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Alta de imposto sobre importados pressiona custos e divide mercado
Publicado 24/02/2026 • 12:25 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 24/02/2026 • 12:25 | Atualizado há 8 meses
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A decisão do governo federal de elevar o Imposto de Importação sobre mais de 1.200 produtos reacendeu o debate sobre o papel das tarifas na política industrial brasileira. A medida, formalizada pela resolução Gecex nº 852, estabelece alíquotas que variam de 7,2% a 25% e atinge principalmente máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia.
Para a Associação Brasileira dos Importadores (ABIMP), a iniciativa tem caráter predominantemente extrafiscal e pode gerar efeitos imediatos sobre preços, custos e fluxo de caixa, sem garantir, por si só, aumento da capacidade produtiva doméstica.
Na prática, segundo a entidade, a elevação das tarifas tende a encarecer o abastecimento e pressionar cadeias produtivas, especialmente em setores que dependem de insumos importados. Um exemplo citado é o aumento da alíquota de smartphones, que passou de 16% para 20% em fevereiro de 2026, com impacto direto no preço final e no planejamento das empresas.
A avaliação é que, em segmentos com baixa oferta nacional, o repasse de custos ao longo da cadeia é praticamente inevitável, atingindo tanto o setor produtivo quanto o consumidor.
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Do lado da equipe econômica, a medida é vista como resposta ao avanço das importações e ao risco de perda de espaço da indústria brasileira.
Em 2025, o país importou cerca de US$ 75 bilhões em bens de capital e tecnologia, e os produtos estrangeiros já representam 45% do consumo de máquinas e equipamentos e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações.
Para o Ministério da Fazenda, esse nível de dependência é elevado e pode comprometer a estrutura produtiva nacional. A estratégia, segundo o governo, é “reequilibrar preços relativos” entre produtos nacionais e importados, reduzindo a vantagem competitiva externa e estimulando a produção local.
A política também está alinhada ao programa Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer setores considerados estratégicos em um cenário global mais protecionista.
Leia também: Novas tarifas dos EUA entram em vigor com taxa inicial de 10%, abaixo do esperado
Apesar do objetivo industrial, a ABIMP alerta que a medida pode gerar efeitos em cascata sobre produtividade, inovação e decisões de investimento.
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Siga o Times | CNBCComo grande parte dos itens afetados envolve bens intermediários e equipamentos, o aumento de custos tende a reduzir margens e impactar a competitividade, inclusive no mercado externo.
Em cadeias globais integradas, a elevação de tarifas também pode aumentar prazos e incertezas, afetando planejamento e eficiência das empresas.
Entidades do setor de tecnologia reforçam essa preocupação. Em nota, a Associação Brasileira das Empresas de Software destacou que a tecnologia da informação é uma infraestrutura transversal, que sustenta todos os setores da economia.
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Para mitigar impactos, o governo manteve instrumentos como o ex-tarifário, que permite reduzir ou zerar o imposto para produtos sem fabricação nacional. Também seguem válidos regimes especiais como Repetro, Recof e drawback, usados por setores intensivos em investimento.
Esses mecanismos funcionam como um amortecedor, permitindo preservar projetos estratégicos mesmo com a elevação das tarifas.
A mudança marca uma inflexão na estratégia brasileira, que vinha reduzindo tarifas nos últimos anos. Agora, o país volta a utilizar o instrumento como ferramenta de política industrial.
O movimento ocorre em meio à queda do superávit comercial e ao aumento do déficit externo, reforçando a preocupação com a competitividade.
Para o mercado, o tema reabre um debate histórico: proteger a indústria nacional ou preservar eficiência e custos competitivos.
No curto prazo, a medida deve redesenhar preços e estratégias empresariais. No longo prazo, o desafio será transformar a proteção tarifária em ganho real de produtividade e capacidade industrial.
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