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Moderna e Merck anunciam resultados positivos em vacina contra melanoma e ações disparam 100%; veja tudo
Publicado 19/08/2026 • 09:46 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 19/08/2026 • 09:46 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Pablo Jacob /Governo do Estado de SP. Flickr
O imunizante demonstrou eficácia superior a 70% na prevenção de casos confirmados da doença após a aplicação da quarta dose.
Uma vacina experimental contra o melanoma, desenvolvida em parceria pela Moderna e pela Merck, apresentou resultados positivos em um estudo de fase 3, segundo comunicado divulgado pelas duas farmacêuticas nesta quarta-feira (19).
A combinação do imunizante de mRNA intismeran autogene com o KEYTRUDA, medicamento de imunoterapia da Merck, reduziu o risco de recorrência do câncer de pele em pacientes que passaram por cirurgia de remoção completa do tumor, quando comparada ao uso isolado do KEYTRUDA.
🔍 Melanoma é um tipo de câncer de pele que se origina nos melanócitos, células que produzem melanina, e representa a forma de câncer de pele com maior risco de espalhamento para outros órgãos do corpo.
O resultado nas bolsas foi imediato: as ações da norte-amerciana Moderna, que ficou muito famosa na pandemia da covid-19, chegaram a subir 102% no pré mercado, enquanto os papéis da alemã Merck avançam 1% na bolsa de Frankfurt.
O estudo, batizado de INTerpath-001, também atingiu o objetivo secundário de reduzir o risco de metástase à distância. O ensaio clínico envolveu 1.137 pacientes com melanoma cutâneo em estágios IIB a IV, todos submetidos previamente à retirada cirúrgica do tumor.
Conforme o comunicado,este é o primeiro resultado positivo de fase 3 para uma terapia individualizada de neoantígenos e também para uma terapia de câncer baseada em mRNA. A Moderna e a Merck informaram que o perfil de segurança da combinação permaneceu consistente com o observado em estudos anteriores, sem novos sinais de risco identificados.
Leia também: Ações da Moderna disparam após FDA sinalizar aprovação de vacina contra gripe nos EUA
As ações da Moderna saltaram mais de 100% nas negociações do pré mercado nesta quarta-feira (19), enquanto os papéis da Merck avançaram cerca de 9%, segundo dados de mercado citados no material das empresas. O movimento reflete a diferença de porte entre as companhias, já que a Moderna tem valor de mercado bem menor que o da Merck.
Para a Moderna, o resultado representa uma tentativa de reverter a dependência de receita ligada às vacinas contra Covid-19 e gripe, que vem perdendo força nos últimos anos. Já para a Merck, a notícia chega em meio à expectativa do mercado sobre o vencimento da patente do KEYTRUDA, previsto para 2028, quando medicamentos genéricos poderão entrar no mercado.
O intismeran autogene é produzido a partir de amostra do tumor de cada paciente, com o objetivo de identificar o conjunto exclusivo de mutações genéticas daquele câncer específico. Segundo a Merck e a Moderna, cada dose é formulada com sequências de mRNA que codificam até 34 neoantígenos, adaptados à biologia individual do tumor.
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Siga o Times | CNBCAssim, o tratamento treina o sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células cancerígenas com base na assinatura molecular própria daquele tumor, de acordo com a explicação divulgada pelas farmacêuticas. A terapia é administrada em combinação com o KEYTRUDA, que já é padrão de tratamento para melanoma em estágio avançado.
Stéphane Bancel, CEO da Moderna, classificou os resultados como um marco para a pesquisa em câncer, e afirmou que a companhia, junto com a Merck, começou a transformar em realidade uma visão que durante anos foi considerada aspiracional dentro do setor farmacêutico. Já Dean Li, presidente da Merck Research Laboratories, disse que os achados reforçam a promessa de uma abordagem mais personalizada no tratamento oncológico.
Segundo dados citados no comunicado das empresas, o melanoma é uma das formas mais letais de câncer de pele, e sua incidência global vem crescendo nas últimas décadas. Estima-se que mais de 330 mil novos casos tenham sido diagnosticados no mundo em 2022, enquanto nos Estados Unidos a projeção é de cerca de 112 mil novos diagnósticos e mais de 8.500 mortes pela doença somente em 2026.
Mesmo após a remoção cirúrgica do tumor, pacientes seguem sob risco de recorrência da doença, principalmente nos dois primeiros anos após o tratamento, e a maior parte dos casos que retornam se apresenta em forma metastática, conforme detalhado no material das companhias.
Merck e Moderna informaram que vão apresentar os dados completos do estudo em um congresso médico internacional ainda não identificado, e que pretendem conversar com autoridades regulatórias sobre a submissão de pedidos de aprovação para a combinação da vacina com o KEYTRUDA.
Georgina Long, principal pesquisadora do estudo e diretora médica do Melanoma Institute Australia, afirmou que a terapia tem potencial para estabelecer um novo padrão de tratamento adjuvante para o melanoma, ajudando pacientes a permanecerem livres do câncer por mais tempo.
🔍 Tratamento adjuvante é aquele administrado após a cirurgia de remoção do tumor, com o objetivo de eliminar possíveis células cancerígenas remanescentes e reduzir o risco de a doença retornar.
Além do melanoma, as duas farmacêuticas mantêm um programa de testes que inclui nove estudos de fase 2 e fase 3 avaliando a combinação em outros tipos de tumor, como câncer de pulmão de não pequenas células, câncer de bexiga e câncer renal, segundo o comunicado.
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