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Alcoa volta à disputa global de fusões e aquisições com compra de ativos da South32 por US$ 4,1 bihões

Publicado 30/06/2026 • 22:17 | Atualizado há 56 minutos

KEY POINTS

  • A Alcoa fechou acordo para comprar ativos de bauxita, alumina e alumínio da South32 por US$ 4,1 bilhões em dinheiro e ações.
  • A transação inclui operações no Brasil, como participações na Mineração Rio do Norte, no Pará, e no complexo Alumar, no Maranhão.
  • Negócio marca uma nova etapa da estratégia global da Alcoa, que busca ganhar escala na cadeia do alumínio após anos de foco em ativos upstream.

Divulgação/Alcoa

A Alcoa voltou ao jogo das grandes aquisições globais. A multinacional americana anunciou acordo para comprar ativos de bauxita, alumina e alumínio da australiana South32 por US$ 4,1 bilhões, em uma operação que aumenta a exposição da companhia a uma cadeia considerada crítica para a indústria global.

A transação inclui minas, refinarias e fundições no Brasil, na Austrália e na África do Sul. O pacote reforça a aposta da empresa em um modelo integrado, da extração da bauxita à produção do alumínio.

O acordo prevê pagamento inicial de US$ 3,1 bilhões em dinheiro e cerca de 17 milhões de ações ordinárias recém-emitidas da companhia, com valor implícito de aproximadamente US$ 1 bilhão. Os papéis vão representar cerca de 6% do capital da Alcoa após a emissão.

Considerando dívida líquida ligada principalmente a arrendamentos financeiros, o valor implícito da transação chega a aproximadamente US$ 4,7 bilhões.

A empresa também concederá à South32 um direito de valor contingente, conhecido como CVR, de até US$ 750 milhões. O pagamento dependerá do comportamento futuro dos preços de alumina e alumínio e poderá ocorrer em até quatro períodos anuais, caso as cotações superem os gatilhos definidos no acordo. Ao fim do quarto período, o direito expira.

Após a conclusão da operação, a South32 vai distribuir pelo menos metade das ações da Alcoa recebidas no negócio diretamente a seus acionistas elegíveis, por meio de uma distribuição “in specie”. O restante poderá ser vendido pela companhia de forma ordenada.

Leia também: Alcoa registra lucro líquido de US$ 226 milhões no quarto trimestre

Volta ao jogo global

A operação marca uma nova etapa da estratégia global da Alcoa. Nos últimos anos, a companhia passou a concentrar atuação em ativos ligados à cadeia upstream do alumínio, da bauxita ao metal.

A atual Alcoa Corporation passou a operar como companhia independente em 2016, após a separação dos negócios da antiga Alcoa Inc., que deu origem à Arconic. Desde então, a empresa vem tentando consolidar posição como produtora global integrada de alumina e alumínio.

Em 2024, a Alcoa concluiu a aquisição da Alumina Limited, em uma operação que aumentou sua participação em ativos de bauxita e alumina. Agora, com a compra dos ativos da South32, a companhia volta a fazer um movimento de grande porte no setor de M&A.

O negócio ocorre em um momento em que grandes grupos industriais buscam mais controle sobre cadeias de fornecimento e sobre insumos usados em setores como transporte, infraestrutura, energia, embalagens e indústria. O alumínio tem ganhado peso nessa disputa por ser um material relevante para a transição energética, a eletrificação e a redução de peso em diferentes aplicações industriais.

Para a Alcoa, a compra representa ganho de escala e maior controle sobre etapas da produção. A empresa espera cerca de US$ 900 milhões em sinergias, em valor presente líquido, com a integração dos ativos. A expectativa é capturar ganhos por meio de otimização operacional, redução de complexidade e aplicação de melhores práticas nas operações combinadas.

Para William F. Oplinger, presidente e CEO da Alcoa, a aquisição se encaixa diretamente no perfil da companhia.

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“Este é exatamente o tipo de oportunidade que a Alcoa foi construída para executar”, afirmou o executivo. Segundo ele, os ativos têm “alta qualidade” e “relevância global” e se encaixam no portfólio da empresa.

Brasil entra no pacote

A Alcoa atua no Brasil há seis décadas e mantém operações em Juruti, no Pará, no complexo Alumar, no Maranhão, e em Poços de Caldas, em Minas Gerais.

Com a compra dos ativos da South32, a empresa passa a ter maior participação em ativos brasileiros que já fazem parte da cadeia global do alumínio. O pacote inclui participação na Mineração Rio do Norte (MRN), no Pará, uma das principais produtoras de bauxita do país, e fatias no complexo Alumar, em São Luís, que reúne refinaria de alumina e fundição de alumínio.

A MRN atua na produção de bauxita, matéria-prima usada na fabricação de alumina. Já o complexo Alumar reúne operações de refino de alumina e produção de alumínio primário.

Fora do Brasil, a operação inclui a mina de bauxita de Boddington e a refinaria de alumina de Worsley, na Austrália Ocidental, além da fundição de alumínio Hillside e da propriedade da fundição inativa Bayside, na África do Sul. A fundição Mozal, em Moçambique, ficou fora do acordo.

Leia também: Alcoa tem lucro líquido de US$ 548 milhões no 1º trimestre

Operação deve fechar em 2027

A conclusão da transação está prevista para o primeiro semestre de 2027. O fechamento ainda depende da aprovação dos acionistas da South32, do aval de órgãos regulatórios e do cumprimento de outras condições usuais para esse tipo de operação.

Os conselhos de administração da Alcoa e da South32 aprovaram a transação por unanimidade.

Após a conclusão, a Alcoa espera se consolidar como uma das principais produtoras globais de alumina e alumínio. Em base pro forma para 2025, a companhia projeta produção de 3,2 milhões de toneladas de alumínio e 14,8 milhões de toneladas de alumina.

A aquisição também deve ser positiva para o lucro por ação e para o fluxo de caixa livre da Alcoa imediatamente após o fechamento, segundo a companhia.

O financiamento inicial da parcela em dinheiro foi estruturado por meio de compromisso-ponte de US$ 3,1 bilhões com o Goldman Sachs. A Alcoa afirma que pretende substituir esse financiamento por caixa próprio e dívida permanente antes da conclusão do negócio.

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