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EXCLUSIVO CNBC: Estoques de petróleo são principal desafio mesmo com retomada parcial de Ormuz, diz CEO da Shell

Publicado 29/10/2026 • 19:21 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Wael Sawan, CEO da Shell, afirma que a demanda global nos postos de combustível caiu cerca de 5%, com retração próxima de 10% na Ásia.
  • Procura por gás natural liquefeito (GNL) permanece estável, enquanto a duração das interrupções no fornecimento pode alterar os efeitos sobre o mercado.
  • Estreito de Hormuz opera entre 80% e 85% dos níveis anteriores à guerra, mas a recomposição dos estoques continua sendo um desafio.

O mercado global de energia ainda enfrenta incertezas sobre os efeitos de longo prazo das interrupções no fornecimento de petróleo em meio à guerra no Oriente Médio.

Para Wael Sawan, CEO da Shell, é cedo para avaliar como a volatilidade afetará a demanda mundial. Em entrevista exclusiva à CNBC, o executivo destacou a resiliência operacional da companhia e a importância de seu modelo integrado diante das turbulências geopolíticas.

Sawan afirmou que a demanda nos negócios de marketing da empresa, que incluem o varejo e os postos de combustíveis, registra uma retração global de aproximadamente 5%.

Na Ásia, a queda chega a quase 10%, refletindo a reação de consumidores mais sensíveis aos preços.

“É muito cedo para tirar conclusões definitivas”.

O executivo ressaltou, porém, que o comportamento varia conforme o segmento. No mercado de gás natural liquefeito (GNL), por exemplo, a Shell não observa uma redução significativa da demanda.

“Continuamos observando que os níveis de demanda permanecem estáveis. Mas essa é uma perspectiva de médio prazo, então trata-se mais de um adiamento ou da busca por formas alternativas de energia do que de uma destruição da demanda”.

O CEO acrescentou que a duração das interrupções será determinante para dimensionar os impactos sobre o mercado. Nesse cenário, a segurança energética passou a ocupar posição central nas decisões de governos e empresas.

Sawan afirmou que a estrutura integrada da Shell permite à companhia responder melhor aos períodos de instabilidade.

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Entre os diferenciais, citou a diversificação das fontes de suprimento, a capacidade de negociação, a frota de navios e a variedade de clientes atendidos pela empresa.

“O que estamos tentando fazer é aproveitar o nosso modelo integrado. A singularidade do que temos na Shell são essas fontes de suprimentos diversificadas, essa capacidade de negociação líder mundial, uma frota de navios significativamente grande em um momento em que o transporte está em falta e múltiplos clientes para atender”.

Para o executivo, essas características ganham importância em momentos de maior volatilidade, quando a disponibilidade de transporte e o acesso a diferentes fontes de energia se tornam fatores estratégicos.

Estreito de Hormuz e recomposição dos estoques

Questionado sobre os impactos da guerra envolvendo o Irã e as interrupções no fornecimento de petróleo, Sawan afirmou que o tráfego pelo Estreito de Hormuz e as operações de evacuação da região estão entre 80% e 85% dos níveis anteriores ao conflito.

Apesar da recuperação parcial, o principal desafio está na recomposição dos estoques globais. O executivo afirmou que a oferta já se aproximou dos níveis de demanda, mas a redução dos inventários acumulados mantém o mercado em uma situação delicada.

“Não estamos muito longe do equilíbrio, porque, ao entrarmos no final de fevereiro, a oferta estava superando o que víamos como níveis de demanda. O maior problema no momento é que ainda não estamos conseguindo repor o inventário”.

Na avaliação de Sawan, mesmo que o Estreito de Hormuz seja reaberto, será necessário acompanhar a velocidade de recuperação dos estoques e as decisões dos países sobre a formação de reservas adicionais.

“Se o estreito fosse aberto, a questão é a rapidez com que conseguiremos repor esse inventário e, importantemente, quais medidas adicionais os países vão querer tomar para talvez adicionar um pouco mais de inventário no futuro”.

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