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Brasileiro ainda contrata pouco seguro e setor vê espaço para avançar, diz Edson Franco, CEO da Zurich

Publicado 01/10/2026 • 16:09 | Atualizado há 46 minutos

KEY POINTS

  • Apenas 29% da frota circulante tem seguro, enquanto proteção residencial e de pequenas e médias empresas alcança menos de 15%.
  • Seguro de vida aparece entre as principais oportunidades de expansão, com adesão de 18% e maior necessidade de proteção da renda.
  • Falta de orientação e dificuldade de levar produtos ao consumidor ajudam a explicar a baixa contratação, segundo Edson Franco.

A baixa contratação de seguros pelos brasileiros abre uma ampla oportunidade de expansão para o setor, segundo Edson Franco, CEO da Zurich Seguros no Brasil. O executivo aponta que apenas 29% da frota circulante está segurada, enquanto a cobertura residencial chega a menos de 15% e a de vida, a 18%.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Edson Franco afirmou que o espaço para crescimento também aparece entre pequenas e médias empresas, segmento no qual menos de 15% contam com seguro. Para ele, o desafio não está apenas no poder de compra, mas principalmente em ampliar o conhecimento sobre os produtos e fazer a proteção chegar ao consumidor.

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“O nível, o gap de proteção securitária no Brasil é muito grande”, avaliou. Segundo o CEO, a distância também aparece nas comparações internacionais: embora o Brasil seja a 11ª economia mundial, ocupa a 54ª posição em seguros de pessoas e a 34ª em previdência na comparação apresentada pelo executivo.

Renda deixou de ser a principal explicação

Edson Franco contou que anteriormente atribuía grande parte da baixa contratação de seguros à renda média reduzida e ao enfraquecimento da classe média, mas mudou sua avaliação nos últimos anos.

“Eu mesmo dizia que uma classe média enfraquecida, a renda média baixa, fosse talvez o principal elemento de baixa penetração de seguros no Brasil. Mas eu mudei a minha opinião. Eu acho que o nosso principal problema é falta de educação securitária”, disse.

Para sustentar a avaliação, o executivo citou uma pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras e Previdência segundo a qual 85% das pessoas de comunidades e periferias consultadas demonstraram interesse em contratar algum tipo de proteção, mas disseram que a oferta nunca havia chegado até elas.

“Isso mostra que nós temos um problema de distribuição, um problema de alcance”, explicou.

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Outra pesquisa mencionada pelo executivo e realizada pela Fenaprevi e Datafolha, apontou uma diferença entre a proteção do patrimônio e a proteção pessoal. Segundo ele, 54% das pessoas que possuíam seguro de automóvel não tinham seguro de vida.

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Ao serem questionadas sobre a importância de proteger a família diante de uma morte prematura, doença grave ou invalidez, essas pessoas não consideravam essa proteção menos importante que a do automóvel. Ao final da pesquisa, 72% afirmaram que repensariam a questão e contratariam um seguro de vida, segundo os dados apresentados pelo executivo.

“Falta uma provocação, falta educação financeira. Dentro de educação financeira, educação securitária, educação previdenciária”, destacou Franco.

Seguro de vida concentra oportunidade

Entre os segmentos com maior potencial para avançar no país, Edson Franco apontou os seguros de vida e outras modalidades destinadas à proteção da renda familiar. Segundo ele, o conceito vai além de uma indenização em caso de morte.

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As coberturas podem proteger a renda diante de doenças, internações hospitalares e situações de invalidez permanente ou temporária, além de funcionar em conjunto com o planejamento para a aposentadoria. “Eu gosto de falar dos seguros de pessoas como seguros de proteção financeira, a renda da família”, comentou.

O executivo também relacionou o potencial desse mercado ao envelhecimento acelerado da população brasileira. Com o aumento da longevidade e a mudança da estrutura etária do país, Franco considera necessário ampliar o planejamento previdenciário individual.

Segundo ele, o sistema previdenciário brasileiro está baseado em um pacto no qual trabalhadores mais jovens ajudam a financiar os benefícios dos aposentados, estrutura que depende de uma população com muitos jovens e proporcionalmente menos idosos. “Daqui a 30 anos nós vamos ter um contribuinte do INSS para um aposentado. Esse modelo não é mais sustentável”, declarou.

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Para Edson Franco, quem já está trabalhando ou ingressando agora no mercado precisa considerar que as condições da Previdência Social poderão mudar nas próximas décadas e incorporar mais cedo o planejamento de longo prazo.

“As pessoas têm que entender que elas têm que começar a fazer o seu planejamento previdenciário individual desde já. […] Esta conscientização precisa acontecer o mais rápido possível”, concluiu.

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