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EUA vetam contratos do Pentágono com a BYD por ligação da montadora às forças armadas da China
Publicado 08/06/2026 • 21:38 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 08/06/2026 • 21:38 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Elke Scholiers | Notícias da Getty Images | Getty Images
A partir de 30 de junho, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos ficará proibido de celebrar, renovar ou estender contratos com a BYD. A montadora chinesa foi incluída nesta segunda-feira (8) na lista oficial de empresas vinculadas ao complexo militar da China.
A decisão atinge diretamente a cadeia de compras do Pentágono. Em junho de 2027, a restrição será ampliada e passará a cobrir bens e serviços que incorporem produtos da BYD ao longo de toda a cadeia de fornecimento.
A BYD integra uma relação de 188 companhias chinesas na chamada lista 1260H. A lista foi criada por determinação do Congresso americano, em 2021, para identificar empresas que contribuem, direta ou indiretamente, para a base industrial de defesa da China.
Entre as companhias incluídas na atualização estão Alibaba, Baidu, Tencent, Huawei e a fabricante de drones DJI. A relação cresceu de cerca de 130 para 188 entidades neste ano.
Leia também: Geely ultrapassa BYD e assume liderança de vendas em 2026
No documento do Pentágono, a BYD é apontada como direta e indiretamente afiliada à Comissão para Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC), braço do governo chinês que controla as principais estatais do país, e ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT).
O documento enquadra a montadora como “contribuinte para a fusão militar-civil” por dois critérios: a afiliação ao MIIT e a associação a uma “zona de fusão militar-civil”, expressão usada para áreas industriais designadas pelo governo chinês onde empresas civis desenvolvem tecnologias com possível aplicação militar.
A mesma lógica foi aplicada a Alibaba e Baidu, também apontadas como afiliadas ao MIIT. A Tencent foi classificada como indiretamente vinculada ao Exército de Libertação Popular.
A lista 1260H não equivale a uma sanção comercial tradicional. Ela não proíbe transações privadas nem impõe bloqueio de ativos.
O efeito direto recai sobre a cadeia de compras do governo americano. Ainda assim, a designação costuma ser acompanhada por investidores institucionais, bancos e reguladores de outros países, por funcionar como um sinal de risco para parceiros comerciais.
A inclusão na lista também pode anteceder medidas mais duras de outros órgãos americanos, como restrições do Departamento de Comércio ou do Departamento do Tesouro.
O Pentágono já havia tentado publicar uma versão expandida da lista em fevereiro deste ano, mas retirou o documento horas depois, sem explicação. O episódio gerou incerteza no mercado sobre quais empresas seriam incluídas na versão final.
O governo chinês criticou a decisão. A Embaixada da China em Washington acusou os Estados Unidos de “esticar o conceito de segurança nacional para discriminar empresas chinesas” e afirmou que as companhias cumprem as leis dos países onde operam.
Leia também: Incentivo à BYD acaba e kits encarecem; mercado fica em alerta por novo movimento de executivo lobista
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Seguir no GoogleNo Brasil, a BYD constrói uma fábrica em Camaçari, na Bahia. O projeto ampliou a presença da montadora no país, mas também já foi alvo de investigação trabalhista.
Conforme mostrou o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, em dezembro de 2024, uma força-tarefa formada por auditores do Ministério do Trabalho, procuradores do Ministério Público do Trabalho, Defensoria Pública da União e Polícia Federal resgatou 220 trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão no canteiro de obras.
Segundo a fiscalização, foram encontradas jornadas de até 70 horas semanais, alojamentos com poucos banheiros e beliches sem colchão.
Em maio de 2025, o Ministério Público do Trabalho entrou com ação civil pública cobrando R$ 257 milhões da BYD e de duas empreiteiras. Em abril deste ano, a montadora foi formalmente incluída na Lista Suja do Trabalho Escravo do governo federal.
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