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Data centers podem impulsionar economia do Brasil, mas exigem contrapartidas, diz especialista
Publicado 13/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/08/2026 • 14:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A expansão dos data centers, impulsionada principalmente pela demanda por inteligência artificial, pode gerar investimentos, empregos e desenvolvimento regional no Brasil. No entanto, o funcionamento dos centros exige regras claras para evitar que os custos de infraestrutura e os impactos ambientais sejam transferidos para a população.
Segundo Igor Lopes, colunista de tecnologia e inovação do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o impacto de um data center depende de fatores como localização, tecnologia de refrigeração, disponibilidade de água e matriz energética.
Para o especialista, não é possível estabelecer um único padrão de consumo para essas estruturas. Regiões mais quentes, por exemplo, podem exigir mais água para refrigeração, enquanto diferentes tecnologias alteram a relação entre consumo de água e eletricidade.
Um dos principais pontos da análise é justamente esse equilíbrio. Sistemas que utilizam mais água podem, em determinadas condições, consumir menos energia para refrigeração. Por outro lado, eliminar completamente o uso de água pode aumentar a demanda por eletricidade.
“Eliminar completamente a água não vai significar necessariamente eliminar o impacto ambiental, porque a refrigeração mecânica vai aumentar o consumo de eletricidade”, afirmou.
Leia também: Data centers exigem mais do que energia: Brasil precisa investir também em conhecimento, afirma Dal Pozzo
A expansão da inteligência artificial adiciona uma nova camada ao problema. Segundo Lopes, os data centers voltados à I.A concentram mais capacidade de processamento, o que aumenta a geração de calor e exige sistemas de refrigeração mais eficientes.
Ele destaca que a própria tecnologia vem avançando para reduzir esse impacto. Entre os exemplos citados está um sistema desenvolvido pela Microsoft que utiliza uma placa de refrigeração diretamente sobre o chip.
Na avaliação do especialista, o objetivo é aumentar a eficiência sem necessariamente ampliar na mesma proporção o consumo de recursos.
Lopes também cita uma redução no indicador de consumo de água de determinado sistema, de 0,49 litro por kW em 2021 para 0,3 litro por kW em 2024. O dado e a metodologia de medição precisam ser confirmados antes de serem apresentados como uma estatística geral do setor.
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Siga o Times | CNBCOutro ponto levantado na entrevista é o impacto dos data centers sobre a infraestrutura local. Lopes cita o estado da Virgínia, nos Estados Unidos, onde estão concentradas unidades de empresas como Google, Microsoft e AWS.
Segundo ele, a expansão desses empreendimentos já gera discussões sobre a capacidade da rede elétrica local. Nesse cenário, a instalação de um novo data center pode exigir investimentos adicionais em geração e transmissão de energia.
Para o especialista, uma alternativa seria estabelecer contrapartidas para que os próprios empreendimentos contribuam para a infraestrutura necessária à sua operação. “O governo tem que ter as regras bem definidas para fazer com que não sejam um oba-oba”, afirmou.
Leia também: Intel vê Brasil com “características únicas” para a corrida global de Data Centers e IA
Na avaliação de Lopes, o Brasil tem condições favoráveis para disputar uma parcela dos novos investimentos em data centers, especialmente pelo potencial de geração de energia renovável.
Ele cita o Nordeste como exemplo de região que poderia combinar a instalação de data centers com projetos de geração eólica, além de sistemas de refrigeração mais eficientes e fontes de água adequadas.
A estratégia, porém, dependeria de planejamento e contrapartidas ambientais, governamentais e educacionais.
Além da infraestrutura, o entrevistado destaca a necessidade de mão de obra qualificada. A chegada de data centers pode aumentar a demanda por profissionais especializados e, consequentemente, estimular investimentos em formação tecnológica nas regiões onde os empreendimentos forem instalados. “Eu acho que o Brasil hoje poderia muito surfar nessa onda de novos data centers, desde que eles fossem instalados da maneira correta”, disse.
Para Igor, a disputa por infraestrutura digital tende a exigir cada vez mais eficiência energética e tecnológica. A expansão da I.A aumenta a necessidade de processamento, mas também estimula pesquisas para desenvolver chips e sistemas de refrigeração capazes de operar com menor consumo de recursos.
Leia mais: Expansão dos data centers abre caminho para crescimento da energia limpa no Brasil
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