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De ameaças de Trump à ‘vizinhança do norte’: por que a chefe da UE vai à Groenlândia
Publicado 05/09/2026 • 08:44 | Atualizado há 23 minutos
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Publicado 05/09/2026 • 08:44 | Atualizado há 23 minutos
KEY POINTS
AFP
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajará no domingo para Nuuk, capital da Groenlândia, em busca de reforçar o apoio ao território ártico em meio às repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A expectativa é que a chefe da União Europeia anuncie novos recursos para o território autônomo dinamarquês durante sua segunda viagem a Nuuk, desta vez acompanhada da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.
A visita ocorre pouco depois de os islandeses rejeitarem, em referendo, a retomada das negociações para a entrada do país na União Europeia e em um momento em que Trump volta a defender a aquisição da Groenlândia sob o argumento de segurança nacional.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, fez uma referência indireta às investidas de Trump para adquirir o território antes da visita de Von der Leyen.
“A UE deixou claro seu apoio a nós diante da situação geopolítica, ao mesmo tempo em que respondeu ao nosso desejo de uma parceria ainda maior. Estou muito ansioso pelos próximos dias e para compartilhar mais sobre a importância da Declaração Conjunta para a Groenlândia”, disse Nielsen em comunicado enviado à CNBC.
Analistas destacaram três razões principais para a visita de Von der Leyen à Groenlândia: segurança no Ártico, investimentos econômicos e em infraestrutura e maior cooperação no Atlântico Norte e no Ártico.
A Comissão Europeia, braço executivo da UE, não respondeu a um pedido de comentário da CNBC antes da visita de Von der Leyen. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca não quis comentar.
A viagem da chefe da UE a Nuuk funciona como uma demonstração de solidariedade tanto à Groenlândia quanto à Dinamarca em um momento de aumento das tensões geopolíticas, segundo Kristina Spohr, professora do Departamento de História Internacional da London School of Economics.
“Nunca podemos perder de vista o que está acontecendo com a Rússia e a China. Com isso, não me refiro apenas às atividades de sabotagem e à guerra híbrida que estamos vendo — e o foco agora está na Alemanha —, mas também ao fato de termos novamente dúvidas sobre embarcações pesqueiras russas ao redor de Svalbard”, disse Spohr à CNBC em entrevista por vídeo.
“Também vemos chineses e russos realizando atividades científicas de uso dual no Mar de Chukchi, pelo Estreito de Bering e mais ao norte. E, claro, os Estados Unidos disseram que eles não devem entrar em águas territoriais americanas.”
Segundo Spohr, essas preocupações de segurança também se estendem ao chamado corredor GIUK, uma passagem marítima estratégica entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido que conecta o Ártico ao Oceano Atlântico.
“Então, é uma situação muito, muito volátil (…) quando, na verdade, um dos nossos aliados mais importantes no cenário global, os Estados Unidos, está tornando as coisas extremamente difíceis, especialmente quando se trata da Groenlândia e da Dinamarca”, acrescentou.
Trump defende há anos o controle da Groenlândia, uma ilha extensa, pouco povoada e em grande parte coberta de gelo, mas a insistência do presidente americano sobre o território se transformou em uma importante questão transatlântica no início deste ano.
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Siga o Times | CNBCTrump, que havia se recusado a descartar o uso da força militar para anexar a Groenlândia, anunciou abruptamente no fim de janeiro, no entanto, que ele e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, haviam criado uma “estrutura para um futuro acordo” sobre o território.
Desde então, um grupo de trabalho formado por representantes dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia tem se reunido para discutir os próximos passos.
O pacote de financiamento da União Europeia para a Groenlândia em 2026 e 2027, que, segundo o Financial Times, pode chegar a 200 milhões de euros (US$ 232,4 milhões), poderá ser destinado a áreas como minerais críticos, energia renovável e cabos submarinos, entre outras prioridades.
Von der Leyen já havia inaugurado o escritório da Comissão Europeia em Nuuk em março de 2024, estabelecendo uma presença europeia permanente no território. Na ocasião, a chefe da UE também assinou acordos de cooperação no valor de quase 94 milhões de euros.
“Há várias camadas, mas uma que nunca devemos esquecer é a relação entre Groenlândia e Dinamarca”, disse Andreas Raspotnik, pesquisador sênior do think tank The Arctic Institute, à CNBC por telefone.
“A abordagem agora é muito clara: o que realmente podemos fazer? Podemos investir, podemos oferecer apoio em questões previamente acordadas, como infraestrutura, investimentos em educação e ampliação da nossa presença no território.”
Jozef Síkela, comissário da União Europeia para Parcerias Internacionais, destacou recentemente alguns dos investimentos do bloco na Groenlândia durante um encontro em Bruxelas para discutir questões relacionadas ao Ártico.
“A UE investe há décadas em educação no Ártico, pesca e turismo sustentável. Foram 372 milhões de euros em pesquisa sobre o Ártico por meio do programa Horizon e 273 milhões de euros pelo Interreg”, disse Síkela na terça-feira, durante o Fórum do Ártico da UE. “Não somos recém-chegados aqui. Mas o ambiente atual exige mais”, acrescentou.
A visita de Von der Leyen à Groenlândia também é vista como uma importante oportunidade para a União Europeia coordenar mais de perto com líderes da região questões como defesa e resiliência econômica, especialmente porque o bloco está atualizando sua política para o Ártico.
“Acho que o pensamento estratégico está mudando em Bruxelas, à medida que eles avaliam como podem integrar ainda melhor a Groenlândia ao que talvez possamos chamar de ‘vizinhança do norte’”, disse Raspotnik.
“Também tenho ouvido esse termo agora. Temos uma ‘vizinhança oriental’, temos uma ‘vizinhança sul’, mas como podemos definir o norte? E, quando falamos em norte, isso inclui Islândia, Canadá e Reino Unido”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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