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O retorno do El Niño pode chacoalhar o mercado brasileiro? Veja a análise de especialista

Publicado 02/07/2026 • 12:10 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O avanço do El Niño volta ao centro das atenções do mercado brasileiro no segundo semestre.
  • Além de juros, câmbio e mudanças no comércio internacional, o fenômeno climático aparece entre os fatores que podem alterar preços, produção e decisões.
  • Além da questão climática, a principal preocupação está no agronegócio, que representa uma das maiores bases da economia brasileira.
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Foto: Magnific

El niño pode afetar mercado brasileiro entenda

O avanço do El Niño volta ao centro das atenções do mercado brasileiro no segundo semestre. Além de juros, câmbio e mudanças no comércio internacional, o fenômeno climático aparece entre os fatores que podem alterar preços, produção e decisões de investimento até o fim de 2026.

Com previsão de fortalecimento do fenômeno a partir de julho e possibilidade de atingir intensidade maior a partir de novembro, o evento pode gerar impactos em setores estratégicos como agronegócio, energia e alimentos.

Leia também: El Niño mantém mercado de cacau em alerta mesmo com previsão de superávit

Como o El ninõ pode atingir setores estratégicos?

Além da questão climática, a principal preocupação está no agronegócio, que representa uma das maiores bases da economia brasileira. Com mudanças no regime de chuvas e temperaturas acima da média, parte da produção agrícola pode enfrentar atrasos, perdas de produtividade e aumento de custos.

De acordo com Cristiano Trevizam, diretor comercial da Lindsay no Brasil, o El Niño “pode impactar diretamente, já que o PIB do Brasil tem um percentual muito grande que vem do agronegócio. Então nós sabemos que economicamente também pode ter um impacto direto.”

Além disso, o especialista destaca que os efeitos do fenômeno tendem a ser diferentes em cada região, mas mantendo o potencial de danos. “No Sul do Brasil, por exemplo, o cenário de El Niño costuma aumentar o volume de chuvas, e isso gera impactos diretos no agronegócio. O excesso de umidade dificulta as operações no campo porque reduz a janela ideal de colheita da soja, milho e de outras culturas de verão e inverno.”

Regiões que mais sentem o efeito

Apesar de se tratar de um fenômeno de alta escala, os impactos do El Niño não tendem a ocorrer de forma uniforme. Com isso, diversas áreas do Brasil tendem a reagir de maneira diferente quanto à temperatura.

Segundo Cristiano, “o El Niño tem, sim, efeitos diferentes; a região Sul sofre de uma maneira diferente da região Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, então a gente tem que ter políticas específicas para cada região.”

É importante destacar que a presença do El Niño também afeta o dia a dia da população. Além de temperaturas mais altas fora de época, o consumo de energia, além da produção de alimentos, é diretamente afetado pelo fenômeno.

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De acordo com o especialista, “o El Niño provoca uma oscilação na produção agrícola e, no final do dia, isso reflete numa provável inflação de alimentos, principalmente grãos e carnes. Isso porque o custo da ração aumenta bastante e a gente acaba tendo uma oscilação de produção e, consequentemente, um aumento no preço agrícola.

Leia também: Agro brasileiro será desafiado pelo câmbio, tarifaço e maior El Niño desde 1950; veja projeções

Preparo para a chegada do El Niño

Não é a primeira vez que o país se prepara para a chegada do El Niño. Em situações anteriores, o Brasil também sofreu com temperaturas mais altas, maior consumo energético e safras agrícolas em risco.

De acordo com Rodrigo Perpetuo, diretor executivo para o ICLEI América do Sul, o governo deve focar em melhorias em setores que tendem a gerar problemas consideráveis a locais afetados pelo fenômeno.

O especialista destaca investimentos em “drenagem urbana, em manutenção urbana e limpeza de bueiros. Além disso, a melhoria nos segmentos tende a aquecer esse tipo de mercado”.

Rodrigo ainda ressalta que, apesar dos danos, identificar cedo o fenômeno pode ajudar em outros setores, como alertas futuros e entendimento sobre o caso.

”Tudo aquilo que diz respeito a dados climáticos, dados meteorológicos, passa a ser também uma oportunidade de mercado para não só oferecer uma melhor compreensão do El Niño, mas também uma possibilidade de previsão meteorológica melhor para que os alertas das defesas civis e das cidades possam também funcionar mais”, finalizou o especialista.

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