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Energia solar brasileira escapa das tarifas de Trump por causa da China
Publicado 04/06/2026 • 15:09 | Atualizado há 48 minutos
Publicado 04/06/2026 • 15:09 | Atualizado há 48 minutos
KEY POINTS
A ameaça de sobretaxas americanas de até 37,5% sobre produtos brasileiros acendeu o sinal de alerta em vários setores da economia. No campo da energia, porém, o impacto deve ser assimétrico. Para André Pereira, doutor em energia pelo Instituto de Energia e Ambiente da USP, a energia solar fotovoltaica brasileira tem uma blindagem natural contra as tarifas de Trump: ela depende quase que exclusivamente da China, não dos Estados Unidos.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta quinta-feira (4), Pereira explicou que a China produz mais de 90% dos painéis solares comercializados no mundo e domina toda a cadeia logística do setor. “As tarifas americanas, num primeiro momento, não teriam impacto nessa oferta brasileira”, afirmou o especialista.
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O raciocínio é direto. Se os painéis que abastam o mercado brasileiro vêm da China e as tarifas americanas miram produtos chineses que seguem para os EUA, o fluxo que abastece o Brasil permanece fora do alcance direto da política de Washington.
Há ainda um efeito colateral que pode beneficiar o setor no país. Com mais restrições para vender aos Estados Unidos, fabricantes chineses podem redirecionar parte da produção para outros mercados, pressionando os preços para baixo. “Pode dar um novo impulso ao setor solar brasileiro”, avaliou Pereira.
Esse cenário se soma a um momento de expansão consistente. Segundo dados da Absolar citados durante a entrevista, o Brasil acumula R$ 313 bilhões em investimentos no setor, 2,1 milhões de empregos gerados e 4,37 milhões de unidades de geração distribuída instaladas. A energia solar já responde por mais de 20% da matriz elétrica brasileira, num crescimento que se mantém exponencial há pelo menos uma década.
O quadro muda quando o assunto é biocombustíveis. Pereira aponta esse setor como a principal vítima potencial das sobretaxas americanas, justamente porque boa parte da sua cadeia produtiva passa pelo agronegócio brasileiro, um dos alvos diretos das tarifas de Trump.
O Brasil firmou nos últimos anos parcerias relevantes com Estados Unidos e Índia para ampliar a exportação de biocombustíveis. Parte da estratégia brasileira de inserção na economia de baixo carbono passa por essa expansão. Uma sobretaxa de até 37,5% comprometeria esse plano, com impacto mais visível no setor sucroenergético do interior de São Paulo.
“O setor de biocombustíveis acabaria sendo a principal vítima”, disse Pereira, ponderando que boa parte da produção ainda abastece o mercado interno, o que limita, mas não elimina, o estrago.
Pereira vê o Brasil como um país estruturalmente reativo às oscilações da política energética internacional, oscilando entre avanços e recuos enquanto União Europeia e China avançam com mais consistência rumo à descarbonização.
O pêndulo americano agrava esse quadro. A gestão Joe Biden incentivou renováveis com o Ato de Redução da Inflação. O retorno de Trump reverteu parte dessas medidas. O Brasil, inserido no espaço geopolítico americano na América Latina, absorve essas oscilações com mais intensidade do que outros países.
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Seguir no Google“O Brasil acaba sendo mais vulnerável e mais reativo às medidas dos Estados Unidos”, resumiu o especialista, sinalizando que a proteção natural do setor solar não elimina a necessidade de o país construir uma política energética menos dependente do humor de Washington.
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