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Crise da Marisa: entenda o principal motivo da pressão financeira
Publicado 30/08/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 30/08/2026 • 12:00 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Divulgação
A Marisa encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 68,4 milhões, revertendo o lucro de R$ 2,1 milhões registrado no mesmo período de 2025. O resultado reacendeu dúvidas sobre a situação financeira da varejista, mas o balanço mostra que o principal problema está no endividamento e no custo da dívida, e não necessariamente na operação das lojas.
Apesar do prejuízo, indicadores operacionais apresentaram melhora no período. A companhia aumentou o Ebitda, ampliou a margem bruta, reduziu despesas e registrou crescimento nas vendas digitais. O cenário, portanto, combina pressão financeira com sinais de recuperação operacional.
Leia também: Marisa: veja a linha do tempo da crise da varejista
O principal ponto de atenção no balanço está no endividamento da Marisa. A dívida líquida chegou a R$ 394,8 milhões no fim de junho, alta de 42,4% em relação a dezembro de 2025.
Com o aumento da dívida, a alavancagem financeira da companhia passou de 0,8 vez para 1,4 vez. A parcela dos compromissos classificados no longo prazo também aumentou, de 41% para 62%.
Segundo a companhia, a mudança ocorreu após uma reorganização da estrutura financeira, que incluiu a antecipação de compromissos e a contratação de novos financiamentos.
O impacto aparece diretamente no resultado financeiro. No segundo trimestre, a Marisa registrou resultado financeiro negativo de R$ 106 milhões, uma piora de 57,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na prática, o custo da dívida consumiu boa parte dos ganhos obtidos pela operação. O Ebitda pré-IFRS 16 foi de R$ 36,1 milhões no trimestre, enquanto o resultado financeiro negativo chegou a quase três vezes esse valor.
Leia também: Marisa aumenta dívida em 42% e vê custo financeiro disparar; entenda
Apesar da pressão financeira, os indicadores operacionais apresentaram melhora no trimestre.
O Ebitda pré-IFRS 16 chegou a R$ 36,1 milhões, alta de 89,9% em relação ao segundo trimestre de 2025. O indicador mostra que a operação da empresa apresentou geração de resultado antes dos efeitos financeiros e contábeis.
A receita líquida consolidada caiu 2,1%, para R$ 386,2 milhões. No entanto, considerando apenas as lojas em operação há mais de 12 meses, houve crescimento de 3,2%, para R$ 379,4 milhões.
Sem o impacto da Copa do Mundo, segundo a companhia, essa alta teria sido de 5,3%. Os jogos reduziram o fluxo de consumidores, especialmente em shopping centers que encerraram as atividades mais cedo.
Ainda assim, as vendas das mesmas lojas acumulam crescimento de 24,6% em dois anos, indicando uma trajetória de recuperação da operação.
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Siga o Times | CNBCA margem bruta também apresentou melhora. O lucro bruto das mesmas lojas cresceu 5,2%, para R$ 194,6 milhões, enquanto a margem alcançou 51,3%, recorde para a companhia.
Entre as categorias, os produtos de inverno tiveram crescimento de 7,2% nas vendas. Moda íntima avançou 6,7%, enquanto a categoria feminina cresceu 4,8%.
Outro ponto positivo do balanço foi a redução das despesas. Os gastos gerais e administrativos caíram 10,9%, para R$ 36,8 milhões. No primeiro semestre, a redução acumulada chegou a 14%.
A empresa atribui o desempenho a renegociações de contratos e mudanças na base de fornecedores. O planejamento do sortimento também busca reduzir rupturas, melhorar o giro dos produtos, diminuir remarcações e ampliar as margens.
No digital, as vendas cresceram 13,1% no trimestre, impulsionadas por novas parcerias e pela expansão do marketplace.
A integração entre os canais físico e digital aumentou mais de 20%. Já o cartão Marisa terminou junho com 1,1 milhão de unidades ativas, respondendo por 26% das vendas.
Os investimentos em tecnologia também cresceram 23,9%, para R$ 2,3 milhões.
O balanço mostra que o principal desafio da Marisa está na estrutura financeira. A empresa conseguiu melhorar indicadores importantes da operação, mas o aumento da dívida elevou o custo dos financiamentos e pressionou o resultado final.
O prejuízo de R$ 68,4 milhões chama atenção porque representa uma reversão do lucro registrado um ano antes. Porém, o resultado não deve ser analisado isoladamente.
De um lado, a companhia enfrenta dívida maior, alavancagem crescente e resultado financeiro negativo de R$ 106 milhões. De outro, apresenta crescimento do Ebitda, melhora da margem bruta, redução de despesas e avanço nas vendas digitais.
Por isso, os dados do segundo trimestre não permitem afirmar que a Marisa esteja falindo. O cenário é de uma varejista financeiramente pressionada, mas com sinais de recuperação operacional.
O principal desafio para os próximos trimestres será justamente transformar essa melhora da operação em geração de caixa suficiente para reduzir o endividamento e, principalmente, diminuir o peso das despesas financeiras sobre o resultado.
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