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Infraestrutura

Data centers exigem mais do que energia: Brasil precisa investir também em conhecimento, afirma Dal Pozzo

Publicado 28/07/2026 • 15:45 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Especialista afirma que o país precisa aproveitar a expansão da inteligência artificial para desenvolver tecnologia própria.
  • Matriz energética limpa é um diferencial competitivo, mas exige planejamento e investimentos em infraestrutura.
  • Estado e iniciativa privada devem compartilhar os custos da expansão do sistema elétrico, defende.

O Brasil precisa transformar a expansão dos data centers em uma oportunidade para fortalecer sua capacidade tecnológica e não apenas ampliar sua infraestrutura física, afirmou nesta terça-feira (28) o advogado especialista em infraestrutura Augusto Dal Pozzo, ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, o avanço da inteligência artificial exige investimentos em energia, infraestrutura e, principalmente, na produção de conhecimento.

“O Brasil não pode virar simplesmente um país que oferece espaço para data centers. Isso é importante, mas o conhecimento produzido por essas estruturas muitas vezes não permanece aqui. Precisamos incorporar também a tecnologia, os algoritmos e a capacidade de inovação”, disse.

Para o especialista, a infraestrutura digital depende de uma base física robusta, e a oferta de energia é um dos principais desafios para que o país acompanhe a corrida global pela inteligência artificial. Na avaliação dele, essa discussão ultrapassa a questão energética e envolve também competitividade geopolítica e desenvolvimento científico.

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Energia limpa é vantagem estratégica

Dal Pozzo destacou que o Brasil reúne condições privilegiadas por contar com uma matriz elétrica predominantemente renovável, característica que pode atrair investimentos de grandes empresas de tecnologia.

“A energia verde brasileira é muito mais qualificada do que aquela produzida por fontes poluentes. Muitas vezes tratamos esse ativo como uma simples commodity, quando ele representa uma vantagem competitiva importante na transição energética global”, afirmou.

Segundo ele, além da expansão da oferta de energia, o país deve incorporar soluções digitais em setores como transporte, logística e concessões públicas, atualizando contratos para acompanhar a evolução tecnológica.

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Expansão deve ser compartilhada

Ao comentar quem deve financiar a ampliação da infraestrutura elétrica necessária para atender aos grandes data centers, Dal Pozzo defendeu uma atuação conjunta entre poder público e empresas privadas.

“O BNDES pode cumprir um papel importante nesse processo, mas as grandes companhias de tecnologia também precisam investir. São empresas que faturam trilhões e devem participar da construção da infraestrutura de que necessitam”, afirmou.

Ele ressaltou que a energia elétrica é um serviço público e, por isso, sua expansão não pode comprometer o abastecimento da população nem elevar os custos para os demais consumidores.

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“Não podemos permitir que um consumo muito elevado provoque um colapso do sistema ou prejudique a universalização do serviço público de energia”, disse.

Proteção ao consumidor

Na avaliação do especialista, grandes consumidores de energia devem buscar soluções próprias de geração sempre que possível, evitando que investimentos privados acabem sendo repassados às tarifas pagas pela população.

“Essas soluções individuais atendem às necessidades das empresas e, ao mesmo tempo, preservam o interesse público e a modicidade tarifária, que é um dos princípios fundamentais do serviço público”, explicou.

Estado deve liderar a inovação

Dal Pozzo também defendeu uma atuação mais ativa do Estado no incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, por meio de parcerias com universidades, institutos de pesquisa e empresas privadas.

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“O desenvolvimento científico, tecnológico e da inovação é um dever previsto na Constituição. O Estado precisa promover alianças estratégicas para transformar investimento em inovação e inovação em benefício para a sociedade”, afirmou.

Para ele, o sucesso da inteligência artificial no Brasil dependerá da capacidade do país de combinar infraestrutura, energia e produção de conhecimento.

“Precisamos investir na infraestrutura das infraestruturas, aquela que permitirá melhorar os serviços públicos, tornar as cidades mais inteligentes e fazer com que a tecnologia gere benefícios concretos para toda a sociedade”, concluiu.

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