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Correios precisam se reinventar para evitar novos prejuízos, diz economista
Publicado 24/04/2026 • 18:12 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 24/04/2026 • 18:12 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Os Correios precisam rever seu modelo de negócios e usar a capilaridade nacional para oferecer novos serviços. É o que defende Roberto Troster, economista e sócio da Troster & Associados, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, o avanço do prejuízo da estatal reflete uma estrutura rígida, que não acompanhou a digitalização da comunicação nem a transformação do mercado global de entregas.
“O correio não se modernizou e continua insistindo no mesmo modelo enquanto a sociedade mudou; agora se escreve menos cartas e quase tudo é digital”, disse.
Leia também: Correios ampliam prejuízo para R$ 8,5 bilhões e acendem debate sobre futuro da estatal
Troster afirmou que a empresa enfrenta uma concorrência cada vez mais forte de companhias privadas, que atuam com mais velocidade nas rotas de maior rentabilidade. Na avaliação dele, isso pressiona a estatal, que mantém a obrigação de atender localidades menos lucrativas e com maior custo logístico.
“Empresas como a DHL e a Lalamove estão destruindo o potencial do correio porque entregam pacotes rapidamente nas cotas mais lucrativas”, afirmou.
Para o economista, a resposta não deve se limitar ao corte de despesas. Ele disse que demissões podem produzir alívio contábil de curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural se vierem acompanhadas de piora no serviço e queda de receita.
“Mandar gente embora dá uma ilusão de baixar custos, mas reduz a qualidade e a receita”, disse.
Na avaliação de Troster, os Correios deveriam transformar sua presença em praticamente todos os municípios em um ativo estratégico. A estatal, segundo ele, poderia ampliar a oferta de serviços, buscar novas receitas e formar parcerias com empresas de tecnologia e logística.
“O correio tem agências em quase todos os municípios e deveria pensar em outros usos para essa estrutura, adicionando serviços que hoje não são oferecidos e buscando parcerias com empresas de tecnologia de entrega”, afirmou.
Troster também disse que a privatização pode ser uma alternativa, mas não deve ser tratada como solução automática. Para ele, a eficiência depende mais do desenho de gestão, regulação e incentivos do que da natureza jurídica da empresa.
“Dá para os Correios se reinventarem sem privatizar, como fazem a Embrapa ou a Embraer”, disse.
O economista afirmou que uma eventual privatização precisaria ser bem regulada para evitar a concentração apenas nas áreas lucrativas do negócio.
“Privatizar pode ser uma solução, mas, se não for bem regulado, o comprador ficará com a parte boa e abandonará os municípios do interior, onde a logística é mais complicada e deficitária”, afirmou.
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Troster defendeu ainda uma atualização do conceito de universalização dos serviços postais. Segundo ele, o país precisa discutir quais serviços continuam essenciais em um ambiente de comunicação digital e comércio eletrônico.
“É preciso discutir o que é essencial hoje e como o correio pode diminuir a distância de comunicação entre os grandes centros e as localidades mais longínquas”, disse.
Para o economista, sem uma mudança de estratégia, a tendência é de deterioração adicional dos resultados. “Se não mudar a maneira de atuar, no próximo ano o prejuízo será ainda maior, pois insistir no erro gera resultados previsíveis”, afirmou.
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