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EXCLUSIVO CNBC: CEO da Merck diz que espera reduzir o tempo de fabricação de vacina inovadora contra o câncer
Publicado 14/10/2026 • 19:22 | Atualizado há 16 horas
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Publicado 14/10/2026 • 19:22 | Atualizado há 16 horas
KEY POINTS
O CEO da Merck, Rob Davis, disse à CNBC nesta quarta-feira que espera que a vacina contra o câncer desenvolvida em parceria com a Moderna possa ser fabricada mais rapidamente ao longo do tempo.
Reduzir o prazo atual de seis semanas poderia ajudar as empresas a atender mais pacientes.
“Vamos trabalhar para melhorar esse processo, mas, neste momento, o foco realmente é garantir que tenhamos o fornecimento preparado e o mercado pronto para levar essa importante inovação aos pacientes. Depois, vamos discutir como acelerar o processo”, disse ele à CNBC, em uma entrevista exclusiva. “Mas acredito que, com o tempo, veremos esse prazo diminuir.”
O processo de produção da vacina personalizada contra o câncer, desde o sequenciamento do tumor do paciente até a entrega do imunizante ao hospital, leva seis semanas. A vacina da Merck e da Moderna foi desenvolvida para atingir as mutações específicas do tumor de cada paciente, em vez de adotar uma abordagem única para todos, o que torna sua fabricação mais complexa.
A proposta é treinar o sistema imunológico para reconhecer e eliminar esses marcadores específicos do câncer e, em seguida, combinar essa resposta com o Keytruda, imunoterápico de grande sucesso da Merck, que busca ajudar o organismo a combater a doença de forma mais eficaz.
Davis reconheceu que a fabricação da vacina envolve um “sistema complexo”, mas afirmou que a Merck e a Moderna já dominam o processo com “um nível de precisão científica muito elevado”.
“Estou bastante confiante de que não teremos dificuldades para disponibilizar o tratamento aos pacientes em um prazo muito adequado”, acrescentou. “Estamos fazendo isso em nossos ensaios clínicos, e só vejo melhorias daqui para frente.”
As declarações foram feitas depois que as duas empresas divulgaram, em agosto, dados iniciais positivos de um ensaio clínico em estágio avançado da vacina combinada com o Keytruda em pacientes com melanoma. Davis afirmou que a empresa também está estudando o imunizante em ensaios clínicos para outros tumores, incluindo câncer de pulmão de células não pequenas, alguns tipos de câncer de bexiga e carcinoma de células renais.
“É natural querer falar sobre a possibilidade de começar a caminhar em direção à cura”, disse ele. “Ainda não chegamos a esse ponto, mas estamos avançando com uma tecnologia realmente sem precedentes.”
Davis conversou com a CNBC depois que a Merck inaugurou oficialmente, na manhã de quarta-feira, sua nova unidade de pesquisa de 120 mil pés quadrados, cerca de 11,1 mil metros quadrados, chamada Advance, no campus da empresa em West Point, na Pensilvânia.
O governador do estado, Josh Shapiro, participou da cerimônia de inauguração ao lado de executivos da Merck e outras autoridades públicas. A unidade conta com sistemas robóticos altamente automatizados e recursos avançados de inteligência artificial digital.
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Siga o Times | CNBCSegundo a Merck, a instalação foi projetada para agilizar a análise de amostras biológicas dos programas de desenvolvimento de medicamentos em andamento e aprimorar suas atividades de pesquisa e desenvolvimento.
A inauguração ocorre enquanto a Merck se prepara para a perda da exclusividade comercial do Keytruda, um dos medicamentos mais vendidos do mundo e amplamente considerado um dos pilares do tratamento moderno contra o câncer. A principal patente do composto nos Estados Unidos expira em dezembro de 2028, enquanto patentes secundárias estendem a proteção até 2029 e além.
A Merck implementou uma estratégia de várias frentes para transformar a transição do Keytruda no que considera uma “subida administrável”, em vez de uma queda abrupta de receita. O plano inclui acelerar as pesquisas internas e direcionar US$ 65 bilhões a aquisições externas e acordos de licenciamento ao longo de cinco anos para ampliar seu portfólio de medicamentos de próxima geração.
A gigante farmacêutica também está desenvolvendo novas versões do Keytruda e combinações terapêuticas para as quais poderá transferir pacientes, buscando proteger a receita do medicamento mesmo após o vencimento de patentes importantes antes de 2030.
A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) aprovou, em setembro de 2025, a versão subcutânea do Keytruda, considerada mais conveniente por ser administrada sob a pele em poucos minutos. A versão tradicional do medicamento é aplicada por infusão intravenosa, em um procedimento que leva cerca de 30 minutos.
A Merck, porém, enfrenta uma disputa judicial em alguns mercados europeus por causa da versão mais recente, o que levanta dúvidas sobre o alcance comercial do medicamento.
No início deste mês, um tribunal holandês concedeu uma liminar que impede a Merck de vender, armazenar ou fabricar o Keytruda subcutâneo em oito países europeus: Bélgica, Dinamarca, França, Irlanda, Itália, Suécia, Suíça e Países Baixos. A decisão ocorreu após uma ação por violação de patente movida pela empresa de biotecnologia Halozyme Therapeutics, relacionada à sua própria plataforma de administração de medicamentos por via subcutânea.
A Merck afirmou discordar veementemente das decisões e disse que pretende recorrer. Os pacientes ainda podem receber a versão original do Keytruda na Europa enquanto a disputa de patentes estiver em andamento.
A Halozyme também processou a Merck por violação de patentes nos Estados Unidos, alegando que a formulação subcutânea do Keytruda infringe 15 patentes registradas pela empresa de biotecnologia desde 2011.
Enquanto isso, a Merck concentra esforços no lançamento de uma série de novos medicamentos. Entre eles está o Winrevair, tratamento para uma doença pulmonar rara e potencialmente fatal, aprovado em 2024 e adquirido alguns anos antes por meio da compra da Acceleron por US$ 11,5 bilhões.
Outro lançamento acompanhado de perto é o Lipfendra, comprimido da Merck para reduzir o colesterol, aprovado pela FDA no mês passado.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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