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Exportações recordes de carne suína reforçam avanço estratégico do Brasil na Ásia
Publicado 20/05/2026 • 21:15 | Atualizado há 12 minutos
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Publicado 20/05/2026 • 21:15 | Atualizado há 12 minutos
KEY POINTS
O avanço das exportações brasileiras de carne suína para o mercado asiático mostra que o Brasil vem consolidando uma posição estratégica cada vez mais relevante no abastecimento global de alimentos, segundo avaliação de Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente do conselho consultivo da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Em entrevista nesta quarta-feira (20) ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, ele afirmou que o setor atravessa um momento de forte expansão impulsionado principalmente pela demanda da Ásia.
“Houve uma mudança para melhor muito grande no setor como um todo”, disse Turra ao comentar os avanços recentes nas relações comerciais entre Brasil e China. Segundo ele, as negociações conduzidas pelo governo brasileiro em Pequim ajudaram a fortalecer o ambiente diplomático e comercial entre os dois países.
O ex-ministro destacou que a viagem da delegação brasileira liderada pelo ministro da Agricultura, André de Paula, resultou em avanços importantes, incluindo a reabilitação de três plantas brasileiras de carne bovina anteriormente suspensas pelas autoridades chinesas. “Já há um clima muito amistoso”, ressaltou, ao avaliar a relação entre os países.
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Segundo Francisco Turra, a China continua sendo peça central para o crescimento das exportações brasileiras de proteína animal, principalmente pelo tamanho do consumo interno do país asiático.
O executivo lembrou que a China é simultaneamente a maior produtora e a maior consumidora mundial de carne suína, com um rebanho estimado em 55 milhões de toneladas, enquanto o Brasil produz cerca de 5,5 milhões de toneladas. “A distância é grande”, observou, ao comparar os volumes produzidos pelos dois países.
Turra explicou ainda que, diferentemente da carne bovina, o mercado chinês de carne suína não opera com sistema formal de cotas, mas sim por meio da habilitação sanitária das plantas exportadoras. “Não há esse problema de cotas como há para carne bovina”, afirmou. Segundo ele, a China regula o fluxo de importações conforme a necessidade interna do mercado.
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Na avaliação do ex-ministro, o sistema adotado pelos chineses para a carne suína acaba sendo mais flexível e eficiente para o comércio internacional. “O problema de limitação é feito com as plantas habilitadas, mais ou menos de acordo com a necessidade do país”, explicou.
Francisco Turra afirmou que a sanidade animal brasileira continua sendo um dos principais diferenciais competitivos do país nas negociações internacionais, especialmente diante das preocupações globais com doenças que atingem rebanhos em diferentes regiões do mundo.
Segundo ele, autoridades e importadores chineses reconhecem o rigor sanitário brasileiro, fator que deve favorecer novos avanços nas exportações ao longo do ano. “Nós não temos doença de tipo nenhum, peste suína africana clássica não é na região, enfim, o Brasil cuida muito da sanidade”, destacou.
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O ex-ministro ressaltou ainda que os números recentes já mostram aceleração importante da demanda asiática por carne suína brasileira. Segundo ele, as exportações registraram forte crescimento em abril, com destaque para Filipinas, Japão e China. “Abril foi surpreendente o crescimento das exportações de carne suína”, afirmou.
Na visão de Turra, a tendência é que as compras chinesas avancem ainda mais nos próximos meses. “Eu acho que agora ela tende a crescer bem, principalmente nesse período restante do ano”, pontuou, ao comentar a perspectiva para o mercado asiático.
Francisco Turra também avaliou que o Brasil não deve perder participação nas exportações mesmo após os sinais de aproximação comercial entre China e Estados Unidos envolvendo importações de carne.
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Segundo ele, os americanos não possuem disponibilidade suficiente de produção para ampliar significativamente as exportações ao mercado chinês sem comprometer outros destinos comerciais. “Estados Unidos não têm grande disponibilidade de mais oferta para eles”, afirmou.
Na avaliação do ex-ministro, o crescimento da demanda global por alimentos deve favorecer diretamente o agronegócio brasileiro nos próximos anos, especialmente em regiões com estoques reduzidos e necessidade crescente de abastecimento.
“Alimento vai ser a grande pedida do mundo”, ressaltou Turra. Segundo ele, tanto a Ásia quanto o Oriente Médio atravessam um período de estoques baixos e devem ampliar a demanda por proteína animal brasileira.
Ao comentar as perspectivas para o setor, ele afirmou que o Brasil tende não apenas a preservar espaço, mas ampliar participação internacional. “Não vamos perder nada, ao contrário, acho que nós vamos ganhar um pouco”, concluiu.
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