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Como a Netflix transformou a Fórmula 1 em um negócio ainda mais atraente
Publicado 24/08/2026 • 21:09 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 24/08/2026 • 21:09 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Foto: Divulgação/Netflix
A Fórmula 1 encontrou no streaming uma nova maneira de transformar velocidade em negócio. Desde a estreia de Formula 1: Drive to Survive, em 2019, a categoria passou a alcançar uma audiência mais jovem e a ampliar sua presença fora das pistas. O movimento ocorre paralelamente ao crescimento financeiro da modalidade, que registrou receita de US$ 3,873 bilhões em 2025, segundo dados da Liberty Media, controladora da Fórmula 1.
O valor representa alta de 14% em relação aos US$ 3,411 bilhões registrados em 2024. No mesmo período, o lucro operacional da Fórmula 1 passou de US$ 492 milhões para US$ 632 milhões, crescimento de 28%. O Adjusted OIBDA, indicador utilizado pela Liberty Media para medir o desempenho operacional, chegou a US$ 946 milhões, 20% acima do resultado de 2024. O crescimento não depende de uma única fonte. Em 2025, os direitos de mídia representaram 31,3% da receita total da Fórmula 1, enquanto a promoção das corridas respondeu por 26,7% e os patrocínios, por 21,7%. Outras receitas, que incluem hospitalidade, licenciamento e frete, representaram 20,3%.
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É nesse cenário que o papel da Netflix ganha relevância. Ao anunciar Drive to Survive, em 2019, a própria plataforma apresentou a Fórmula 1 como um negócio de bilhões de dólares e destacou que a produção levaria o público aos bastidores de um universo que, até então, era mais restrito aos fãs da modalidade.
O sucesso da produção continua. Nesta segunda-feira (24) a Netflix confirmou a renovação de Drive to Survive para a 9ª temporada. A nova leva de episódios acompanhará os bastidores da temporada de Fórmula 1 de 2026 e tem previsão de lançamento para 2027. A continuidade da série reforça o espaço que a produção conquistou na estratégia de expansão da categoria. Desde a estreia, Drive to Survive ajudou a aproximar a Fórmula 1 de um público que não acompanhava o campeonato com a mesma intensidade, especialmente entre os fãs mais jovens.
O alcance da série acompanhou a transformação do perfil do público. Segundo dados publicados pela própria Fórmula 1, a idade média dos fãs da categoria caiu de 36 para 32 anos. Entre 2018 e 2022, a audiência das transmissões cresceu 44% entre torcedores de até 35 anos. O número de seguidores da categoria nas redes sociais também ultrapassou 60 milhões, com crescimento de 29% em um ano.
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A expansão da audiência tem reflexos no mercado. Para uma modalidade cuja receita depende de direitos de transmissão, patrocínios e promoção de corridas, conquistar novos fãs significa ampliar o público potencial para diferentes produtos comerciais. A Liberty Media informou que, em 2025, o crescimento dos patrocínios foi impulsionado por novos parceiros, reajustes de contratos existentes e expansão da publicidade digital. Já as receitas de mídia avançaram com aumentos contratuais, crescimento das assinaturas do F1 TV e receitas relacionadas ao filme F1.
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Siga o Times | CNBCOs Estados Unidos são um dos principais exemplos dessa expansão. A popularização da categoria no mercado americano coincidiu com o sucesso de Drive to Survive e com a ampliação da presença da Fórmula 1 no país. O Grande Prêmio de Las Vegas, realizado pela própria Fórmula 1, tornou-se uma propriedade importante dentro dessa estratégia. Em 2025, a corrida teve mais de 300 mil espectadores durante o fim de semana e registrou 1,8 bilhão de impressões nas redes sociais, além de contar com novos patrocinadores.
A etapa de Las Vegas também demonstra como o crescimento da audiência pode ser convertido diretamente em receita. Por ser promovido pela própria Fórmula 1, o evento permite que a categoria reconheça receitas de ingressos, patrocínio e hospitalidade. Em 2025, a receita de outras atividades da F1 também cresceu, impulsionada por hospitalidade, licenciamento e novas atividades no Grand Prix Plaza, em Las Vegas.
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A Netflix, portanto, não pode ser apontada isoladamente como responsável pelo aumento do faturamento da Fórmula 1. Os resultados financeiros da categoria são consequência de diferentes fatores, como contratos de mídia, patrocínios, taxas de promoção das corridas e receitas de hospitalidade e licenciamento. O que Drive to Survive fez foi atuar em outra frente: transformar os bastidores do campeonato em entretenimento e aproximar a categoria de um público que antes estava menos envolvido com o esporte.
O efeito comercial dessa mudança aparece no tamanho atual do negócio. Em 2025, a Fórmula 1 registrou 6,75 milhões de espectadores presenciais, alta de 4% em relação ao ano anterior, enquanto a audiência ao vivo cresceu 21%. Ao mesmo tempo, a receita chegou ao maior patamar registrado pela Liberty Media, mostrando que o crescimento da base de fãs acontece junto com a expansão das fontes de monetização.
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Mais do que uma série documental, Drive to Survive tornou-se parte da estratégia de comunicação de um esporte que passou a disputar espaço também no mercado de entretenimento. A renovação para uma 9ª temporada mostra que a parceria com a Netflix continua sendo uma das frentes dessa estratégia, enquanto a combinação entre novos fãs, maior exposição internacional e expansão comercial ajuda a transformar a Fórmula 1 em um produto cada vez mais valioso dentro e fora das pistas.
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