionado por custos elevados, juros altos, restrição de crédito e riscos climáticos. A avaliação é de Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), ao defender mudanças estruturais no Plano Safra 2026/2027. “Sem sombra de dúvida, é um dos momentos mais críticos que o setor atravessa”, afirmou em entrevista ao Pré-Market, jornal matutino do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quarta-feira (29).

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Segundo ele, o nível de endividamento preocupa. No crédito livre, o índice gira em torno de 13%. Considerando pessoas físicas e jurídicas, chega a 3,7%, acima da média histórica do setor, que varia entre 1% e 2%. Para a entidade, o cenário exige resposta rápida e planejamento de médio prazo.

Crédito caro e margens apertadas

Lucchi destacou que mudanças regulatórias ampliaram a cautela dos bancos na concessão de crédito, dificultando o acesso a financiamento. Ao mesmo tempo, a taxa Selic elevada encarece operações e reduz a capacidade de investimento dos produtores.

Ele ressaltou ainda que os preços de commodities como soja, milho e arroz, quando corrigidos pela inflação, permanecem próximos aos patamares de 2019, enquanto os custos de produção avançaram de forma mais intensa. “Vivemos margens estreitas e incertezas geopolíticas e climáticas”, pontuou.

Diante desse quadro, a CNA propõe um Plano Safra plurianual, que permita previsibilidade ao setor e reduza decisões tomadas de última hora. Segundo Lucchi, no ciclo anterior o programa foi anunciado apenas em julho, quando já deveria estar em vigor.

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Proposta de R$ 623 bilhões

A proposta apresentada pela entidade prevê R$ 623 bilhões em recursos, montante 53% superior ao volume anunciado no ano passado, desconsiderando a CPR (Cédula de Produto Rural).

A CNA defende que parte dos recursos seja vinculada a eixos estratégicos, como logística e irrigação, dentro dos instrumentos oficiais de planejamento público, como PPA, LDO e LOA. “Isso daria horizonte de médio e longo prazo, evitando contingenciamentos e permitindo melhor organização do produtor”, explicou.

Fertilizantes preocupam para próxima safra

Para a safra 2026/2027, o principal ponto de atenção, segundo o diretor técnico, é o custo dos fertilizantes. A ureia já subiu mais de 60%, movimento associado aos impactos da guerra no mercado internacional.

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Entre abril e junho, produtores costumam iniciar compras para o plantio que começa em setembro e outubro, o que torna o momento decisivo para definição de custos da próxima temporada.

O executivo lembrou que o Brasil importou 92% dos fertilizantes utilizados no país no último ano, o que amplia a vulnerabilidade diante da alta externa e do frete marítimo mais caro.

Se esse patamar se mantiver, pode haver redução da área plantada ou do pacote tecnológico, ou ambos”, alertou. Segundo ele, isso teria impacto direto sobre a produção dos principais grãos brasileiros e sobre a competitividade do setor.

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