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EXCLUSIVO CNBC: Morgan Stanley prevê inflação abaixo do esperado e aposta em queda dos juros dos EUA

Publicado 03/09/2026 • 22:14 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Matthew Hornbach, chefe global de estratégia macro do Morgan Stanley, avalia que a inflação americana pode surpreender para baixo.
  • Hornbach aponta desaceleração da inflação de moradia, efeitos defasados das tarifas e fatores sazonais como vetores de desinflação.
  • O estrategista vê os rendimentos dos Treasuries em queda até o fim do ano e não espera novas altas de juros pelo Fed em 2026.

A inflação dos Estados Unidos pode surpreender para baixo nos próximos meses, segundo Matthw Hornbach, chefe global de estratégia macro do Morgan Stanley.

Em entrevista exclusiva à CNBC, o executivo afirmou que não espera novas altas de juros pelo Federal Reserve em 2026 e prevê queda dos rendimentos dos Treasuries até o fim do ano.

A desinflação americana já está em andamento e há diferentes fatores que podem reforçar esse movimento. Entre eles estão a desaceleração da inflação de moradia, os efeitos das tarifas que já foram incorporados aos dados e fatores sazonais.

“Não prevemos que o Fed aumente as taxas este ano, de jeito nenhum. Acreditamos que eles manterão as taxas, principalmente porque a inflação está caindo”.

Para o executivo, o cenário mais provável não é de uma inflação acima das projeções, mas de uma surpresa negativa nos índices de preços.

A inflação de moradia continua desacelerando, enquanto o impacto das tarifas tende a perder força na comparação anual. Hornbach também citou uma chamada sazonalidade residual, relacionada à forma como as agências estatísticas ajustam os dados de inflação ao longo do ano, como outro fator que pode contribuir para uma leitura mais baixa dos preços.

O petróleo, entretanto, representa um risco de alta para as projeções. Embora o preço do barril tenha impacto direto sobre a inflação cheia, a principal preocupação está no eventual repasse dos custos de energia para os índices de inflação subjacente.

Entre os canais de transmissão estão as passagens aéreas e outros produtos derivados do petróleo. O aumento dos preços do diesel e de outros produtos refinados, não decorre apenas do petróleo bruto, mas também de restrições na capacidade de refino e de dificuldades para retirar produtos de determinadas regiões.

“Você esperaria ver mais repasse do que o que realmente acabamos vendo nos dados desde que o conflito no Irã começou”, afirmou.

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Esse comportamento reforça a avaliação de que a inflação deve apresentar leituras mais moderadas até o fim do ano. A perspectiva também influencia a projeção para o mercado de títulos dos Estados Unidos.

A avaliação considera que parte das expectativas atuais de novas altas de juros ainda está incorporada aos preços de mercado. À medida que essas apostas forem retiradas, os rendimentos dos títulos podem recuar.

“Temos os rendimentos do Tesouro caindo até o final do ano”.

O cenário projetado diverge de algumas previsões mais agressivas para a política monetária. O estrategista foi questionado sobre a possibilidade de o Fed elevar os juros diante das divergências observadas entre os integrantes do banco central.

Para ele, a análise deve partir dos dados econômicos, e não apenas das declarações dos dirigentes do Fed. Hornbach afirmou que a autoridade monetária precisa avaliar se novos aumentos de juros são efetivamente necessários para atingir suas metas de inflação e emprego.

“Nós não achamos que o Fed precise realizar mais aumentos nas taxas de juros para ajudar a inflação a cair”.

Questionado diretamente se a instituição estava defendendo que o Fed não deveria aumentar os juros ou se simplesmente não esperava uma alta, o executivo reforçou que a previsão é de manutenção das taxas.

“Não achamos que eles vão aumentar as taxas. Tentamos prever o que vai acontecer, não o que deveria”.

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