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EXCLUSIVO CNBC: Coca-Cola eleva projeções para 2026 e vê pressão sobre consumidores, diz brasileiro Henrique Braun, CEO global

Publicado 28/07/2026 • 16:05 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Receita líquida chegou a US$ 13,4 bilhões no segundo trimestre, enquanto o lucro por ação avançou 16%.
  • O brasileiro Henrique Braun, CEO da companhia, afirmou que a inflação tem pressionado principalmente os consumidores de renda mais baixa.
  • Companhia aposta em embalagens menores, bebidas sem açúcar e inteligência artificial para ampliar vendas e tornar o marketing mais eficiente.

A Coca-Cola elevou as projeções para 2026 após registrar crescimento de 7% da receita líquida no segundo trimestre, para US$ 13,4 bilhões. Apesar dos resultados, o CEO da companhia, o brasileiro Henrique Braun, afirmou que a inflação continua pressionando principalmente os consumidores de menor renda.

Em entrevista exclusiva à CNBC, Braun disse que a companhia mantém uma política disciplinada de preços e busca combinar marcas, embalagens e canais de venda para atender diferentes perfis de consumo.

“Temos uma forma muito disciplinada de nos conectar com os consumidores, com as marcas e com os canais certos. Precisamos colocar os preços de forma adequada”, afirmou.

A receita orgânica, que exclui efeitos cambiais, aquisições e desinvestimentos, cresceu 6%. O lucro por ação avançou 16%, para US$ 1,03, enquanto o volume global vendido aumentou 5%.

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Inflação pressiona consumidores de menor renda

Questionado sobre um possível limite para novos reajustes, Braun afirmou que a inflação sempre fez parte das decisões do setor de bebidas.

“Estou há mais de 40 anos nesse negócio. A inflação sempre esteve presente”, disse.

O executivo reconheceu, porém, que o ambiente econômico tem afetado de forma mais intensa os consumidores com menor poder aquisitivo.

“Temos visto alguns problemas, principalmente entre os consumidores de renda mais baixa”, afirmou.

A companhia tem recorrido a diferentes tamanhos de embalagem, incluindo latas menores, para adaptar os preços às condições de cada mercado. Segundo Braun, a estratégia também precisa considerar a rentabilidade e a elevação de custos de insumos, como o alumínio.

Coca-Cola eleva projeções para 2026

Após os resultados, a Coca-Cola passou a projetar crescimento de aproximadamente 5% da receita orgânica em 2026. A estimativa anterior indicava avanço entre 4% e 5%.

A previsão para o crescimento do lucro comparável por ação também foi elevada, de uma faixa entre 8% e 9% para 9% a 10%. A companhia espera gerar fluxo de caixa livre de aproximadamente US$ 12,4 bilhões no ano.

A Coca-Cola Zero Açúcar registrou crescimento de 16% no volume durante o trimestre. A marca Coca-Cola avançou 5%, enquanto as bebidas esportivas cresceram 5%.

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Braun afirmou que a empresa acompanha os possíveis efeitos dos medicamentos para emagrecimento da classe GLP-1 sobre os hábitos de consumo. A estratégia inclui ampliar a oferta de bebidas sem açúcar e de produtos ligados à hidratação e à prática de atividades físicas.

IA deve aumentar precisão do marketing

O CEO também destacou o uso de inteligência artificial e análise de dados para melhorar a distribuição dos investimentos em publicidade.

“Estamos felizes com o investimento que temos atualmente em marketing e precisamos sempre olhar para a eficiência de cada dólar investido”, afirmou.

Segundo Braun, a presença da Coca-Cola em mais de 200 países e territórios exige maior precisão na definição das campanhas e dos públicos. Ele assumiu o comando da companhia em 31 de março de 2026.

“Precisamos utilizar inteligência artificial e tecnologia para aumentar a precisão dos anúncios. Precisamos olhar para cada dólar investido para que ele seja bem aplicado”, disse.

Copa do Mundo impulsiona marcas

Braun afirmou que a Copa do Mundo de 2026 foi uma oportunidade para ampliar a exposição global das marcas da companhia.

A campanha da Coca-Cola foi realizada em mais de 180 mercados, alcançou mais de 20 milhões de pontos de venda e gerou mais de 60 bilhões de impressões em plataformas digitais. Segundo a empresa, a iniciativa contribuiu para o crescimento de 5% da marca Coca-Cola e de 8% do Powerade no trimestre.

“A Copa do Mundo foi uma grande oportunidade para mostrarmos nossas marcas ao mundo”, afirmou Braun.

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CEO evita antecipar decisão sobre Costa Coffee

Ao comentar as especulações sobre uma eventual venda da Costa Coffee, Braun afirmou que a Coca-Cola gosta da marca e trabalha na recuperação da operação.

O executivo não antecipou uma decisão sobre o futuro do negócio. No conjunto das operações da companhia, a categoria de café registrou queda de 2% no volume no segundo trimestre, principalmente pela retração na região da Ásia-Pacífico.

Braun também evitou detalhar uma eventual versão da Coca-Cola produzida com açúcar de cana nos Estados Unidos. Segundo ele, a companhia avalia diferentes ingredientes e considera as regras sanitárias e de alimentação de cada mercado antes de tomar decisões sobre o portfólio.

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