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Setor de café solúvel brasileiro sai esperançoso de audiência nos EUA contra tarifa de 25%
Publicado 07/07/2026 • 16:52 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 07/07/2026 • 16:52 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Café solúvel, de maior valor agregado, fica fora do tarifaço dos EUA e frustra setor
O setor brasileiro de café solúvel saiu esperançoso da audiência pública realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos do Brasil.
A avaliação positiva veio de manifestações da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e da National Coffee Association (NCA), entidade que representa a cadeia cafeeira nos Estados Unidos.
O objetivo do setor é tirar o café solúvel brasileiro do alcance da sobretaxa, prevista no âmbito da investigação aberta pelos EUA contra o Brasil com base na Seção 301.
A audiência começou na segunda-feira (6), em Washington, e continua nesta terça-feira (7), com representantes de setores brasileiros e americanos afetados pela possível tarifa.
Leia também: Abicalçados leva ao USTR argumento de que Brasil reduz dependência dos EUA da Ásia em calçados
A estratégia do setor foi mostrar que a tarifa não afetaria apenas exportadores brasileiros. Segundo a Abics, o café solúvel do Brasil é usado como insumo em bebidas prontas para consumo, panificação, confeitaria, laticínios e serviços de alimentação institucional nos Estados Unidos.
A entidade argumenta que uma sobretaxa encareceria a cadeia americana, pressionaria margens de fabricantes locais e poderia chegar ao consumidor final.
O setor também afirmou que o produto brasileiro tem papel relevante em um mercado em expansão. Estudos citados pela Abics apontam crescimento anual de 5,6% entre 2025 e 2030 no mercado americano de café pronto para consumo, o chamado ready to drink.
Segundo a associação, esse avanço depende de oferta estável e acessível de café solúvel, usado como insumo por empresas de alimentos e bebidas nos EUA.
A Abics afirma que o Brasil respondeu por 22% das importações de café solúvel dos Estados Unidos, com 15,5 mil toneladas métricas, principalmente em extratos a granel, concentrados e grânulos.
O argumento apresentado ao USTR é que esse fornecimento não seria fácil de substituir.
Segundo Fabio Sato, diretor de Relações Institucionais da Abics, México e Brasil respondem por quase 60% das importações americanas de café solúvel. Ele afirma que o produto mexicano custa cerca de 1,5 vez mais que o brasileiro.
“Com capacidade excedente limitada na Colômbia, no Vietnã e na Indonésia, fornecedores alternativos não conseguem suprir essa lacuna prontamente”, disse Sato.
O setor também defende que o café solúvel brasileiro tem padrões de qualidade e características específicas de solubilidade que não podem ser replicadas rapidamente por outros fornecedores.
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Siga o Times | CNBCOutro ponto usado na defesa foi o preço ao consumidor americano.
Segundo a Abics, 11% da população dos Estados Unidos consome café solúvel diariamente, a um custo estimado de US$ 0,06 a US$ 0,07 por xícara.
Para a entidade, uma tarifa adicional de 25% poderia elevar preços, reduzir margens e afetar principalmente famílias que buscam opções mais acessíveis de consumo.
“A maior parte do valor econômico desse comércio é gerada nos Estados Unidos. O café solúvel brasileiro entra quase inteiramente a granel, enquanto a mistura, o empacotamento, o marketing e a distribuição ocorrem em solo americano”, afirmou Sato.
Segundo ele, a tarifa não penalizaria apenas um produto estrangeiro acabado, mas aumentaria custos para fabricantes americanos e reduziria a competitividade de produtos feitos nos Estados Unidos.
Leia também: Tarifas: Brasil negocia com EUA para evitar sobretaxa de 25% até 15 de julho
A avaliação de representantes do setor é que a audiência abriu espaço para o café solúvel brasileiro tentar entrar na lista de isenções da tarifa.
Segundo José Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ, as manifestações da Abics, do Cecafé e da NCA somaram 15 minutos de defesa e foram complementares entre si.
“As três manifestações conversavam muito entre si e um ponto importante é que nenhuma das entidades foi arguida, não houve contestação em nenhum dos pronunciamentos de defesa do café solúvel brasileiro”, afirmou Pimenta.
Para ele, a ausência de contestação direta aumenta a expectativa de que o produto possa escapar da sobretaxa de 25%, assim como outros tipos de café do Brasil já previstos em lista de isenção.
Ainda segundo Pimenta, as perguntas feitas pelos investigadores americanos se concentraram no eventual impacto da tarifa sobre a cadeia de café dos Estados Unidos, especialmente na indústria local.
“Isso foi positivo, pois pudemos reforçar todo o impacto econômico e também social que a adição de tarifas de 25% ao café solúvel brasileiro gerará na economia americana e nos bolsos de seus consumidores”, disse.
O USTR tem até 15 de julho para decidir se levará adiante a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
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