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Companhias milionárias e com mais de 30 anos de mercado lideram pedidos de recuperação judicial no Brasil

Publicado 30/08/2026 • 07:01 | Atualizado há 5 horas

KEY POINTS

  • Do total de 31.773 empresas mapeadas no período, 24.544 compõem a categoria de médio e grande porte.
  • O estudo identifica 9.964 organizações com faixa etária entre 30 e 50 anos, além de 10.311 companhias com mais de meio século de existência.
  • 837 empresas envolvidas faturam acima de R$ 1 bilhão por ano, enquanto outras 3.517 movimentam entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões anuais.
Recuperação Judicial

Montagem

A recuperação judicial no Brasil reúne grandes empresas, com faturamento milionário e com mais de 30 anos de mercado. Um levantamento da Predictus, abrangendo dados processuais de 2015 ao início de 2025, aponta que companhias de médio e grande porte, com décadas de história e faturamento bilionário, respondem por uma fatia expressiva dos pedidos de proteção contra credores no país.

Do total de 31.773 empresas mapeadas no período, 24.544 compõem a categoria de médio e grande porte, superando o volume de microempresas (4.676) e de pequeno porte (2.535). Para o CEO da Predictus, Hendrik Eichler, os números ajudam a desconstruir o mito de que o mecanismo atende apenas a empreendimentos recém-criados.

“Os dados mostram que a recuperação judicial não é uma questão restrita às pequenas empresas”, pontua Eichler. “Estamos falando de empresas que enfrentam crises depois de décadas de operação, com estruturas maiores e participação central na economia.”

Leia também: Ações e execuções contra Casas Bahia são suspensas por 180 dias; varejista tenta conter ‘corrida de credores’ contra patrimônio do grupo

Recentemente, Casas Bahia e Habib’s entraram nessa lista. A varejista coleciona uma dívida de mais de R$ 17,3 bilhões. Já a rede de fast food peticionou o pedido na justiça de São Paulo com um passivo de R$ 265,2 milhões.

Longevidade e faturamento bilionário

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O perfil das companhias que recorrem à justiça contraria a lógica de que o tempo de mercado funciona como um escudo contra crises. A idade média das empresas nos processos é de 34,6 anos. O estudo identifica 9.964 organizações com faixa etária entre 30 e 50 anos, além de 10.311 companhias com mais de meio século de existência. Um dos exemplos é o Habib’s, que em 2026 completou 38 anos.

A saúde financeira dessas veteranas tem sido abalada por mudanças estruturais de mercado, choques econômicos e falhas de gestão. O impacto financeiro também impressiona: 837 empresas envolvidas faturam acima de R$ 1 bilhão por ano, enquanto outras 3.517 movimentam entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões anuais. No caso das Casas Bahia, o faturamento líquido da empresa no segundo trimestre de 2026 foi de R$ 6,97 bilhões.

Quando empresas desse porte entram em colapso, o efeito cascata atinge toda a cadeia produtiva, impactando fornecedores, milhares de funcionários — o estudo aponta 672 empresas com mais de 5 mil empregados — e o ecossistema de crédito.

Setores mais afetados e concentração geográfica

No recorte setorial, a indústria lidera o ranking com 7.564 casos de recuperação judicial, seguida de perto pelo varejo, com 6.923 registros. Completam a lista os setores de comunicação (3.441), serviços (3.277) e construção (2.882). No segmento de comunicação, contudo, os números refletem o peso de grandes processos isolados, a exemplo da reestruturação da Oi S.A.

O mapeamento também revela que quase metade das empresas (47,59%) pertence a grupos econômicos, o que eleva drasticamente a complexidade jurídica e exige dos credores uma análise que vá além do CNPJ principal. Geograficamente, a crise corporativa espelha o PIB nacional: São Paulo lidera com 12.747 empresas afetadas, seguido por Rio de Janeiro (6.208), Rio Grande do Sul (3.597), Minas Gerais (2.726) e Paraná (1.339). Juntos, os quatro estados e o Distrito Federal concentram a grande maioria das turbulências judiciais do país.

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