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GM x Ford: defesa e energia ampliam rivalidade centenária entre montadoras nos EUA
Publicado 05/09/2026 • 09:52 | Atualizado há 16 minutos
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Publicado 05/09/2026 • 09:52 | Atualizado há 16 minutos
KEY POINTS
Divulgação/GM Defense
Veículos para esquadrões de infantaria da GM Defense durante teste em terreno off-road; montadora busca ampliar sua atuação em contratos militares nos Estados Unidos.
General Motors e Ford Motor disputam espaço há mais de um século nas pistas, nas vendas de veículos e em diversas outras áreas do setor automotivo.
Agora, porém, os novos campos dessa rivalidade chegaram aos setores de defesa e à rede elétrica dos Estados Unidos.
A Ford se juntou à GM neste ano na busca por contratos com as Forças Armadas americanas, depois que o governo Trump procurou empresas dos Estados Unidos para avaliar como sua experiência em produção em larga escala poderia contribuir com o setor militar. Até agora, os esforços das montadoras estão concentrados principalmente em veículos militares, mas podem se expandir ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, as duas empresas estão entrando no mercado de sistemas de armazenamento de energia, conhecido pela sigla ESS, diante da expectativa de aumento da demanda provocado pelos custos mais altos de energia para consumidores e pela expansão dos data centers. Esses sistemas utilizam grande parte da mesma tecnologia das baterias de veículos elétricos para armazenar energia destinada a residências, empresas e até concessionárias de serviços públicos.
Analistas de Wall Street veem os dois mercados como novas áreas com potencial de crescimento para as montadoras. Em determinado momento, esperava-se que essas oportunidades viessem dos veículos totalmente elétricos, mas Ford e GM já perderam bilhões de dólares nessas iniciativas.
“Elas estão buscando novas áreas de atuação”, disse à CNBC David Whiston, analista sênior de ações da Morningstar. “A Ford está seguindo a GM na área de defesa, e energia faz bastante sentido porque elas têm toda essa capacidade destinada aos veículos elétricos que agora não é mais necessária. Então, em vez de vender essas fábricas, é uma forma de tentar aproveitar o boom dos data centers.”
Os dois mercados devem representar uma parcela pequena das operações e da receita das empresas no futuro próximo, mas podem ajudar as montadoras a diversificar seus negócios e complementar suas principais atividades em um momento de desaceleração das vendas de veículos novos nos Estados Unidos.
“Será difícil causar um impacto muito grande, considerando o tamanho da receita do negócio automotivo, mas certamente pode ajudar”, afirmou Whiston.
O mercado global de sistemas de armazenamento de energia deve crescer de US$ 668,7 bilhões em 2024 para US$ 5,12 trilhões em 2034, segundo estimativas da empresa de pesquisa e consultoria Global Market Insights. A companhia prevê uma expansão significativa desse mercado nos Estados Unidos.
“Estamos vendo uma projeção enorme de crescimento, e esse crescimento já começou”, afirmou Devon Wilson, vice-presidente de vendas e marketing da divisão americana de armazenamento de energia da LG Energy Solution, durante um evento recente. “Existe uma necessidade fundamental enorme de eletricidade no país.”
GM e Ford tentam aproveitar essa expansão esperada e, ao mesmo tempo, ocupar uma capacidade industrial que ficou ociosa. As empresas investiram bilhões de dólares em fábricas para produzir células de baterias destinadas a atender a uma demanda por veículos elétricos que não se concretizou.
O negócio de energia da GM atualmente não oferece um sistema próprio de armazenamento de energia, mas sua divisão militar possui essa solução. Além disso, a joint venture Ultium Cells, no Tennessee, produz células para sua parceira LG Energy Solution destinadas ao armazenamento de energia.
No longo prazo, a GM poderá ampliar sua atuação em sistemas de armazenamento de energia, inclusive com o desenvolvimento de uma nova geração de baterias de íons de sódio em parceria com a startup Peak Energy, de Denver. Kurt Kelty, vice-presidente de baterias e sustentabilidade da GM, afirmou acreditar que essa tecnologia pode transformar o armazenamento de energia em larga escala para a rede elétrica.
“Estamos desenvolvendo as células neste momento. O desempenho dessas células é excelente”, afirmou Kelty. “O mercado de sistemas de armazenamento de energia é muito atraente. É um mercado grande, que está crescendo muito rapidamente, e é uma área para a qual podemos contribuir.”
A GM também mantém uma parceria com a Redwood Materials para reutilizar grandes baterias de veículos elétricos em sistemas de armazenamento de energia. Além disso, por meio de sua unidade de energia, a montadora oferece soluções de recarga para veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia para residências.
