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Combustíveis

Combustíveis já custariam o dobro sem ações do governo contra o choque do petróleo, segundo representantes do setor

Publicado 08/11/2026 • 13:10 | Atualizado há 18 minutos

KEY POINTS

  • Petrobras vende diesel a R$ 3,57 por litro, 47% do preço internacional de R$ 7,497, segundo a Abicom
  • Governo zerou PIS/Cofins e Cide sobre gasolina, e subvenções somam R$ 3,52 no diesel, com vencimentos em novembro
  • Importadoras e refinarias privadas dizem que não competem com a Petrobras e que a conta virá no longo prazo
Alta dos combustíveis provoca protestos e escassez em países

Foto: Unsplash

Alta dos combustíveis provoca protestos e escassez em países

A guerra no Irã, iniciada no fim de fevereiro, pressionou o preço do petróleo, e os combustíveis no Brasil poderiam custar cerca do dobro nas bombas sem a atuação do governo para limitar o repasse desse choque. A avaliação é de representantes do setor ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Segundo eles, a combinação de aumento do refino doméstico, contenção de reajustes nas refinarias, desoneração tributária e pacote de subvenções segurou a inflação no curto prazo. Por outro lado, a política gerou distorção de preços e reduziu a competitividade de importadores e refinarias privadas.

Leia também: Mineradora testa caminhão híbrido na Bahia que promete reduzir consumo de diesel em até 38%

Combustíveis teriam preço dobrado sem subvenção, diz Refina Brasil

Para o presidente da Refina Brasil, associação das refinarias privadas, Evaristo Pinheiro, o diesel custaria hoje o dobro sem a ajuda do governo. “Grosso modo, o preço do diesel hoje estaria o dobro se não fosse a subvenção do governo”, afirmou.

Ainda segundo ele, “a Petrobras está vendendo o combustível pela metade do preço no mercado internacional e está abrindo mão de receita”.

Petrobras vende diesel a 47% do preço internacional

Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) mostram a dimensão da diferença. No diesel, o preço médio da Petrobras nas refinarias é de R$ 3,57 por litro, ante R$ 7,497 no mercado internacional. De acordo com a associação, a estatal vende o produto a 47% do valor externo.

Já na gasolina, o preço na refinaria é de R$ 3,80 por litro, contra R$ 7,00 no mercado internacional, em valores aproximados.

Petrobras eleva processamento e contém reajustes nas refinarias

Para amortecer o choque externo, a Petrobras aumentou o processamento e opera perto de 98% da capacidade. O objetivo é ampliar a produção de derivados e reduzir a necessidade de importação.

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Ao mesmo tempo, a empresa evitou repassar de uma vez as altas do petróleo e dos derivados aos preços nas refinarias. A política de preços foi combinada a subsídios e subvenções articulados pelo governo.

Governo zera tributos sobre gasolina e amplia benefícios ao etanol

No campo tributário, o governo zerou impostos federais, como PIS/Cofins e Cide, sobre a gasolina e prorrogou ou ampliou desonerações sobre o etanol.

Além disso, foram concedidos subsídios e subvenções diretas a produtores e importadores de diesel e etanol, com exigência de repasse integral do desconto ao consumidor final. Os recursos vêm em parte de receitas extraordinárias e da tributação sobre a exportação de petróleo.

Importadoras de combustíveis perdem viabilidade diante da Petrobras

Segundo Pinheiro, o descolamento entre o preço doméstico e o internacional tira a viabilidade econômica das importações. “As importadoras não têm como concorrer com a Petrobras”, afirmou.

Ele reconhece que a decisão ajuda a conter a inflação no curto prazo, mas avalia que a conta tende a aparecer no longo prazo. Pinheiro diz ainda que nenhum país fez o que o Brasil está fazendo. Em outras nações, de acordo com ele, os governos adotaram subsídios focalizados em setores específicos, como motoristas de aplicativos e empresas de ônibus.

Na mesma linha, o presidente da Abicom, Sérgio Araújo, afirma que o arranjo funcionou como suporte à Petrobras. “O que o governo brasileiro fez foi ajudar a Petrobras, que produz muito, pode vender barato e é compensada com parte do imposto de exportação do que ela mesmo exporta”, disse.

Subvenções empilhadas somam R$ 3,52 no diesel

Araújo destaca o volume de auxílio embutido no preço do diesel. Hoje há duas subvenções “empilhadas”, uma de R$ 1,40, que vence na quinta-feira (12), e outra de R$ 2,12, com vencimento mais para o fim do mês. “No total a subvenção hoje é de R$ 3,52”, afirmou.

Para ele, passadas as eleições, o governo deve reduzir esse valor de forma gradual, porque já surgem problemas de caixa.

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