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Faturamento do varejo alimentar sobe 1,4%, mas unidades vendidas recuam e carrinho encolhe
Publicado 10/04/2026 • 10:05 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 10/04/2026 • 10:05 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Varejo alimentar cresce 3,6% em outubro com impulso do atacarejo
O varejo alimentar brasileiro fechou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento nominal de 1,4% no faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior. O número, porém, esconde um movimento de sentido oposto: as unidades vendidas recuaram 2,1% e o tamanho do carrinho encolheu 2,5% em quantidade de itens por ticket. Os dados são do Radar Scanntech, divulgado em abril de 2026.
Todo o crescimento em faturamento veio do preço. A alta de 3,6% no preço médio foi o único fator que sustentou o resultado, com o volume de compras puxando na direção contrária.

O resultado ficou abaixo da inflação do período, o que configura retração real nas vendas. O fluxo em loja se manteve praticamente estável, com variação de apenas 0,2%, indicando que o consumidor continuou indo às compras, mas gastando menos por visita.
Para Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech, o diagnóstico é de um consumidor que compra menos, mas migra para itens de maior valor agregado. Categorias premium avançam enquanto itens básicos recuam, movimento que o executivo associa ao desvio de renda das classes D e E para as apostas esportivas e ao aumento da renda disponível da classe média com a isenção do Imposto de Renda.
O canal historicamente preferido pelo consumidor mais sensível a preço foi o mais pressionado. No trimestre, o atacarejo registrou queda de 1% em faturamento e de 3,8% em unidades vendidas na comparação com o mesmo período de 2025. Só em março, a retração chegou a 0,8% em faturamento e 3,5% em unidades.
A perda de força do atacarejo reforça a leitura de que a pressão sobre o consumidor de menor renda se aprofundou nos primeiros três meses do ano.
Março foi o mês mais fraco do trimestre. A Mercearia Básica recuou 7,3% em faturamento, pressionada pela deflação de 8,7% em itens como arroz, açúcar, óleo e café, apesar da leve alta de 1,6% em unidades vendidas. Bebidas caíram 13,3% em unidades e 6,7% em faturamento, reflexo da ausência do Carnaval em março, que em 2025 havia impulsionado o mês.
Do lado positivo, a antecipação da semana de Páscoa para março de 2026 sustentou parte do resultado. Ovos de Páscoa dispararam 361,4% e chocolates subiram 50,7%. A alta no preço do bovino in natura, de 8,5%, do feijão, de 14,1%, e do energético, de 4,8%, também contribuiu para segurar o faturamento do mês.
A disparidade regional completa o quadro. O Nordeste liderou o crescimento, com alta de 2,3% em faturamento. No outro extremo, São Paulo registrou queda de 5,5% em unidades vendidas e a região formada por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo recuou 4,8% em faturamento.
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