A Ford, por sua vez, anunciou em dezembro que pretende investir US$ 2 bilhões na criação de um negócio de energia. O plano inclui adaptar, até o fim de 2027, uma fábrica de baterias no Kentucky, construída recentemente em parceria com a SK On, para produzir unidades destinadas ao armazenamento de energia. A empresa também pretende reservar parte de uma fábrica em Marshall, no Michigan, para produzir células voltadas ao armazenamento residencial.
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Siga o Times | CNBC“Os investidores veem valor no negócio de sistemas de armazenamento de energia da Ford”, afirmou Andrew Percoco, analista do Morgan Stanley, em relatório a investidores publicado em junho. Ele também classificou essa atividade como um “fator subestimado” no caminho para a rentabilidade da divisão de veículos elétricos Model e.
A Ford Energy faz parte da divisão de veículos elétricos Model e, para a qual a empresa prevê prejuízo de US$ 4 bilhões em 2026 antes de atingir o ponto de equilíbrio em 2029. Um dos principais pontos de virada esperados é o início das operações do negócio de armazenamento de energia, previsto para 2027.
O CEO da Ford, Jim Farley, disse a investidores durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, em julho, que a empresa está no “terceiro inning” do processo de comercialização dos 20 gigawatts-hora de capacidade produtiva destinados a sistemas de armazenamento de energia. A declaração veio após o anúncio de um acordo de cinco anos com a prestadora de serviços de energia renovável EDF Power Solutions North America.
Na indústria de defesa dos Estados Unidos, a GM está anos à frente da Ford. A montadora retomou sua divisão de defesa em 2017, após um intervalo de 14 anos.
Desde então, a empresa participou de diversos projetos com as Forças Armadas americanas e recebeu recentemente um contrato do Exército dos Estados Unidos para fabricar veículos destinados a esquadrões de infantaria, conhecidos pela sigla ISV. Segundo a GM, o valor pode superar US$ 1 bilhão, dependendo das verbas aprovadas pelo Congresso.
Embora o contrato seja pequeno em comparação com os US$ 48 bilhões em receita registrados pela companhia no segundo trimestre, as oportunidades para a indústria automotiva dentro das operações militares americanas devem crescer.
“Aproveitar as capacidades, a escala e a experiência de produção de todas as empresas automotivas e de suas cadeias de fornecedores representa um enorme benefício”, afirmou à CNBC Alfred Grein, diretor-executivo de pesquisa e integração tecnológica do centro de sistemas de veículos terrestres do Comando de Desenvolvimento de Capacidades de Combate do Exército dos EUA.
A GM afirmou que espera elevar sua receita com defesa para quase US$ 700 milhões em 2026 e busca alcançar resultado positivo antes de juros e impostos neste ano, ao mesmo tempo em que amplia sua carteira de contratos futuros.
“Também estamos trabalhando com a Lockheed Martin e outras grandes empresas para ampliar a velocidade, a escala e a resiliência da base industrial de defesa”, disse a CEO da GM, Mary Barra, a investidores em julho. “Com o tempo, tudo isso deve fazer da GM Defense uma contribuição mais relevante e diversificada para nossos resultados.”
Grein, responsável pela área de tecnologia de sistemas terrestres tripulados e não tripulados do Exército dos Estados Unidos, afirmou que o governo Trump facilitou o acesso de novas empresas, incluindo montadoras, a esse tipo de contrato. Ele também destacou a importância da produção doméstica nos EUA.
“Obviamente, a preocupação com a participação de empresas estrangeiras, especialmente em produtos do Departamento de Defesa, torna-se cada vez mais relevante”, disse Grein.
GM e Ford estão entre as empresas que receberam contratos para desenvolver protótipos de veículos pesados para esquadrões de infantaria, versões maiores dos modelos em que as companhias já vinham trabalhando.
A Ford divulgou poucos detalhes sobre seus esforços no setor de defesa dos Estados Unidos. Na quarta-feira, porém, a montadora anunciou uma parceria com a General Dynamics Land Systems e a empresa de engenharia Ricardo para disputar o desenvolvimento de um veículo de nova geração para o programa Light Mobility Vehicle, do Ministério da Defesa do Reino Unido.
A atuação de GM e Ford no setor de defesa é a mais recente de uma longa série de iniciativas desse tipo. A mais conhecida ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, no chamado “Arsenal da Democracia”, quando as empresas trabalharam com os Estados Unidos e os países aliados no fornecimento de equipamentos militares para combater a Alemanha nazista.
“Já somos líderes nesse mercado no segmento comercial. Queremos oferecer ao governo dos Estados Unidos as mesmas vantagens que nossos clientes comerciais recebem”, disse Farley a investidores em julho. “É uma grande oportunidade para nós. (…) Estamos discutindo e continuamos discutindo outros projetos relacionados à defesa com o governo americano.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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