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Energia

IA amplia demanda por energia e impulsiona investimentos em infraestrutura

Publicado 03/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 4 meses

KEY POINTS

  • A expansão da inteligência artificial está elevando de forma inédita a demanda por energia elétrica e acelerando investimentos em infraestrutura, geração e data centers.
  • O crescimento dos data centers amplia o consumo de energia e coloca o Brasil em posição favorável para receber novos investimentos graças à sua matriz elétrica predominantemente limpa.
  • Segundo o especialista, o sistema elétrico brasileiro reúne condições para atender ao avanço da IA, mas os novos empreendimentos precisam ser instalados em regiões com infraestrutura já disponível.

A expansão da inteligência artificial está criando um desafio inédito para o setor elétrico ao elevar significativamente a demanda por energia e exigir novos investimentos em infraestrutura, afirmou Marcos Barretto, professor da Fundação Vanzolini, em entrevista nesta sexta-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo ele, o volume de processamento exigido pelas ferramentas de IA não encontra paralelo em outras revoluções tecnológicas recentes.

“A inteligência artificial exige uma quantidade enorme de cálculos, muito maior do que aplicações convencionais, como bancos de dados“, afirmou. Para o professor, o crescimento da IA inaugura uma demanda energética sem precedentes, impulsionada principalmente pelos data centers.

Os centros de processamento concentram o maior consumo de energia associado à inteligência artificial. Além da eletricidade, eles também utilizam água para refrigeração, embora Barretto ressalte que o principal insumo continua sendo a energia elétrica.

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Brasil ganha oportunidade

Segundo o especialista, o Brasil reúne condições favoráveis para atrair investimentos em data centers, graças à sua matriz elétrica predominantemente renovável.

Ele explicou que, em um ambiente digital, o processamento de dados pode ocorrer em qualquer parte do mundo. Assim, serviços utilizados em países como a Inglaterra podem ser executados em servidores instalados no Brasil.

“O Brasil tem uma janela de oportunidade para hospedar essas cargas por conta da sua matriz energética bastante limpa“, afirmou.

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Na avaliação de Barretto, o crescimento da inteligência artificial ainda está no início, o que indica uma expansão contínua da demanda por processamento e, consequentemente, por energia.

Infraestrutura elétrica

Para atender ao avanço dos data centers, o professor afirmou que o país já possui regiões mais preparadas para receber novos empreendimentos.

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Ele destacou áreas próximas às grandes linhas de transmissão e polos com forte geração de energia, como regiões do Rio Grande do Sul e do Ceará, especialmente nos arredores de Fortaleza, favorecidas pela expansão da energia solar.

Segundo Barretto, a estratégia das empresas é instalar os centros de processamento próximos à infraestrutura existente, reduzindo custos e acelerando a entrada em operação. “Se você quiser instalar em qualquer lugar, não vai dar muito certo, porque construir essa infraestrutura leva tempo e tem um custo elevado“, explicou.

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O professor acrescentou que a expansão da oferta de energia deverá ocorrer principalmente por meio de fontes renováveis, como os parques eólicos e as usinas solares, cuja implantação é mais rápida do que grandes projetos hidrelétricos.

Consumo crescente

Barretto também destacou que o crescimento da IA aumenta a competição pelo uso da energia elétrica, especialmente em um cenário de temperaturas mais elevadas e maior utilização de sistemas de refrigeração.

Segundo ele, embora o consumo dos data centers concorra com outras demandas, como o uso de aparelhos de ar-condicionado, o Brasil ainda apresenta uma vantagem em relação a outros países, já que o consumo residencial para refrigeração é relativamente menor em boa parte do território. “Se eu estou usando energia para isso, não estou usando para aquilo. Há, sim, uma concorrência“, afirmou.

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Ao mesmo tempo, o especialista ressaltou que a expansão da infraestrutura digital exige atenção aos impactos ambientais, principalmente porque o calor gerado pelos centros de processamento precisa ser dissipado.

“Não há como deter o progresso, mas é preciso manter um olhar atento para as questões climáticas“, concluiu.

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