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Azzas 2154 perdeu 62% do valor na bolsa em dois anos e mira venda da Farm Rio para se recuperar
Publicado 04/08/2026 • 13:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 04/08/2026 • 13:30 | Atualizado há 2 meses
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Arte Times Brasil
Em agosto de 2024, a Azzas 2154 foi criada mediante a fusão entre a Arezzo e o Grupo Soma. O mercado recebeu a nova empresa com altas expectativas, já que ela nasceu com um valor estimado de R$ 4,5 bilhões na sinergia entre as empresas que formariam o maior grupo de moda da América Latina. Dois anos depois, no entanto, o plano não deu certo.
De acordo com um levantamento da consultoria Eylos Alta, os papéis da empresa caíram 62% no período na bolsa. A gigante perdeu R$ 6 bilhões em valor de mercado.
Mas o que aconteceu de errado no negócio? O ponto central é a chamada falta de sinergia entre Roberto Jatahy, fundador da Soma, e Alexandre Birman, o nome por trás da Arezzo. Informações dão conta de que há um desencontro entre as personalidades dos dois.
Birman assumiu o comando executivo da nova companhia, e o seu modelo de gestão passou a prevalecer no novo grupo, sobrepondo-se à cultura da Soma. Os empresários, que tinham autonomia na gestão das empresas, acabavam muitas vezes em rota de colisão.
Leia também: Acionistas liderados pela família Hering articulam saída do grupo Azzas 2154
“É preciso integrar estilos de liderança, formas de decidir, os egos dos controladores e a identidade construída ao longo de décadas. E isso claramente não aconteceu”, afirmou o consultor de M&A Roberto Valverde.
Além disso, a dificuldade do varejo de moda também apresentou diferentes desafios para o negócio.
“Teve um desempenho diferente entre as marcas. Por exemplo, a Farm Rio, que cresceu bastante no período, destacou-se, mas outros segmentos, como a própria Hering, encontraram dificuldades com o excesso de estoque e a necessidade de dar muito desconto nos produtos”, explicou João Vitor Saccardo, head de RV da Convexa Investimentos.
A luz no fim do túnel para dar um fôlego financeiro ao grupo pode ser a venda bilionária da Farm Rio, marca de vestuário alinhada a um público de maior poder aquisitivo. A Azzas, inclusive, contratou uma consultoria do banco Morgan Stanley para tentar destravar a venda do ativo. Fontes do mercado apontam que a Azzas está pedindo US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) pela marca.
A eventual venda é vista como uma medida para reorganizar a companhia diante da perda de confiança dos investidores na velocidade da execução das sinergias prometidas e na estabilidade da liderança. O negócio é visto com bons olhos pelo mercado, já que as ações da empresa subiram quando a informação foi publicada, mas caíram logo depois que o conglomerado classificou a transação como rumor.
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Siga o Times | CNBCA venda de ativos seria uma forma de simplificar o portfólio, já que a tese de integração se mostrou muito mais difícil de executar do que o previsto originalmente.
Na fase inicial da formação da Azzas 2154, a companhia tomou a decisão estratégica de descontinuar marcas menores para otimizar sua estrutura e portfólio. As marcas envolvidas nessa simplificação inicial foram Alme, Dzarm, Reversa e Simples. A operação geravam um faturamento bruto de R$ 411 milhões para o grupo.
O grupo uniu dezenas de marcas de destaque no varejo de vestuário e calçados. As principais bandeiras do conglomerado incluiam:
Em meio a tantas turbulências, a companhia deu o recado de que um possível divórcio entre os dois grupos foi adiado, pelo menos por hora. Em maio de 2026, o conselho de administração sinalizou a continuidade da união ao reeleger Alexandre Birman como CEO e Roberto Jatahy como líder da unidade de vestuário feminino para um novo mandato de dois anos.
O mercado se questiona, porém, em que bases essa união vai continuar. O caminho da simplificação do portfólio e a venda de ativos como a Farm parece ser o mais provável para o futuro.
Atualmente, o valor de mercado da Azzas 2154 é de R$ 3,54 bilhões, enquanto o patrimônio é estimado em R$ 8,01 bilhões. O coordenador da NMS Research, João Tonello, explica que esse desalinhamento aponta que o mercado se mostra cético quanto ao futuro da companhia.
“O papel está sendo negociado como se o mercado não acreditasse que a fusão vai funcionar. Essa é a assimetria: se a Azzas conseguir provar que o casamento faz sentido operacionalmente, o rating pode ser expressivo. Se a crise de governança voltar com força, a tese se desfaz”, afirmou.
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