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Ações da AstraZeneca caem 9% após teste de medicamento para o coração não atingir resultado esperado

Publicado 09/07/2026 • 07:50 | Atualizado há 48 minutos

KEY POINTS

  • O medicamento Wainua, da AstraZeneca, não atingiu seu objetivo de reduzir mortes e emergências cardíacas recorrentes em pessoas com uma doença cardíaca rara.
  • As ações despencaram e caminhavam para o pior dia em mais de seis anos.
  • Analistas acreditam que o resultado não compromete a meta da companhia de atingir US$ 80 bilhões em vendas até 2030.

As ações da AstraZeneca caíram até 9% depois que um estudo clínico de fase avançada de um medicamento para doença cardíaca não atingiu seu objetivo.

O medicamento, Wainua, não alcançou seu principal objetivo de reduzir mortes e recorrências de emergências relacionadas ao coração ao longo de 140 semanas, em comparação com um placebo, quando adicionado ao tratamento já em curso dos pacientes, informou a farmacêutica britânica em um comunicado divulgado no início da manhã de quinta-feira.

O tratamento era destinado a uma doença cardíaca rara e potencialmente fatal chamada cardiomiopatia amiloide mediada por transtirretina (ATTR-CM).

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Analistas da Jefferies afirmaram que o resultado não compromete a meta da companhia de atingir US$ 80 bilhões em vendas até 2030, mas observaram que a AstraZeneca “estava muito confiante em relação ao desfecho primário e à capacidade de alcançá-lo no uso em combinação”.

“A questão mais importante provavelmente é um certo grau de perda de credibilidade, já que a administração estava muito confiante na capacidade do estudo de atingir o desfecho primário, bem como de demonstrar benefício adicional em relação à terapia de base”, acrescentaram os analistas.

A AstraZeneca confirmou que a licença atualmente existente para o Wainua não foi afetada pelos resultados desse estudo. O medicamento já está aprovado para o tratamento de condições em que proteínas mal dobradas se acumulam, causando danos aos nervos. Na Europa, ele é comercializado com o nome Wainzua.

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O estudo avaliou um tipo específico da doença em que proteínas mal dobradas se acumulam no músculo cardíaco, tornando-o rígido e dificultando o bombeamento de sangue, o que acaba levando à insuficiência cardíaca. Estima-se que cerca de meio milhão de pessoas convivam com essa condição.

As ações eram negociadas em queda de 8,8% em Londres, caminhando para seu pior desempenho diário desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Os papéis listados na Bolsa de Nova York (NYSE) recuavam 8% no pré-mercado.

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As ações da Ionis Pharmaceuticals, que desenvolve o Wainua em parceria com a AstraZeneca nos Estados Unidos, caíram 12,5% nas negociações de pré-mercado.

Na coorte do estudo, a maioria dos pacientes já utilizava um estabilizador que impede a proteína de se dobrar incorretamente. Como esses pacientes já recebiam esse tratamento, a adição do Wainua — um chamado silenciador gênico — ao tratamento padrão não demonstrou benefício adicional significativo para o grupo como um todo.

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Para os pacientes que não utilizavam um estabilizador no início do estudo, o Wainua apresentou uma redução “nominalmente significativa” no risco de mortes e eventos cardíacos em comparação com o placebo, informou a AstraZeneca.

Ainda assim, analistas do Citi afirmaram que era improvável que a AstraZeneca conseguisse obter aprovações adicionais para o Wainua, dado que o estudo não atingiu seu desfecho primário, uma vez que o Amvuttra, da Alnylam, empresa listada na Nasdaq, já dispõe de um tratamento para ATTR-CM no mercado.

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As ações da Alnylam subiam 16% nas negociações de pré-mercado.

“Embora o estudo não tenha atingido seu objetivo primário, acreditamos que os resultados contribuem para um maior entendimento científico das abordagens de tratamento para as centenas de milhares de pacientes em todo o mundo que sofrem dessa condição progressiva e frequentemente fatal”, afirmou Sharon Barr, vice-presidente executiva de Pesquisa e Desenvolvimento em Biofarmacêuticos da AstraZeneca.

Os dados completos serão apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em agosto.

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