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Gasolina com mais etanol: entenda o que muda com o E32 a partir deste sábado (1º)
Publicado 31/07/2026 • 12:10 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 31/07/2026 • 12:10 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash
A expectativa em torno da aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32%, o chamado E32, tem impulsionado as negociações envolvendo o combustível, aponta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O tema reacendeu o debate sobre os impactos da medida para consumidores, empresas e para a economia brasileira.
🔍 CNPE: órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia responsável por formular a política energética nacional, incluindo as regras de mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel.
Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de experiência em inteligência tributária para o varejo, explica a proposta do governo com essa mudança.
“É uma medida polêmica. Do ponto de vista do governo, a ideia é usar mais etanol produzido no Brasil e menos gasolina importada. O governo diz que isso pode reduzir a necessidade de importação em cerca de 500 milhões de litros por mês, fortalecer a produção nacional e dar mais segurança energética ao país. Para o setor sucroalcooleiro e para parte do agro, é uma boa notícia. Aumenta a demanda por etanol, gera mercado e reduz dependência externa. Mas para o consumidor, a pergunta é outra: isso vai baratear de verdade ou só vai fazer o carro render menos?”, pontua Tonegutti.
A mistura do etanol está em 30% (E30), percentual alcançado com a sanção da Lei do Combustível Futuro, em 2024, que passou a prever teto de 35% para a mistura obrigatória de etanol e de 25% para o biodiesel. Para chegar aos 30%, o governo federal organizou uma bateria de testes ao longo de 2025 para demonstrar a viabilidade do aumento, etapa que não será repetida desta vez.
Segundo o governo, a estimativa é de redução de até 3 centavos por litro na gasolina com a chegada do E32, neste sábado (1º). Não se trata, porém, de promessa nem de obrigação de repasse por parte das distribuidoras e postos.
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Siga o Times | CNBCNa prática, a resposta é não. A grande probabilidade é que, por uma diferença de poucos centavos, os postos não alterem os preços praticados. O efeito da mudança é adicionar mais etanol a cada litro de gasolina, o que reduz a participação do petróleo na composição do combustível.
O objetivo central não é diminuir o preço, mas evitar que ele suba com a mesma intensidade das variações do petróleo. Com menos petróleo em cada litro, a gasolina brasileira fica menos suscetível a oscilações do mercado internacional. Há ainda um segundo efeito: o estímulo à produção interna de etanol, em substituição a um insumo importado.
“Não dá para dizer que todo motor vai quebrar. Isso seria alarmismo. Mas também não dá para dizer que não existe risco nenhum. Mais etanol na gasolina significa menor poder energético por litro. Então o carro pode rodar um pouco menos com a mesma quantidade de combustível. E a preocupação é maior em motos, carros antigos, importados e veículos que não foram projetados para uma mistura tão alta. Por isso, a conta certa para o consumidor não é só olhar o preço do litro. É olhar o custo por quilômetro rodado. Se o litro cai, mas o carro rende menos, o ganho pode desaparecer”, ressalta Tonegutti.
A maior parte dos veículos flex já está preparada para qualquer proporção entre gasolina e álcool. O problema está nos carros não flex: um estudo com apenas 13 veículos não identificou problemas imediatos, mas não avaliou efeitos de longo prazo em mangueiras, juntas e vedações. Donos de carros clássicos e carburados precisam consultar o manual do veículo e acompanhar de perto o estado dessas peças.
“A Selic começou a cair. O petróleo deu uma ajuda. Isso é positivo. Mas o consumidor só vai sentir melhora real quando isso aparecer em três lugares: crédito menos caro, combustível com bom custo por quilômetro e inflação mais comportada no supermercado e nos serviços. A grande pergunta é: vai sobrar mais dinheiro no fim do mês ou não? Porque, para o consumidor, no final, é isso que importa”, enfatiza Tonegutti.
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