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Ações de farmacêuticas sobem até 500% após corrida por remédios contra a calvície ganhar força nos EUA
Publicado 29/08/2026 • 19:00 | Atualizado há 2 horas
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Foto: Freepik
Depois de transformar os medicamentos para obesidade em um dos maiores fenômenos da indústria farmacêutica, o mercado começa a buscar o próximo grande negócio. Desta vez, a aposta está nos tratamentos contra a queda de cabelo. Empresas de biotecnologia e farmacêuticas estão avançando com novas terapias para a alopecia androgenética, também conhecida como calvície de padrão masculino. O movimento já chama a atenção de investidores e começa a movimentar fortemente as ações de companhias envolvidas no desenvolvimento desses medicamentos.
A oportunidade é enorme. A alopecia androgenética afeta aproximadamente 40% dos homens no mundo. Nos Estados Unidos, são cerca de 65 milhões de homens, segundo estimativas citadas pela Cosmo Pharmaceuticals. O mercado também apresenta uma característica que agrada aos investidores: muitos consumidores estão dispostos a pagar diretamente por tratamentos capazes de preservar ou recuperar os cabelos.
A expectativa de uma nova geração de terapias já provocou fortes movimentos na bolsa. A Veradermics, que estreou no mercado acionário em fevereiro sob o código MANE, acumulou valorização próxima de 500% desde sua abertura de capital.
A Absci também ganhou destaque e mais que dobrou de valor em 2026. A companhia desenvolve o ABS-201, um candidato experimental criado com auxílio de inteligência artificial e destinado ao tratamento da alopecia androgenética.
A suíça Cosmo Pharmaceuticals aparece entre as empresas mais avançadas na corrida. Seu principal candidato, a clascoterona 5% em solução tópica, apresentou resultados positivos em um programa de Fase III e agora se aproxima de uma possível submissão aos órgãos reguladores. A empresa informou que pretende apresentar no início de 2027 um pedido de aprovação à FDA, agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, para a clascoterona destinada ao tratamento da alopecia androgenética masculina.
A companhia também planeja apresentar um pedido de autorização de comercialização à Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
O medicamento atua sobre o receptor de andrógeno e foi desenvolvido para interferir diretamente nos mecanismos biológicos relacionados à queda dos cabelos.
Os resultados mais recentes aumentaram a confiança da empresa. Após 12 meses de acompanhamento, os pacientes que permaneceram utilizando continuamente a clascoterona apresentaram uma melhora estatisticamente significativa de 239% na contagem de cabelos da área-alvo (TAHC) em comparação com participantes que receberam o medicamento durante seis meses e depois passaram para a solução de controle entre o sétimo e o 12º mês.
A empresa ressalta que os resultados de seis e 12 meses não devem ser comparados diretamente, porque os grupos avaliados e a metodologia das diferentes partes do programa de Fase III eram distintos.
O programa clínico da Cosmo envolveu 1.465 pacientes, distribuídos entre dois estudos: SCALP 1 e SCALP 2.
O SCALP 1 contou com 702 participantes nos Estados Unidos, enquanto o SCALP 2 incluiu 763 pacientes nos Estados Unidos, Alemanha e Polônia. Ao todo, os estudos foram conduzidos em 51 centros de pesquisa na Europa e nos Estados Unidos. Segundo a companhia, trata-se do maior programa de Fase III já realizado para um candidato de tratamento tópico destinado à alopecia androgenética masculina.
Os estudos avaliaram principalmente a alteração na quantidade de fios finos, chamados de cabelos vellus, na região selecionada para análise. Os pesquisadores também consideraram a percepção dos próprios pacientes sobre a evolução do crescimento capilar. Entre as avaliações adicionais estavam fotografias globais do couro cabeludo analisadas por investigadores, mudanças na quantidade de fios mais espessos e pigmentados e o grau de satisfação dos participantes com o tratamento.
Além do crescimento dos cabelos, a segurança do tratamento foi um dos pontos enfatizados pela Cosmo.
Os dados de 12 meses indicaram que o perfil de segurança da clascoterona permaneceu comparável ao da solução de controle, resultado considerado relevante porque a alopecia é uma condição que exige tratamento prolongado.
Os pacientes que utilizaram a clascoterona durante um ano também registraram uma melhora relativa de 24,5% na satisfação com o tratamento em comparação com os grupos que receberam a solução de controle.
A companhia afirmou ainda que os participantes avaliaram positivamente a facilidade de aplicação e a aceitação do produto, fatores que podem ser importantes para a adesão ao tratamento no mundo real.
