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Safra recorde derruba preço do café e amplia expectativa de alívio ao consumidor

Publicado 02/07/2026 • 12:40 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A perspectiva de uma safra recorde no Brasil é o principal fator por trás da queda de 26,3% do café arábica em Nova York no primeiro semestre.
  • A recuperação da oferta global deve aliviar os preços, mas estoques baixos e riscos climáticos ainda sustentam volatilidade.
  • Produtores brasileiros tendem a manter investimentos, enquanto consumidores podem sentir redução gradual nos preços neste ano.

A expectativa de uma safra recorde de café no Brasil explica a forte queda das cotações internacionais da commodity neste primeiro semestre, afirmou Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, em entrevista nesta quinta-feira (2) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“O principal fator de baixa hoje é a safra brasileira. Estamos caminhando para uma colheita recorde. A nossa estimativa é de 75 milhões de sacas para a safra 2026/27, um avanço de quase 30% em relação ao ciclo anterior. A perspectiva de médio prazo ainda é de queda, desde que esse volume chegue aos mercados consumidores e outras origens também tenham um cenário positivo”, afirmou.

Segundo a especialista, embora as chuvas tenham atrasado parte da colheita e provocado uma recuperação pontual das cotações nas últimas semanas, o cenário predominante continua sendo de maior oferta global e pressão sobre os preços.

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Fim de um ciclo

Laleska explicou que a forte valorização observada nos últimos anos foi resultado de uma combinação de eventos excepcionais, e não de uma tendência estrutural do mercado. “É normal termos ciclos de altas e baixas. O que vimos nos últimos anos, especialmente em 2025, foi uma soma de fatores fora da curva”, afirmou.

Ela lembrou que a geada registrada no Brasil em 2020/21 interrompeu o ciclo de expansão da produção, enquanto problemas climáticos no Vietnã e na Indonésia, entre 2023 e 2024, reduziram significativamente a oferta de café robusta.

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Além disso, a pandemia elevou os juros globais, aumentando o custo financeiro para torrefadores, que passaram a consumir seus estoques. “Essa combinação de produção reduzida e estoques baixos levou os preços a níveis históricos”, explicou.

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Volatilidade continua

Apesar da perspectiva de preços mais baixos, a analista avalia que o mercado ainda deve conviver com volatilidade nos próximos meses.

“O El Niño, ou sua transição, ainda pode afetar a produção de robusta entre outubro e dezembro, enquanto os estoques nos países consumidores ainda não se recuperaram totalmente. Ainda temos desafios antes de voltarmos aos níveis de preços observados antes da pandemia”, disse.

Para o consumidor brasileiro, no entanto, a expectativa é de algum alívio em relação ao ano passado. “Esperamos que os preços recuem em relação ao que vimos em 2025, quando a saca de café ultrapassou R$ 2.000. Ao mesmo tempo, esse cenário ainda deve garantir uma remuneração compatível com os custos de produção dos cafeicultores. Se o clima permitir uma boa safra também em 2027/28, o bolso do consumidor brasileiro também agradecerá”, concluiu.

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