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Navio movido a etanol faz primeiro teste no Brasil; adoção em larga escala depende de mudanças na frota
Publicado 20/07/2026 • 20:06 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/07/2026 • 20:06 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O primeiro teste com um navio abastecido com etanol produzido no Brasil representa um passo importante para ampliar o uso do biocombustível no transporte marítimo, mas a adoção em larga escala dependerá da renovação da frota mundial e de investimentos em infraestrutura, afirmou nesta segunda-feira (20) Maurício Muruci, analista de açúcar e etanol da Safras & Mercado, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“No curto prazo ainda não é viável. Esse navio está em fase de testes, mas é um primeiro movimento para uma mudança global na matriz de combustíveis da navegação”, disse.
Segundo Muruci, embora a operação realizada a partir do Porto de Santos ainda tenha caráter experimental, ela inaugura uma nova possibilidade para a indústria brasileira de biocombustíveis, em um momento em que o setor marítimo busca alternativas para reduzir as emissões de carbono.
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O analista destacou que o Brasil reúne condições para ampliar a oferta de etanol sem comprometer o abastecimento doméstico.
De acordo com Muruci, o país já consome cerca de 20 bilhões de litros de etanol hidratado e aproximadamente 13 bilhões de litros de etanol anidro, volume que poderá aumentar com a ampliação da mistura obrigatória na gasolina.
Mesmo assim, ele afirma que há espaço para atender uma futura demanda da navegação internacional.
“O Brasil tem capacidade para abastecer o mercado interno e também essa nova fronteira de consumo representada pelos navios”, afirmou.
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Na avaliação do especialista, o país ocupa posição estratégica não apenas pela produção de etanol de cana, mas também pela oferta de outros combustíveis renováveis.
Muruci explicou que, nesta fase inicial, o principal objetivo dos testes não é comparar o etanol com outros combustíveis marítimos renováveis, mas comprovar o desempenho técnico da tecnologia.
Segundo ele, o diferencial do combustível brasileiro está na baixa pegada de carbono do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. “A principal demanda desse mercado é por combustíveis com baixa emissão de carbono, e nesse aspecto o etanol de cana possui uma vantagem importante”, destacou.
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Ele observou ainda que o etanol produzido a partir do milho nos Estados Unidos apresenta desempenho ambiental inferior ao combustível brasileiro.
O analista acredita que a expansão do etanol na navegação exigirá adaptações graduais tanto nos navios quanto nos portos.
Segundo Muruci, a tendência é que futuras embarcações já sejam construídas com motores preparados para utilizar diferentes tipos de combustíveis, incluindo o etanol.
Ele acrescentou que o teste realizado nesta semana apresentou desempenho compatível com as expectativas. “Foi um teste inicial, mas o desempenho ficou dentro do esperado e mostrou que o etanol tem potencial para se tornar uma alternativa energética para o transporte marítimo”, afirmou.
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Muruci ressaltou que o principal concorrente do Brasil nesse segmento continua sendo os Estados Unidos, maior produtor e exportador mundial de etanol.
Apesar disso, ele destacou que o parque industrial brasileiro possui capacidade ociosa estimada entre 40% e 50%, o que permitiria ampliar significativamente a produção caso a demanda internacional cresça.
Segundo o analista, o principal desafio atualmente não é aumentar a oferta, mas desenvolver novos mercados consumidores, já que as exportações brasileiras ainda representam uma pequena parcela da produção nacional.
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“Capacidade produtiva o Brasil tem. O que ainda falta é ampliar o mercado internacional para que essa produção adicional encontre compradores”, concluiu.
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