Para Giovanni Di Napoli, CEO da Cosmo Pharmaceuticals, os resultados de 12 meses representam um marco para o medicamento e para o tratamento da queda de cabelo masculina. A empresa agora pretende avançar rapidamente com as etapas regulatórias e com as conversas para uma possível comercialização do produto.
O desempenho clínico também despertou o interesse de analistas. Benjamin Jackson, analista de ações do Jefferies, afirmou que os resultados podem permitir à Cosmo avançar para negociações mais sofisticadas com potenciais parceiros comerciais.
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Siga o Times | CNBCO analista estima que a clascoterona possa alcançar US$ 4 bilhões em vendas anuais no pico, caso a companhia consiga encontrar um parceiro comercial com capacidade adequada de distribuição e vendas.
Segundo a estimativa do Jefferies, essa projeção exigiria uma penetração relativamente pequena do mercado: aproximadamente 4% entre homens que já recebem tratamento e 6% entre aqueles que ainda não são tratados.
Após a divulgação dos dados de 12 meses, as ações da Cosmo negociadas na bolsa SIX Swiss Exchange subiram cerca de 6% em 15 de abril, passando de CHF 95,50 para CHF 101,40. Desde então, os papéis oscilaram na faixa dos CHF 90, encerrando a segunda-feira em CHF 98,50.
A clascoterona utiliza um mecanismo diferente das principais opções atualmente disponíveis para a calvície.
Hoje, os tratamentos mais conhecidos incluem o minoxidil, vendido sem receita, e a finasterida, que exige prescrição médica. Ambos apresentam limitações e podem provocar efeitos adversos.
A proposta da clascoterona é atuar diretamente sobre o receptor de andrógeno no folículo capilar, interferindo na ação hormonal relacionada ao processo de queda dos fios.
A Cosmo já possui experiência comercial com o princípio ativo. A formulação de 1% da clascoterona é aprovada pela FDA e comercializada como Winlevi para o tratamento tópico da acne vulgar em pacientes a partir dos 12 anos. A nova formulação de 5% está sendo desenvolvida especificamente para o tratamento da queda de cabelo masculina.
A Veradermics também apresentou resultados que alimentaram o entusiasmo dos investidores. Em abril, a companhia divulgou dados positivos de seu principal candidato contra a calvície masculina, baseado em uma formulação oral de minoxidil. Em julho, a empresa apresentou resultados promissores de um estudo intermediário realizado com mulheres que sofrem redução do volume capilar.
Caso seja aprovado pela FDA, o tratamento poderá se tornar o primeiro comprimido autorizado especificamente para a alopecia de padrão feminino. Isso amplia consideravelmente o mercado potencial da companhia, já que a queda de cabelo hereditária também atinge dezenas de milhões de mulheres nos Estados Unidos.
O entusiasmo com a calvície lembra, em vários aspectos, o início da transformação provocada pelos medicamentos GLP-1 no mercado de obesidade.
Antes de medicamentos como os da Eli Lilly e da Novo Nordisk dominarem o setor, diversas empresas tentaram desenvolver terapias contra a obesidade sem conseguir produzir um produto de grande sucesso comercial. Algumas chegaram até a enfrentar dificuldades financeiras e processos de falência.
O mesmo risco existe agora no mercado de tratamentos contra a queda de cabelo. Resultados positivos em estudos clínicos não garantem aprovação regulatória nem sucesso comercial. Ainda assim, analistas acreditam que a demanda é grande o suficiente para permitir a existência de mais de um vencedor.
Roger Song, do Jefferies, avalia que o mercado de medicamentos para queda de cabelo pode comportar diversas terapias. A possibilidade de pacientes utilizarem mais de um produto ao mesmo tempo também aumenta o potencial de receitas do setor.
Geoff Hsu, da OrbiMed e gestor de portfólio do Biotech Growth Trust, destaca justamente o tamanho dos mercados de consumo relacionados à obesidade e à queda de cabelo. Para ele, uma terapia que consiga combinar segurança e eficácia poderia abrir um mercado potencial bastante significativo.
O mercado ainda está longe de ter um novo campeão consolidado. Os candidatos precisam passar por etapas regulatórias e, no caso de algumas companhias, ainda estão nos primeiros estágios de desenvolvimento.
Mas os resultados da Cosmo colocaram a clascoterona entre os tratamentos mais avançados dessa nova corrida. Com dados positivos de segurança e eficácia após 12 meses e planos de solicitar aprovação nos Estados Unidos e na Europa, a empresa começa a se aproximar de uma possível entrada no mercado.
Se a próxima geração de medicamentos conseguir oferecer resultados superiores às opções atuais, a calvície poderá se transformar em uma das novas grandes oportunidades comerciais da indústria farmacêutica.
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