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Dirigentes do Fed divergiram sobre rumo dos juros na última reunião, mostra ata

Publicado 08/07/2026 • 15:26 | Atualizado há 12 horas

KEY POINTS

  • Os formuladores de política monetária do Federal Reserve (Fed) divergiram no mês passado sobre o futuro das taxas de juros, com integrantes considerando cenários tanto de alta quanto de corte, segundo a ata da reunião divulgada nesta quarta-feira (8).
  • O resumo da reunião trouxe poucos detalhes sobre o que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, descreveu como uma "briga de família" sobre a direção da política monetária.
  • Fiel à sua rejeição ao chamado forward guidance, Warsh fez com que o documento oferecesse poucas indicações sobre o posicionamento futuro dos dirigentes, ressaltando que as decisões serão tomadas com base nas "informações recebidas".

Os dirigentes do Federal Reserve divergiram no mês passado sobre o futuro das taxas de juros, com formuladores de política monetária considerando cenários tanto de alta quanto de corte, de acordo com a ata da reunião divulgada nesta quarta-feira (8).

Na primeira reunião de Kevin Warsh como presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), realizada nos dias 16 e 17 de junho, alguns participantes enxergaram um cenário em que a inflação poderia desacelerar e permitir juros menores, enquanto outros visualizaram um ambiente em que a inflação permaneceria elevada e exigiria novas altas.

Durante a coletiva de imprensa após a reunião, Warsh classificou o debate como uma “briga de família”, que terminou com a decisão unânime de manter a taxa básica de juros do Fed no intervalo entre 3,5% e 3,75%, faixa em que permanece durante todo o ano de 2026.

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Visões divergentes

A ata, porém, não detalhou qualquer tensão ocorrida durante o encontro e apresentou as diferentes avaliações dos integrantes sem indicar para qual direção o comitê está inclinado.

O gráfico de projeções individuais (dot plot), do qual Warsh não participou, apontou, por pequena margem, expectativa de uma alta de juros neste ano, seguida por um corte em cada um dos dois anos seguintes.

Ao avaliarem o cenário considerado mais provável, “muitos participantes indicaram que o nível apropriado da taxa dos Fed Funds estaria dentro ou ligeiramente abaixo da faixa atual ao fim deste ano”, afirma a ata.

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Ao mesmo tempo, o documento ressalta que “muitos outros participantes, no entanto, avaliaram que o nível apropriado da taxa dos Fed Funds estaria acima da faixa atual ao final deste ano”.

“Os participantes observaram que suas futuras ações de política monetária dependerão das informações recebidas”, acrescenta a ata.

A inflação vem apresentando alta durante boa parte do último ano, impulsionada inicialmente pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump e agravada posteriormente pela guerra envolvendo o Irã. Economistas, contudo, permanecem divididos quanto à persistência dessas pressões, principalmente após a recente queda dos preços da energia.

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Os integrantes do FOMC afirmaram esperar que “a inflação permaneça elevada no curto prazo e depois comece a recuar à medida que os efeitos das tarifas e da alta dos preços da energia diminuam, assim como outras interrupções na oferta relacionadas ao fechamento do Estreito de Ormuz”. Ainda assim, avaliaram que os riscos para a inflação continuam inclinados para cima.

Os mercados reagiram pouco à divulgação da ata. Os futuros das bolsas permaneceram em queda e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos avançaram.

Para Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial, “há certa ambiguidade na ata, sugerindo várias visões concorrentes sobre a política monetária”.

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“Se for possível extrair alguma sinalização para o futuro, é que o comitê está avaliando uma ampla gama de cenários e não pretende se comprometer com nenhum deles até que os próximos dados tragam a clareza necessária”, escreveu.

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Mudanças na comunicação

Com 14 páginas, a ata ficou um pouco mais curta do que o padrão tradicional, refletindo a defesa de Kevin Warsh por uma comunicação mais enxuta sobre as intenções futuras do banco central.

Na mesma linha, o comunicado divulgado ao fim da reunião teve aproximadamente um terço do tamanho habitual.

Segundo a ata, “vários participantes observaram que era um momento oportuno para considerar mudanças significativas na declaração divulgada após as reuniões do FOMC”.

Além disso, “a maioria dos participantes afirmou ver vantagens em encurtar o comunicado”, acrescenta o documento.

A ata descreve, de forma geral, os acontecimentos da reunião de dois dias, na qual o FOMC decidiu manter a taxa básica de juros inalterada e reafirmou o compromisso de restaurar a “estabilidade de preços” na economia dos Estados Unidos.

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O texto também retirou a linguagem utilizada anteriormente que indicava uma inclinação para o afrouxamento monetário, já que “a maioria dos participantes enfatizou que preferia não repetir essa linguagem”.

O comunicado final eliminou ainda trechos padronizados que descreviam as condições econômicas e a estratégia do comitê para alcançar seus dois objetivos: inflação baixa e pleno emprego.

A divulgação da ata ocorre menos de dois meses após Kevin Warsh assumir a presidência do Federal Reserve, cargo para o qual foi indicado por Donald Trump. Durante anos, Trump criticou o antecessor de Warsh, Jerome Powell, por não reduzir os juros.

Desde que assumiu o comando da instituição, Warsh prometeu promover uma série de mudanças no funcionamento do banco central.

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Na coletiva de junho, anunciou a criação de cinco grupos de trabalho para revisar diferentes áreas do Fed, incluindo a comunicação institucional. A ata apenas registra a formação desses grupos, observando que “alguns participantes comentaram que receberam positivamente a oportunidade de revisar as ferramentas e práticas de comunicação do Comitê”.

Desde então, Warsh fez apenas uma aparição pública, durante um fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Portugal, onde voltou a evitar indicar qual deverá ser o rumo da política monetária, mantendo sua postura contrária ao uso do forward guidance.

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