Itaipu passou de uma das energias mais caras das distribuidoras para uma das mais baratas após quitar sua dívida em 2023.
Usina ganhou papel estratégico para atender o sistema quando fontes intermitentes, como solar e eólica, reduzem a geração.
Energia de Itaipu entra no portfólio das distribuidoras abaixo do custo médio e contribui para conter reajustes, afirma diretor.
A Itaipu passou a contribuir para conter a tarifa de energia do consumidor brasileiro depois de quitar sua dívida e reduzir significativamente o custo de sua geração, afirmou André Pepitone, diretor financeiro executivo da Itaipu, em entrevista nesta sexta-feira (18) durante o Lawinfra Summit Brasília 2026, evento em parceria com o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo Pepitone, a hidrelétrica atravessa uma mudança tanto no papel desempenhado no sistema elétrico quanto em sua contribuição econômica. Se nas décadas de 1980 e 1990 a usina chegou a responder por quase 30% do abastecimento brasileiro, a diversificação da matriz alterou essa função.
“Itaipu vive um novo momento. A gente fez 50 anos recentemente e vive um novo momento na empresa e na sociedade brasileira”, afirmou.
Itaipu ganha novo papel com avanço de solar e eólica
Com a expansão de outras fontes, Itaipu passou a ter uma função relevante na segurança e na estabilidade do sistema, principalmente nos períodos em que a produção das fontes intermitentes diminui.
“A Itaipu, hoje, tem um papel de garantir a segurança e a interoperabilidade do sistema. Itaipu presta um serviço ancilar super-relevante na hora que as fontes renováveis, as fontes intermitentes, saem do sistema”, explicou.
Pepitone afirmou que solar e eólica representam atualmente cerca de 40% da potência instalada do país. A característica dessas fontes cria momentos nos quais outras usinas precisam responder rapidamente à mudança na oferta.
“Quando o sol se põe, a partir das 17 horas, você tem uma rampa que Itaipu consegue atender, essa demanda do sistema, e oferece toda a segurança para o consumidor brasileiro”, disse.
Dívida quitada mudou custo da energia
Na frente econômico-financeira, Pepitone destacou uma transformação ocorrida depois de 28 de fevereiro de 2023, quando foi quitada a dívida de Itaipu. Até então, segundo ele, a energia da usina estava entre as mais caras do portfólio das distribuidoras.
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“Desde quando a sua dívida foi quitada, em 28 de fevereiro de 2023, a energia de Itaipu passou a ser hoje uma das mais baratas do portfólio das distribuidoras de energia”, afirmou.
O executivo comparou o valor da energia de Itaipu com o ACR médio, indicador do custo de aquisição de energia para atender os consumidores regulados pelas distribuidoras. Segundo ele, esse valor médio supera R$ 300.
Pepitone citou como exemplo um dos reajustes tarifários mais recentes no Paraná, no qual a energia de Itaipu entrou no portfólio da concessionária por R$ 207, abaixo do ACR médio e também do valor associado às antigas usinas cotistas.
“Itaipu está promovendo modicidade tarifária. Se a gente fizer uma análise dos últimos reajustes tarifários, a parcela de Itaipu tem ajudado bastante o consumidor, puxando essa tarifa para baixo, fazendo com que esse aumento seja menor”, destacou.
Diálogo busca segurança para investimentos
Pepitone também ressaltou a importância de aproximar o Judiciário dos diferentes agentes responsáveis pela governança do setor elétrico, incluindo reguladores, planejadores, operadores e agentes de comercialização.
“O Lawinfra se destaca no setor justamente por promover essa sinergia entre o Poder Judiciário e a governança do setor elétrico”, afirmou.
Para o diretor, reunir esses diferentes agentes permite identificar obstáculos e buscar soluções capazes de aumentar segurança, transparência e atração de capital para a infraestrutura energética brasileira.
“Criar esse ambiente e colocar todo mundo para dialogar e identificar os desafios do setor e buscar soluções é muito profícuo para que a gente consiga construir uma agenda positiva para avançar em prol da melhoria, da segurança, da transparência e da captação de investimentos no setor elétrico”, concluiu.
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