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LinkedIn chega a 100 mi de usuários no Brasil com IA no centro das contratações, diz Milton Beck, diretor para a América Latina

Publicado 30/06/2026 • 23:03 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Brasil se tornou o terceiro maior mercado do LinkedIn em número de usuários, atrás apenas de Estados Unidos e Índia.
  • Milton Beck afirmou que a plataforma deixou de ser usada apenas como currículo digital e passou a reunir reputação, negócios, conteúdo e desenvolvimento profissional.
  • Diretor-geral do LinkedIn para a América Latina e África disse que a inteligência artificial já atua tanto na busca por vagas quanto nos processos de recrutamento das empresas.

O LinkedIn chegou a 100 milhões de usuários no Brasil, marco que consolida o país como o terceiro maior mercado da plataforma no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, afirmou Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina e África.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Beck disse que o número representa quase metade da população brasileira e uma fatia expressiva dos profissionais ativos no país, de pessoas em início de carreira a executivos no topo das organizações.

“Os brasileiros adoram LinkedIn. Nós somos o terceiro maior mercado do mundo em termos de usuários”, afirmou.

Segundo Beck, o avanço da plataforma no Brasil reflete uma mudança no comportamento dos profissionais. Quando o LinkedIn iniciou sua operação no país, em 2012, a rede tinha cerca de 5 milhões de usuários brasileiros e era usada principalmente como um currículo digital por pessoas em busca de emprego.

Hoje, afirmou, a plataforma passou a ser usada também para construção de reputação, networking, negócios, consumo de conteúdo, cursos e desenvolvimento de carreira.

“No começo, os usuários basicamente estavam no LinkedIn para tentar serem contratados”, disse. “Hoje, o usuário brasileiro está lá também procurando emprego, mas os outros estão querendo saber um contato, fazer um negócio, saber de uma empresa, fazer um curso, se desenvolver profissionalmente.”

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De currículo digital a plataforma de reputação

Beck afirmou que a presença de executivos e lideranças empresariais no LinkedIn ajudou a mudar a percepção sobre a rede. Segundo ele, no início, profissionais em posições mais altas evitavam criar perfis por receio de parecerem interessados em trocar de emprego.

Esse comportamento mudou à medida que líderes globais, presidentes de empresas e executivos passaram a usar a plataforma para explicar estratégias, cultura corporativa, produtos e serviços.

Hoje, segundo Beck, há diferentes usos da plataforma de acordo com o momento profissional de cada usuário.

“Tem pessoas que estão saindo do curso técnico, da faculdade ou começando a carreira, que entram no LinkedIn para procurar o primeiro emprego, fazer uma rede de contatos e conhecer empresas”, afirmou. “E tem profissionais muito experientes, presidentes de empresa e CEOs, que estão lá explicando como a empresa trabalha, qual a cultura, o que tem de produtos e serviços novos.”

Para o executivo, o ponto comum entre os diferentes perfis é o desenvolvimento profissional.

“Tem um LinkedIn para cada um, mas o objetivo para todos eles é desenvolver a carreira, ser o melhor profissional”, disse.

Autoridade exige conhecimento

Ao comentar a construção de autoridade na plataforma, Beck afirmou que profissionais que desejam publicar conteúdo precisam ter conhecimento real sobre os temas que abordam.

“Se você não tem o que falar, melhor não falar”, disse.

Segundo ele, parte dos usuários busca ganhar autoridade por meio de posts, vídeos e análises sobre suas áreas de atuação. Mas uma parcela relevante da base não publica conteúdo com frequência e usa o LinkedIn para acompanhar discussões, ler publicações, comentar e compartilhar informações.

Para Beck, a participação na plataforma não exige necessariamente produção constante de conteúdo próprio. Comentários, leitura e interação também fazem parte da construção de presença profissional.

IA muda busca por vagas e recrutamento

A inteligência artificial já transformou a forma como profissionais procuram emprego e como empresas recrutam, afirmou Beck.

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Do lado das empresas, segundo ele, ferramentas do LinkedIn usam IA para entender preferências de contratação, cruzar características de candidatos com requisitos das vagas e fazer filtros iniciais. O objetivo é reduzir burocracia e facilitar o trabalho dos recrutadores.

“A inteligência artificial tem um papel importante em ajudar as empresas a desburocratizar uma parte do processo”, afirmou.

Do lado dos usuários, a IA ajuda profissionais a identificar oportunidades mais alinhadas ao perfil, à experiência e à localização. Beck citou como exemplo um analista de marketing que busca uma vaga em São Paulo e pode receber recomendações compatíveis com sua trajetória.

“A inteligência artificial trabalha tanto para o lado da empresa, para facilitar o encontro dos candidatos, quanto para os profissionais poderem encontrar as empresas em que querem trabalhar”, disse.

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Habilidades mais valorizadas

Beck afirmou que o profissional do futuro precisa combinar habilidades técnicas, fluência digital, conhecimento em inteligência artificial e capacidade de aprendizado contínuo.

Segundo ele, as competências específicas de cada profissão continuam indispensáveis. Um dentista precisa saber tratar um dente, um contador precisa dominar contabilidade e um engenheiro precisa saber fazer cálculos.

Ao mesmo tempo, disse, a fluência em IA se tornou uma habilidade cada vez mais valorizada.

“Os profissionais mais desejados são aqueles que vão saber utilizar a inteligência artificial para multiplicar a produtividade do seu trabalho”, afirmou.

Beck também destacou a importância do aprendizado contínuo. Para ele, profissionais que acreditam que o conhecimento adquirido em um momento da carreira será suficiente para toda a vida correm risco de ficar para trás.

“Se você é um profissional que acredita que o que soube em algum momento da carreira vai ser útil para o resto da vida, você vai ficar para trás”, disse.

Além das competências técnicas e digitais, Beck citou habilidades interpessoais como comunicação, resolução de problemas e empatia.

Segurança na plataforma

Ao falar sobre os próximos passos do LinkedIn, Beck afirmou que a empresa trabalha em novas funcionalidades, mas também em segurança e confiança do usuário.

Segundo ele, o LinkedIn tem cerca de 8 mil engenheiros dedicados ao desenvolvimento da plataforma, incluindo ferramentas para melhorar a experiência e reduzir riscos como perfis falsos e vagas falsas.

“Os usuários estão buscando plataformas onde se sintam seguros, onde sintam que estão em uma plataforma confortável, onde não vai haver perfis falsos, onde não vai haver vagas falsas de trabalho”, afirmou.

Para Beck, esse ambiente de confiança é um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento da plataforma no Brasil.

“O foco é desenvolver uma plataforma que seja boa para a pessoa mais inexperiente e para o profissional de TI, para qualquer um”, disse.

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