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Entrelinhas de Mercado: Maurício Rodrigues, da Bayer, vê agro brasileiro como chave para energia limpa

Publicado 30/06/2026 • 22:42 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Maurício Rodrigues afirmou que o Brasil tem uma oportunidade única ao combinar produção de alimentos com energia limpa.
  • CEO da divisão agrícola da Bayer na América Latina disse que conectividade e capacitação ainda são gargalos para ampliar o uso de tecnologia no campo.
  • Executivo afirmou que a Bayer investe 2 bilhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento na divisão agrícola global.

O agro brasileiro tem uma oportunidade “enorme” ao combinar avanço tecnológico, produção de alimentos e geração de energia limpa, afirmou Maurício Rodrigues, CEO da divisão agrícola da Bayer na América Latina.

Em participação no Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, ele pontuou que o Brasil reúne duas vantagens difíceis de encontrar em outros mercados: capacidade de ampliar a produção agrícola e matriz energética limpa.

“Você não tem nenhum outro país em que consegue aliar produção de energia limpa e crescimento de produção de alimentos sem danificar a sustentabilidade”, afirmou.

Rodrigues disse que o Brasil precisa capitalizar melhor essa posição e comunicar de forma mais clara o papel do agro nacional no mundo. Para ele, o setor tem condições de se tornar ainda mais relevante nos próximos dez anos, especialmente diante da demanda global por segurança alimentar, energia e sustentabilidade.

Leia também: Protagonistas: Liderança mais humana passa por autonomia e inclusão, diz Lígia Izzo, executiva da Bayer

Inovação no campo

O executivo afirmou que o papel da Bayer no agronegócio brasileiro é trabalhar próxima dos produtores para levar inovação capaz de aumentar a eficiência no campo.

Segundo Rodrigues, a empresa atua com sementes, defensivos, biotecnologia, digitalização e dados para ajudar o produtor a produzir mais na mesma área e de forma mais sustentável.

“Nossa função, no final do dia, é trazer inovação”, disse.

Rodrigues afirmou que a evolução do agro brasileiro nas últimas três décadas foi “absurda”. O país saiu de uma condição de dependência na produção de alimentos para se tornar um dos maiores exportadores globais.

Para ele, esse avanço veio da combinação entre inovação da indústria e capacidade dos produtores de absorver novas tecnologias.

Conectividade ainda trava avanço

Apesar do alto nível de tecnologia no campo, Rodrigues disse que ainda há gargalos relevantes. O primeiro é a conectividade, essencial para extrair e usar dados na tomada de decisão.

O segundo é a capacitação da mão de obra. Segundo ele, máquinas, sistemas digitais e ferramentas avançadas exigem profissionais preparados para operar tecnologias cada vez mais sofisticadas.

“Você precisa dessa mão de obra especializada que consiga utilizar ferramentas e equipamentos em um nível de sofisticação muito alto”, afirmou.

Rodrigues disse que a inteligência artificial já começa a ser usada no desenvolvimento de produtos, na produção e no relacionamento com produtores. A tecnologia, porém, ainda está em fase de aprendizado e consolidação no setor.

Segundo ele, a Bayer trabalha há cerca de dez anos com o Climate FieldView, plataforma que reúne dados de campo. A tecnologia cobre entre 25 milhões e 30 milhões de hectares, segundo o executivo.

“Uma das principais coisas para você ter boa utilização de inteligência artificial é uma boa base de dados”, afirmou.

Brasil é prioridade global para a Bayer

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Rodrigues afirmou que a divisão agrícola da Bayer investe 2 bilhões de euros por ano em pesquisa e desenvolvimento no mundo. O Brasil é o segundo país mais relevante para a Bayer Crop Science globalmente.

Segundo ele, parte importante dos produtos desenvolvidos pela companhia é pensada para funcionar no Brasil e na América Latina.

“Você traz um produto, demonstra valor, gera demanda, mostra produtividade e isso cria uma diferença”, afirmou.

O executivo disse que, em um mercado marcado por commodities e pressão por preço, a diferenciação vem da capacidade de entregar produtividade adicional ao produtor.

Agro precisa comunicar melhor sustentabilidade

Rodrigues também afirmou que o agro brasileiro precisa melhorar a forma como comunica sua sustentabilidade ao mundo.

Segundo ele, o país tem legislação ambiental forte, uso elevado de tecnologia e adoção de boas práticas agronômicas acima da média global. Ainda assim, a imagem externa do setor nem sempre reflete a realidade da maioria dos produtores.

“Quando uma mensagem não está sendo interpretada, não é só culpa de quem escuta. Provavelmente nós não estamos falando da maneira mais ordenada”, disse.

O executivo afirmou que o setor precisa falar mais fora do ambiente do agro, participar de iniciativas internacionais e mostrar dados que comprovem a sustentabilidade da produção brasileira.

Segundo Rodrigues, uma parcela do setor pode não seguir as regras, mas a responsabilidade e a imagem da maioria dos produtores não deveriam ser contaminadas por esses casos.

Leia também: Beleza S.A. – Brasil vira centro de inovação da Bayer para desenvolvimento de novos produtos

Nova geração e liderança

O CEO da divisão agrícola da Bayer na América Latina afirmou que a nova geração do agro está preparada para usar mais tecnologia, dados e inteligência artificial, mas precisa continuar investindo em capacitação.

Ele disse que o conhecimento agronômico tradicional continuará sendo fundamental. A mudança está na forma de combinar essa base com dados, digitalização e ferramentas mais avançadas.

Na Bayer, Rodrigues afirmou que um dos principais desafios de liderança tem sido tornar a empresa mais ágil e próxima do cliente. A companhia adotou um modelo interno chamado Dynamic Shared Ownership, voltado a dar mais autonomia aos times e reduzir burocracias.

Segundo ele, o papel do líder mudou. A liderança precisa dar visão, estratégia e espaço para que os times tomem decisões, testem soluções e aprendam com erros.

Rodrigues disse que, mesmo com o avanço da inteligência artificial, o relacionamento humano seguirá sendo um diferencial no agronegócio.

“Precisamos utilizar a inteligência artificial ao máximo, mas assegurar que características humanas como empatia, escuta e capacidade de julgamento sejam fundamentais”, afirmou.

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