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De Bolsa Família a Banco Master: as polêmicas de Ricardo Faria, o “Rei do Ovo”

Publicado 25/02/2026 • 21:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • De empresário do agronegócio a personagem de tensão política, Ricardo Faria passou a figurar em controvérsias envolvendo Bolsa Família, crédito estatal e disputas fundiárias no Matopiba.
  • Empresas ligadas ao “Rei do Ovo” receberam R$ 132 milhões em crédito do BNDES e mais de R$ 60 milhões em crédito rural no Nordeste, segundo levantamentos citados em reportagens, embora o empresário afirme que os financiamentos foram quitados e regulares.
  • Compra de imóvel ligado ao patrimônio de Daniel Vorcaro colocou Faria no entorno da crise do Banco Master, ainda que não haja acusação formal contra o empresário.

Montagem/Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC

Ricardo Faria, o "Rei do Ovo"

Ricardo Faria, o “Rei do ovo”, expandiu seus negócios dentro e fora do Brasil. Ao mesmo tempo, passou a figurar em episódios que envolvem dinheiro público, declarações polêmicas, disputas fundiárias no Matopiba e uma compra milionária ligada ao patrimônio do banqueiro Daniel Vorcaro.

A soma desses acontecimentos desloca o empresário do noticiário de negócios para um terreno mais sensível, onde mercado, Estado e política se cruzam.

O Bolsa Família e a guinada política

As polêmicas começaram após uma fala de Faria durante uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Na ocasião, ele afirmou que beneficiários do Bolsa Família estariam “viciados”, ao comentar dificuldades de contratação.

“Está um desastre no Brasil”, afirmou o empresário. “As pessoas estão viciadas no Bolsa Família. Não temos nem a chance de trazer essas pessoas para treinar e conseguir uma vida melhor, porque elas estão presas no programa”, acrescentou.

A partir daí, a narrativa de crescimento baseada exclusivamente em mérito empresarial passou a dividir espaço com questionamentos sobre o papel do crédito estatal na construção do império do “Rei do ovo”.

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O Estado no caixa

Um levantamento realizado pelo Metrópoles apontou que empresas ligadas a Faria fizeram ao menos 71 operações de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2007 e 2024, totalizando R$ 132 milhões, com predominância de linhas para máquinas e equipamentos.

O empresário sustenta que o peso desse funding seria pequeno no capital total, e que os empréstimos foram quitados.

Além das declarações sobre o Bolsa Família, Faria também já verbalizou frustração com burocracia, custo tributário, “insegurança jurídica” e disse ter transferido a residência fiscal para fora do país. Ele descreveu operar no Brasil como “remar rio acima com cobra e jacaré no caminho” e comparou os EUA a “remar morro abaixo”.

Matopiba

Outro ponto de tensão surgiu em meio a questões ligadas a áreas agrícolas no sul do Piauí, dentro da região conhecida como Matopiba.

Empresas ligadas a Faria, por meio da Terrus S.A., que incorporou ativos da Insolo Agroindustrial, passaram a operar na região após a compra da Insolo em um negócio anunciado como bilionário (R$ 1,8 bilhão).

Reportagens investigativas associaram propriedades vinculadas à operação a áreas com sobreposição de territórios reivindicados por comunidades tradicionais e com registros de embargos ambientais ou questionamentos administrativos.

Também foi noticiado que propriedades na região receberam crédito rural relevante por meio do Banco do Nordeste entre 2022 e 2025, em valores que superam R$ 60 milhões.

No caso mais detalhado nas reportagens, R$ 63 milhões em crédito rural aparecem associados ao custeio de lavouras na Fazenda Esmeralda, registrada em nome da Damha Agronegócios, com menção a contrato de arrendamento de 585 hectares firmado com a Terrus/Insolo.

As empresas envolvidas afirmam que as aquisições e arrendamentos foram realizados com base em títulos válidos e que disputas territoriais seguem em discussão judicial ou administrativa, sem decisão definitiva que invalide posse ou titularidade.

Não há condenação judicial relacionada às operações.

Ainda assim, atuar em uma das regiões mais sensíveis do agronegócio brasileiro adiciona risco reputacional a um grupo que hoje opera em mercados internacionais atentos a critérios ambientais, sociais e de governança.

Leia também: Triplex milionário liga o “Rei do ovo” ao banqueiro Daniel Vorcaro

O episódio Master

Mais recentemente, o nome do empresário apareceu em outra frente.

Conforme revelado pelo UOL, uma offshore ligada a Faria comprou, por R$ 50 milhões, um triplex de 914 metros quadrados no Itaim Bibi, imóvel que pertencia a empresa associada ao patrimônio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

A compra ocorreu semanas antes da liquidação do banco pelo Banco Central e da intensificação das investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas como gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com bloqueio de bilhões de reais autorizado pelo Supremo Tribunal Federal.

Não há acusação formal contra Faria relacionada à transação.

Mas, em um cenário de crise bancária e investigação de grande escala, o timing e a estrutura da operação colocaram o empresário no entorno de uma das maiores turbulências do sistema financeiro nacional.

Procurado pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o empresário Ricardo Faria ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

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